Resenha: Forfun – Nu

Lançamento: 06/10/2014
Gênero: Pop Rock, Reggae
Gravadora: Deckdisc
Produtores: Rafael Ramos.

A banda carioca Forfun, formada em 2001, é composta pelos membros Danilo Cutrim, Rodrigo Costa, Vitor Isensee e Nicolas Christ. Inicialmente, eles eram muito influenciados por bandas como Blink-182, no entanto, desde 2008, eles vem acrescentando outros ritmos e gêneros em suas canções. Lançado um ano após o seu primeiro DVD, o disco “Nu” é o quarto álbum de estúdio da banda. O projeto contém 11 faixas, uma boa variedade de temas e uma grande influência de outros ritmos, como rap e funk. Para efeito de curiosidade, o nome da banda surgiu da expressão em inglês “for fun”, que em português significa “por diversão”. Eles conseguiram chamar atenção e ganhar notoriedade nacional após o lançamento do seu primeiro álbum de estúdio, intitulado “Teoria Dinâmica Gastativa”. O grupo chegou até a gravar um DVD (“Ao Vivo: 5 Bandas de Rock”) com as bandas NX Zero, Hateen, Fresno e Moptop, produzido pela MTV Brasil. Produzido por Rafael Ramos, “Nu” chegou para mostrar que o grupo realmente gosta de experimentar diferentes sonoridades.

A faixa de abertura, “O Baile Não Vai Morrer”, por exemplo, é uma clara homenagem ao funk carioca. É, sem dúvida, uma das músicas mais diferentes do catálogo da banda. Guiada pelo ritmo do funk, a canção fala sobre a resistência da população em aceitar o estilo musical (“Baile funk, rito cultural / Problematizado lazer de geral / Querem proibir, tem que é organizar / Todo mundo perde se o baile não rola”). A segunda faixa é “Alforria”, primeira canção liberada para divulgação do álbum e a que possui, provavelmente, a melhor letra. O início hardcore e a pegada reggae combinaram muito bem com o seu clima reflexivo. “Eles impõem a verdade absoluta / E se você refuta, a resposta vem com força bruta / Um plano muito bem arquitetado / Relação estreita de empreiteiras e Estado / Verás que um filho teu não é uma puta / E a sua conduta não coloca os seus valores em disputa / Verás que o teu povo não é bobo / Em pele do cordeiro se esconde o velho lobo”, Danilo Cutrim canta em um dos versos.

Forfun

A faixa seguinte, “Mariá”, também contém elementos de reggae e possui um gancho irresistível. “Mariáaaaa / Maria com acento no “aaaaa” / Mariáaaa”, eles cantam de forma entusiasmada durante o refrão. “Considerações”, por sua vez, lembra bastante o som mais antigo da banda, enquanto é conduzida por uma ótima bateria e um som hardcore extremamente cativante. “Funk, reggae, rap ou hardcore / São muitos amigos, não me sinto só”, essa linha está presente na quinta faixa, “Muitos Amigos”. Uma canção que consegue resumir facilmente o propósito do disco. Forfun sempre apresentou uma diversidade de estilos musicais, mas com o “Nu”, eles conseguiram ir ainda mais longe nesse quesito. “Stoked” possui uma vibe muito divertida e uma letra bacana, enquanto em “Previsão do Tempo”, o grupo faz uma crítica social e propõe um momento de reflexão. “Ah, se a verba chegasse / Onde tem que chegar / Se as ideias chegassem / Onde têm que chegar / Vamos à previsão do tempo”, eles cantam enquanto questionam os atos do governo e da mídia.

A faixa seguinte, “Arriba y Avante”, tem ótimos versos, alguns cantados em espanhol, e um ambiente bem descontraído. A nona faixa do repertório, “Coisa Pouca”, foi a primeira música de trabalho do álbum. Uma excelente escolha, visto que é a melhor e mais cativante canção encontrada no “Nu”. Ela possui uma boa introdução, versos bem estruturados e uma ótima pegada hardcore. A penúltima faixa é “Bolo Cosmoman”, música cantada inteiramente em inglês e que passeia por várias influências do reggae. A faixa de encerramento, “A Vida Me Chamou”, é uma música suave, relaxante e outro destaque do álbum. Aqui, em especial, também temos a participação do tecladista Vitor Isensee nos vocais. O quarto álbum do Forfun está realmente muito bom, ele faz uma boa mistura de estilos musicais, possui ótimas letras e, de certa forma, é uma reinvenção para a banda. A sua produção também ficou muito bacana, inclinada um pouco mais para o reggae, mas mantendo as guitarras distorcidas e ritmos acelerados já conhecidos do grupo.

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Favorite Tracks: “Alforria”, “Mariá”, “Considerações”, “Coisa Pouca” e “A Vida Me Chamou”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.