Resenha: Future – FUTURE

Lançamento: 17/02/2017
Gênero: Hip-Hop, Trap
Gravadora: A1 Records / Freebandz / Epic Records
Produtores: DJ Esco, Future, Chef Tate, DJ Khaled, DJ Spinz, DY, Fuse, Illmind, Jake One, Metro Boomin, Southside, Tarentino, The Beat Bully, Tre Pounds e Zaytroven.

Aqueles que ouvem o rapper Future geralmente caem em dois campos: ou amam ou odeiam ele. Mas, embora ele seja um artista divisivo no hip-hop, ele se estabeleceu como um dos rappers mais consistentes da década. Com vários projetos lançados nos últimos anos, Future nunca deixou os fãs ansiosos por um novo material. O início de 2017 tem sido dominado por artistas de hip-hop de uma cidade que tornou-se, recentemente, um nicho para a cultura urbana: Atlanta, Geórgia. Depois do lançamento do disco “Culture” do grupo Migos em janeiro, o trap de Atlanta manteve forte presença nas estações de rádio dos Estados Unidos. Sem dúvida, o Future é outro gigante da cena trap de Atlanta. Ele, cujo nome verdadeiro é Nayvadius DeMun Wilburn, anunciou dois álbuns para 2017, com o segundo sendo lançado uma semana depois. Fiel à sua palavra, o rapper lançou o seu quinto álbum de estúdio, “FUTURE”, em 17 de fevereiro.

O álbum auto-intitulado, como o resto de sua discografia, destaca-se ao definir um clima que é quase tangível em todo o álbum. Future é conhecido por sua prática de colocar auto-sintonia nas suas batidas, em vez de usar no seu canto. Atualmente, ele é um dos artistas que mais domina o trap, tanto que podemos comparar os trabalhos recentes de Migos e 21 Savage com o “DS2” (2015), seu terceiro álbum de estúdio. Future continua utilizando certas técnicas de produção, a fim de dar um incrível efeito e distinta estética às suas músicas. O seu fluxo sintetizado combina perfeitamente com instrumentais animados e batidas rápidas, de produtores como Metro Boomin, Zaytoven e DJ Khaled. Em “FUTURE” sua atitude alterna entre duas personas distintas. A primeira é um rei do trap melódico, com uma intensa escuridão em suas letras. A segunda persona é um cara despreocupado que só quer se divertir. Às vezes, o seu objetivo é se tornar o maior traficante de drogas de Atlanta, outras é apenas se divertir e ganhar dinheiro.

Na maior parte, suas músicas são agradáveis e relaxantes de se ouvir. Mas, como a maioria das músicas trap, não há muito profundidade na sua superfície. Suas canções possuem temas semelhantes: usar e vender drogas, ser violento com a concorrência, ter uma vida luxuosa, ganhar dinheiro e gastá-lo com mulheres. Future usa uma forma lírica facilmente reconhecível na maioria de suas músicas e, raramente, tenta contar histórias liricamente complexas. Por ser um rapper especializado em música trap, este álbum não se afasta de um terreno familiar. Aqui, Future oferece ao ouvinte rápidas batidas, fluxos melódicos e drops pesados. Enquanto alguns fãs consideram “EVOL” (2016) uma regressão de seu material anterior, seu álbum auto-intitulado pode ser considerado um retorno à magia que ele criou com o aclamado “DS2” (2015). Em termos de produção, sua colaboração com Metro Boomin, Zaytoven e Southside, garante muitas batidas energéticas para os ouvintes.

Nesse álbum, não temos nenhuma participação de outros convidados, um desejo declarado de retornar às suas raízes. “FUTURE” cimenta sua marca pessoal e permanece fiel ao som musical que o levou ao topo. É um álbum com um som bem uniforme e envolvente. Por ser muito longo, com um total de 17 faixas, esse LP pode acabar cansando o ouvinte com seus sons e estilos semelhantes. Porém, as sutis distinções e progressões de cada música, faz com que o público queira ouvir o registro em sua totalidade. A faixa de abertura, “Rent Money”, é Future no seu melhor, flutuando com facilidade sobre a batida. Essa canção define um tom agressivo e áspero que continua ao longo de todo LP. “Good Dope” fornece o mesmo baixo pesado da faixa anterior, porém, com um conteúdo muito mais repetitivo. Em “Zoom”, ele soa bem energético e faz um retorno apropriado ao seu fluxo padrão. “POA”, uma das melhores faixas do álbum, também é um excelente retorno à forma, com ajuda de uma poderosa batida trap criada por Southside.

Como podemos ver, Future é sempre apoiado por alguns dos melhores produtores de hip-hop. Metro Boomin, por exemplo, produziu a fantástica “Mask Off”. Aqui encontramos um Future contemplativo sobre uma amostra de flauta hipnótica e um baixo pesado. Essa canção apresenta uma mudança de ritmo muita bem-vinda, e cria um ponto de inflexão muito relaxante. Apresentando sample de “Prison Song” (Tommy Butler), “Mask Off” fornece uma melodia refinada e um alto valor de repetição. Enquanto “I’m So Groovy” apresenta uma batida incrível, “Might as Well” mostra o lado mais introspectivo e melancólico do rapper. Também produzida por Southside, “Poppin’ Tags” é uma das faixas mais elétricas do álbum. Um banger imediato que foi revelado pela primeira vez pelo DJ Esco na OVO Sound Radio em novembro de 2016. Durante “When I Was Broke”, Future nos leva de volta à luta, conforme Zaytoven fornece teclados de marca registrada ao lado de algumas percussões e sintetizadores.

O rapper de Atlanta, sem dúvida, manda muito bem quando mostra sua vulnerabilidade como nessa canção. Flautas retornam em “Feds Did a Sweep”, ao passo que tambores vão em uma direção diferente. É uma faixa sombria e paranoica, também produzida por Zaytoven, que serve como fechamento do álbum. “FUTURE” deixa os ouvintes se perguntando se o repertório deveria ser mais curto. Os fluxos clássicos do rapper permeiam por todo o álbum e criam uma coleção muito divertida. Mas, dado o grande comprimento do disco, uma série de canções acabaram sendo ofuscadas. Com outro álbum, “HNDRXX”, sendo lançado uma semana depois, os fãs do Future tiveram a sorte de ouvir dois projetos bem sucedidos em tão pouco tempo. “HNDRXX” é uma extensão da natureza honesta e pessoal que o rapper tentou transmitir no “FUTURE”. Esses dois álbuns provam que, apesar de ser previsível, o seu som continua sendo muito cativante.

Favorite Tracks: “POA”, “Mask Off” e “When I Was Broke”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.