Resenha: Foo Fighters – Sonic Highways

Lançamento: 10/11/2014
Gênero: Rock Alternativo, Hard Rock
Gravadora: RCA Records
Produtores: Butch Vig.

Lançado em 10 de novembro de 2014, “Sonic Highways” é o oitavo álbum de estúdio da banda Foo Fighters. No ano passado, a banda, atualmente formada por Dave Grohl, Pat Smear, Nate Mendel, Taylor Hawkins e Chris Shiflett, completou 20 anos de existência. E, para esse novo disco, eles gravaram cada canção em uma cidade diferente dos Estados Unidos (Austin, Chicago, Los Angeles, Nashville, New Orleans, Nova York, Seattle e Washington). Um trabalho conceitual que estreou em #2 lugar na parada de álbuns da Billboard, ao vender mais de 190 mil cópias na primeira semana. Para comemorar o 20º aniversário da banda, eles participaram de uma série da HBO, dirigida por Grohl, que foi ao ar um mês antes do lançamento oficial do registro. Para quem não sabe, Foo Fighters foi fundado por Dave Grohl (ex-baterista do Nirvana) em 1994 como um projeto de um homem só, logo após a morte de Kurt Cobain e da dissolução resultante do Nirvana.

Ao longo da carreira, quatro de seus álbuns ganharam o prêmio de “Melhor Álbum de Rock” no Grammy Awards e, no total, eles já venderam cerca de 12 milhões de discos apenas em território norte-americano. “Sonic Highways” foi todo produzido por Butch Vig, o notoriamente pesado produtor que trabalhou pela primeira vez com Grohl há 20 anos, no disco “Nevermind”. Um material que tenta refletir os estilos musicais, influências e inspirações de cada cidade onde foi gravado. “Este é um mapa musical da América”, disse Dave Grohl. A tarefa que o próprio grupo estabeleceu para si mesmo foi difícil, mas o Foo Fighters sabia das armadilhas em potencial. Cada canção do repertório se destaca isoladamente e, ainda assim, fazem muito como um todo. É realmente um trabalho coeso, focado e o mais ambicioso projeto da banda até o momento. Também possui um conceito muito interessante, pois está ligado ao fato de encontrar novos caminhos para o som do grupo.

Foo Fighters

No programa de TV, Grohl visita as oito cidades e explora a história musical e patrimônio cultural de cada uma. “Sonic Highways” é baseado em torno deste conceito e é, inegavelmente, uma ideia muito legal. Não é uma grande evolução sonora para a banda, mas é um trabalho sólido, com guitarras ousadas e refrões a plenos pulmões. Foo Fighters esperou até o último dia de viagem de cada cidade para escrever as letras das canções. Dessa forma, puderam ter a oportunidade de absorver todas as influências culturais de cada uma. A faixa de abertura, apropriadamente intitulada “Something From Nothing”, foi o primeiro single do álbum e gravada em Chicago. Nessa faixa, os elementos de rock pesado, que tornaram-se uma assinatura do Foo Fighters, permanecem consistentes. Podemos classifica-lo como um single nos moldes de “Best of You” e “The Pretender”. Uma canção que acelera até chegar em um vocal nervoso de Dave Grohl (“F**k it all, I came from nothing”) e riffs de guitarra em alta potência.

“The Feast and The Famine” tentou incorporar a cena hardcore e punk de Washington, mas não é tão boa como a primeira canção. Soa como um retrocesso, que poderia até se encaixar em trabalhos anteriores. Por outro lado, a terceira faixa, “Congregation”, é o maior destaque do encontrado no álbum. É uma música cativante que abraça um rock contemporâneo maravilhoso. Por ter sido gravada em Nashville, é uma canção que acena para o country e possui uma referência gospel no título. Além de transmitir uma energia intensa, é a faixa que possui os versos mais melódicos do registro. A cativante “What Did I Do? / God As My Witness”, gravada em Austin, faz uso de uma grande convidado, o maestro da guitarra elétrica Gary Clark, Jr. Aqui, ele contribuiu com um solo de guitarra incendiante. “Outside” foi gravada em Los Angeles, Califórnia, e apresenta o guitarrista do Eagles, Joe Walsh. É uma música promissora que soa fresca e utiliza uma fórmula bastante eficaz.

Foo Fighters

É provavelmente um dos momentos mais tridimensionais do álbum, graças ao nível elevado pelas guitarras de Walsh. A banda Preservation Hall Jazz Band juntou-se ao Foo Fighters em “In the Clear”, faixa gravada em New Orleans. Além das buzinas do Preservation Hall Jazz Banda, também temos as guitarras e o típico refrão excitante. “There are times I feel like giving in / There are times I begin to begin again”, Grohl declara aqui. Embora não seja necessariamente ruim, a faixa seguinte é provavelmente a mais fraca do repertório. “Subterranean” foi gravada em Seattle e conta com a presença de Ben Gibbard, do Death Cab for Cutie, nos vocais. É um número mais lento, acústico e que fala sobre os pontos mais baixos da vida de Dave Grohl. “I Am a River”, gravada em Nova York, é um número com mais de 7 minutos de duração, que fecha o registro tão forte quanto começou. Nessa pista, os vocais de Dave ficaram incrivelmente emocionais sob uma bela orquestra.

O único problema foi o seu excesso de repetição do título durante a maior parte do tempo. O “Sonic Highways” é realmente um ótimo projeto, pois é dinâmico, estratégico e possui um conceito bacana. No geral, as músicas são cuidadosamente trabalhadas, com versos simples em perfeita harmonia e arranjos bem elaborados. Tudo foi produzido de forma a capturar um som mais orgânico e homenagear diferentes cidades dos Estados Unidos. “Sonic Highways” pode não ser o melhor trabalho da banda, mas exige respeito por causa de suas colaborações impressionantes e a conceituação na criação e produção. Não abre novos caminhos para o grupo, entretanto, capta e transmite alegria, entusiamo e empolga do começo ao fim. Dave Grohl e companhia comemoraram o 20º aniversário da banda indo de costa a costa nos Estados Unidos e provaram com êxito que atualmente são um dos maiores atos do rock alternativo.

Favorites Tracks: “Something From Nothing”, “Congregation”, “What Did I Do? / God As My Witness”, “Outside” e “In the Clear”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.