Resenha: Foster the People – Sacred Hearts Club

Lançamento: 21/07/2017
Gênero: Indie Pop, Synthpop
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Mark Foster, Josh Abraham, Oligee, Lars Stalfors, Isom Innis, John Hill, Rob Cohen e Frans Mernick.

“Sacred Hearts Club”, o terceiro álbum da banda Foster the People, foi lançado em 21 de julho de 2017 através da Columbia Records. Ele foi precedido por “III”, um EP composto por três faixas do álbum. Foster the People passou por algumas mudanças nos últimos anos. Depois de atingir o sucesso com o hit “Pumped Up Kicks”, a banda se viu preparada para o estrelato. O seu primeiro disco, “Torches” (2011), solidificou o grupo ao conseguir sucesso crítico e comercial. Conseguindo um lugar para si na cena indie-pop, Foster the People lançou o disco “Supermodel” em 2014. Com este LP, eles seguiram por uma direção mais influenciada pelo rock. Apesar de conter alguns números sólidos, como “Coming of Age” e “Best Friend”, “Supermodel” não foi tão bom como o esperado. Em 2017, a banda está de volta às suas raízes pop, entretanto, com um pé na música psicodélica, synthpop e indietronica, e sons dos anos 60 e 70.

O som geral do “Sacred Hearts Club” é otimista e bem arejado. A vibração synthpop combinada com os vocais de Mark Foster provoca uma sensação muito boa. No entanto, o álbum tropeça da mesma maneira que o “Supermodel” na medida que você vê tantos sons espalhados pelo álbum. “Supermodel” mostrou a banda atirando suas complexas composições para todos os lados e acabou provocando uma bagunça. Aqui acontece praticamente o mesmo. As influências de hip-hop, rock-alternativo e funk são evidentes, porém, mal equilibradas. Faixas como “I Love My Friends” soam muito rasas na escrita, enquanto “Orange Dream” e “Time to Get Closer” não provocam qualquer impacto. Pegue a eletrônica “Loyal Like Sid & Nancy” como exemplo, e você vai se assustar com a quantidade de gêneros misturados no decorrer de 4 minutos de duração. Embora pareça algo proposital, ela torna-se uma completa bagunça que não é agradável de se ouvir.

Às vezes, a banda ainda parece interessada em recuperar a glória de “Pumped Up Kicks”, embora nunca consiga atingir tal objetivo. A faixa de abertura, “Pay the Man”, é simultaneamente calma e frenética, com batidas de hip-hop, um amplo uso de amostragens, pseudo-raps e melodias infundidas. Sem dúvida, o Foster the People chocou os fãs quando lançaram o primeiro single, “Doing It for the Money”. Infundido por elementos de R&B, é uma música muito diferente do som típico, sintetizado e estritamente alternativo da banda. Com notas de baixo e sintetizador preenchendo a parte inferior da canção, o falsete vibrante de Mark Foster desliza sobre a produção. Um provável destaque do álbum é “Sit Next to Me”, uma música composta por fortes influências psicodélicas. Ela introduz alguns tons de sintetizador que lembram a música pop e rock dos anos 80. Uma canção distinta das duas faixas anteriores que nos dá uma nota muito atraente de funk.

Sem surpresas, uma linha de baixo sólida ancora a música ao lado de guitarras de fundo e sintetizadores atmosféricos. Os vocais em falsete tornam-se relevantes, conforme Mark canta: “Venha aqui, sente-se ao meu lado / Vou deixar você nas alturas”. Em “SHC” podemos ver mais alguns movimentos em direção ao R&B e longe de suas raízes indie-pop. Aqui, as linhas de baixo vão progressivamente mais profundas e estabelecem um bom contraste com os strums de guitarra. “Lotus Eater”, por sua vez, evoca semelhanças com bandas como The Strokes e Phoenix, mesmo que ainda tenha a vibração única do Foster the People. Ela parece uma música punk-rock modernizada com riffs de guitarra infecciosos presos em rotação. Apesar de alguns números sólidos, “Sacred Hearts Club” não consegue atingir a mesma força do “Torches”. É um passo em uma nova direção, embora permaneça fiel ao estilo da banda. Em suma, é um álbum que soa mais decepcionante do que interessante.

Favorite Tracks: “Doing It for the Money”, “Sit Next to Me” e “Lotus Eater”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.