Resenha: Foster the People – Supermodel

Lançamento: 14/03/2014
Gênero: Indie Pop, Rock Aternativo
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Paul Epworth e Mark Foster.

Três nos após lançar o seu álbum de estreia, a banda Foster the People, composta por Mark Foster, Cubbie Fink e Mark Pontius, divulgou em março de 2014 o disco “Supermodel”. Depois do sucesso do “Torches” (2011) e do hit “Pumped Up Kicks”, que tornou-se um viral e rendeu duas indicações ao Grammy, a banda conquistou uma grande fã base que estava ansiosa para mais um lançamento. O álbum, co-produzido pelo vocalista Mark Foster e o músico britânico Paul Epworth, estreou em #3 na Billboard 200 ao vender 54 mil cópias na primeira semana. A arte da capa, criada pelo artista visual Young & Sick, também responsável pela capa do “Torches”, é um desenho psicodélico de uma modelo sendo fotografada por paparazzis, enquanto vomita um poema sobre o consumismo. Mark Foster afirmou que a ideia, tanto da imagem quanto do título, é redefinir o significado da palavra supermodelo. No geral, o “Supermodel” é um álbum conceitual que apresenta temas pesados de negatividade sobre à cultura popular. A faixa de abertura, “Are You What You Want to Be?”, é formada por elementos de afrobeat e uma percussão que nos remete ao The Clash dos anos 80. Mark Foster, inclusive, declarou que a maior influência do “Supermodel” foi justamente a composição do “Sandinista!” (1980), quarto álbum de estúdio do The Clash. “Ask Yourself” possui uma letra intimidadora e uma exuberância muito parecida com a do “Torches”.

Aqui, eles começam a criticar a aparência da sociedade, propondo ao ouvinte que pense em si mesmo. “Coming of Age” é, certamente, o grande destaque do álbum, canção onde a banda lida com a forma como subiram rapidamente ao estrelato nos últimos anos. Uma canção eletropop com linhas vocais e sonoridade muito parecidas com a do primeiro álbum. A quarta faixa, “Nevermind”, começa de forma leve e vai ficando animada logo após a ótima introdução. Uma canção mid-tempo com uma boa percussão, guitarra acústica e coros alegres que parecem crianças. Sua letra é mais filosófica e o refrão, como de costume, cativante e fácil de cantar: “Sim, é difícil saber a verdade / Nesta visão pós-modernista / Onde absolutos são vistos como relíquias / E riu para fora da sala”. Logo em seguida, temos a faixa “Pseudologia Fantastica”, um inegável destaque do registro. Lançada como single promocional, essa canção possui uma letra obscura que lida com o retorno de um veterano da guerra para sua família: “Por que você disse / Por que disse que iria voltar para o meu amor, a minha fé / Todas as promessas que você fez nunca se realizaram”. Musicalmente, explora uma sonoridade psicodélica moderna com camadas de guitarras elétricas e um som pop-rock progressivo que lembra a banda MGMT. “The Angelic Welcome of Mr. Jones” é um interlúdio de 33 segundos que, como o próprio nome diz, apresenta um coro angelical retirado do disco “Smile” (2004) de Brian Wilson.

“Best Friend” também está enquadrada no grupo de melhores faixas, pois possui uma proposta mais dançante, tal como as melhores músicas do seu disco anterior. Provavelmente, é a mais radiofônica do “Supermodel” e, mesmo não apresentando nada de inovador, é cativante e muito bem executada. Sobre guitarras nebulosas e uma sonoridade mais alternativa, temos a distorcida “A Beginner’s Guide to Destroying the Moon”. Essa canção possui um ar mais sombrio e letras que falam sobre o lado sujo do capitalismo. Quase chegando à conclusão do registro, temos a acústica “Goats in Trees”, canção que possui agradáveis falsetes e vocais bem afinados. Essa mesma vibe segue pelas faixas seguintes, “The Truth” e “Fire Escape”. A primeira têm grandiosos riffs de piano e foca muito mais no instrumental, enquanto a última é outra canção totalmente acústica, tão vazia que parece inacabada. Certamente, “Fire Escape” possui poucos instrumentos justamente para dar mais evidência às letras, que falam sobre garotos de rua da cidade de Los Angeles. O “Supermodel” não possui melodias e refrões tão grudentos como o “Torches”, porém, contém algumas músicas bem cativantes. É um registro obscuro e introspectivo que tanta explorar questões sobre o consumismo, cultura de conveniência e auto-identidade. Desta vez, Foster the People usou uma nova abordagem nos instrumentais, com menos eletropop e mais interação das guitarras. “Supermodel” não tem nenhuma faixa com o imediato sucesso de “Pumped Up Kicks”, em vez disso, se move em direção a um som mais eclético.

Favorite Tracks: “Coming of Age”, “Pseudologia Fantastica” e “Best Friend”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.