Resenha: Foxes – All I Need

Lançamento: 05/02/2016
Gênero: Synthpop
Gravadora: Epic Records / RCA Records
Produtores: Mark Ralph, Tim Bran, Roy Kerr, Jim Eliot, Dan Wilson, Ashley Hayes, Jesse Shatkin e Liam Howe.

Louisa Rose Allen, que atende pelo nome artístico Foxes, lançou o seu segundo álbum de estúdio em fevereiro de 2016. Constituído com um moderno e fantástico eletropop, “All I Need” apresenta alguns valores de produção deslumbrantes. Depois de fazer sua primeira aparição nas paradas ao lado do DJ Zeed, em “Clarity”, Foxes criou um nome para si na indústria. Rapidamente, ela tornou-se a cantora favorita daqueles que procuram algo a mais do que um refrão pegajoso ou batida dançante repetitiva. Seu disco de estréia, “Glorious” (2014), com os singles “Youth” e “Let’s Go for Tonight”, mostrou ao mundo o que ela pode oferecer. Canções synthpop cativantes com letras pessoais e significativas, fizeram parte do pacote. Foi uma estreia emocional e edificante, que deu uma lufada de ar fresco no cenário pop. Seu novo álbum oferece um meio termo entre o doce pop e a pseudo música dance. Ademais, às vezes, as músicas mais lentas conseguem roubar o show.

A maioria das canções pop de hoje têm algum elemento dance e, as faixas deste álbum, não são uma exceção. O som dramático do seu último disco desapareceu e foi substituído por um som pop puro. A maioria das canções incluídas no “All I Need” são otimistas e excelentes para dançar. É difícil criticá-las, uma vez que a maioria é coesa, bem produzida e perfeitamente polida. Como compositora, Foxes tente a contar com uma estrutura um pouco estereotipada. No entanto, a produção é geralmente muito bem executada, com boas inspirações europop, EDM e R&B. Os sons do álbum são muito evocativos, como podemos ouvir desde “Rise Up (Intro)”. Essa introdução apresenta um riff de violino, batidas dance e altos sintetizadores para iniciar o projeto. Em seguida, ela aparece ao lado de Dan Smith do Bastille na faixa “Better Love”. O frontman do Bastille oferece alguns vocais de apoio e auxiliou na escrita, portanto, não é à toa que “Better Love” soa semelhante a “Pompeii”.

Uma canção sobre desgosto amoroso, que rapidamente dá o tom para o álbum. Foxes começa a música acompanhada de um piano, mas, conforme a pista ganha vida, um baixo e alguns tambores também aparecem. “Better Love” foi amplamente antecipada, pois foi lançada como single em setembro do ano passado. “Body Talk” foi o carro-chefe do álbum por uma boa razão, é uma canção extremamente agradável e cativante. Suas letras têm um toque pessoal necessário, pois busca positividade após um término de namoro. É uma descontraída canção synthpop, com claras influências da década de 80 e uma infecciosa sensação disco. Foxes declarou anteriormente que, em seu segundo disco, queria tentar algo diferente. Isso é muito evidente nos tons tropicais da quarta faixa, “Cruel”. Não apenas a sua produção destaca-se, mas é bom ouvir Foxes pisando fora de sua zona de conforto. Com uma amostra vocal fundida eletronicamente e uma batida de inspiração caribenha, “Cruel” realmente consegue cativar.

foxes

O som otimista do álbum é bem equilibrado por baladas mais lentas, como “If You Leave Me Now” e “On My Way”. “If You Leave Me Now” é acompanhada por um piano antes de abrir-se com violinos. Esta canção leva o ouvinte para uma verdadeira viagem, com uma grande inflexão e melancolia na voz de Foxes. “On My Way”, por sua vez, é uma daquelas faixas doces e inofensivas, que são perfeitas para fechar um álbum. Essa música chega apenas com um piano, vocais de Foxes e uma tensão acumulada. “Amazing” é um dance-pop de ritmo elevado impulsionado pelo piano, bateria e tambores tribais. É uma clássica música de Foxes que possui uma pós-refrão estupidamente catchy e divertido. Se Foxes não oferece nada de novo em “Amazing”, ela pode ser perdoada devido à excelente energia da música. Allen parece ter um dom natural para escrever canções cativantes que fazem você querer cantar a plenos pulmões, enquanto dança ao redor dos seus amigos.

Quando “Devil Side”, uma faixa mais pessoal e enigmática, começa a tocar, o álbum torna-se mais presente e proeminente. Há uma escuridão aqui, com o piano sendo tocado na extremidade inferior ao lado de alguns tambores. Produzida por Jesse Shatkin, frequente colaborador do One Direction, “Feet Don’t Fail Me Now” têm grandes vocais e uma pitada de dance na mistura. Ela começa mais lenta, porém, uma construção final a leva para algo muito maior. É uma das poucas faixas influenciadas pelo R&B, por isso ganha uma atenção especial. Em seguida, um piano materializa-se para abrir a faixa “Wicked Love”. Foi lançada como quarto single do álbum, uma escolha um pouco surpreendente, dado a presença de outras canções mais radio-friendly. Apesar do refrão ser repetitivo, a música possui uma boa instrumentação, que inclui riff de harpa, bateria e baixo. “Antes, estávamos batendo nas portas do céu / Não tínhamos chance algum, ainda assim tentei”, Foxes canta na abertura de “Scars”, uma faixa de ritmo mais lento.

Os vocais de Foxes estão em plena exibição aqui, da mesma forma que o baixo, piano e bateria. O mesmo se aplica à “Money”, uma faixa infecciosa com um ótimo refrão. Apesar de manter o mesmo tema estabelecido pelo resto do álbum, ela possui uma metáfora mais refrescante. A instrumentação consiste em uma batida e guitarras no fundo, conforme Foxes canta: “Dinheiro, dinheiro, dinheiro não pode te amar / Dinheiro não pode te abraçar / Dinheiro não pode te amar de volta”. Um coral de crianças ainda distrai o ouvinte durante a ponte. Parece que Foxes percorreu um longo caminho desde seu último álbum, um esforço bom de ouvir do início ao fim. Com “All I Need”, a cantora inglesa parece ter encontrado o equilíbrio perfeito, pois ele contém a quantidade certa de baladas e canções up-tempo. Este registro é um testemunho do seu talento, pois exibe sua capacidade de compor canções pop cativantes. Foxes alterou seu som de uma maneira muito sutil com este álbum. No entanto, continuou apresentando divertidas canções que fazem todos quererem dançar.

72

Favorite Tracks: “Better Love”, “Body Talk”, “Cruel”, “If You Leave Me Now” e “Amazing”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Gabriel Salgueiro

    No começo achei o álbum uma incógnita sem contar com as músicas singles e de divulgação, músicas diferentes e meio chatinhas, mas depois que vc escuta mais vezes acaba se acostumando e se redendo ao pop puro que ele oferece *.*

    • Leo

      Verdade Gabriel, depois de ouvir mais vezes, você acaba viciando em quase todas as músicas.