Resenha: Foo Fighters – Concrete and Gold

Lançamento: 15/09/2017
Gênero: Hard Rock, Rock Progressivo
Gravadora: RCA Records / Roswell
Produtor: Greg Kurstin.

Como uma das bandas mais consistentes, Foo Fighters provou nos últimos 22 anos que a longevidade é a sua maior força. Ao lado de Kurt Cobain e Krist Novoselic, Dave Grohl formou o Nirvana, uma banda que iniciou uma revolução musical e mudou o rock para sempre. Como todos sabem, infelizmente Kurt Cobain cometeu suicídio em 1994 e acabou com a história do Nirvana. Consequentemente, Dave Grohl resolveu fundar uma nova banda em Seattle, Washington, no mesmo ano. Mais de duas décadas depois, isto nos leva para o nono álbum de estúdio do Foo Fighters, intitulado “Concrete and Gold”. Tomando uma abordagem mais básica para a escrita, ao contrário do “Wasting Light” (2011) e “Sonic Highways” (2014), este registro possui uma sensação muito mais viva. Produzido por Greg Kurstin (Adele, Lily Allen, Sia, Kelly Clarkson, P!nk), “Concrete and Gold” soa energizado, turbulento e ainda oferece o som de assinatura do Foo Fighters. Inicialmente, Grohl passou um tempo escrevendo sozinho antes de se encontrar com o resto do grupo e o produtor Greg Kurstin. Juntamente com Nate Mendel, Pat Smear, Taylor Hawkins, Chris Shiflett e Rami Jaffee, ele continua provando que o Foo Fighters é uma das bandas mais fortes e confiáveis do século XXI. Como já mencionado, em vez de trabalhar novamente com Butch Vig, a banda optou por lidar pela primeira vez com Greg Kurstin.

Ele acrescentou um pouco de brilho ao som da banda, sem temperar os riffs e gritos pesados de Dave Grohl. Podemos notar que Kurstin deu maior atenção às harmonias vocais e arranjos instrumentais, mas sempre fortalecendo os grandes refrões, sulcos corajosos, guitarras vigorosas e vocais apaixonados do grupo. Não há como negar que o grande destaque do disco é o seu poderoso som. Kurstin conseguiu trazer uma nova ressonância ao Foo Fighters, principalmente por causa dos arranjos e incríveis harmonias. Cada faixa foi enriquecida pela criatividade de Kurstin, enquanto o equilíbrio entre os arranjos e vocais ficou espetacular. A primeira faixa, “T-Shirt”, com pouco mais de 1 minuto de duração, começa incrivelmente silenciosa, porém, depois fornece fabulosas guitarras e belos tons orgânicos. O primeiro single, “Run”, é uma canção de hard-rock estridente com uma forte guitarra rítmica e riffs repetitivos de Pat Smear. Um diferencial do “Concrete and Gold” são seus convidados especiais. Para a faixa “Make It Right”, por exemplo, o Foo Fighters trouxe, inesperadamente, a presença de Justin Timberlake. Além dos vocais de fundo de Timberlake, esta canção contém excelentes guitarras melódicas, grandes tambores e explosivos gritos de Dave Grohl. O outro músico convidado é ninguém menos do que Paul McCartney.

Entretanto, em vez de cantar, o ex-Beatle toca bateria na faixa “Sunday Rain”. Além da presença de McCartney e influência dos Beatles, “Sunday Rain” apresenta a voz do baterista Taylor Hawkins. Certamente, é uma excelente oportunidade para ele demonstrar os seus talentos vocais. O rock-alternativo “The Sky Is a Neighborhood”, lançado como segundo single do álbum, é apoiado por fortes riffs e algumas harmonias angelicais. Nos versos, Grohl parece que está cantando longe do microfone, no entanto, quando chega no refrão, ele consegue elevar as coisas. No álbum também existem faixas mais suaves que provocam uma mudança de ritmo necessária como, por exemplo, “Dirty Water” e “Happy Ever After (Zero Hour)”. Enquanto a última agarra-se num formato de rock familiar e confiável, “Dirty Water” contém boas melodias vocais e letras sobre curar-se com “água suja”. “Porque sou um desastre natural / Água suja no meu sangue”, Grohl canta no refrão. Em “Arrows”, os teclados de Rami Jaffee adicionam um toque oitentista, enquanto a guitarra aparece em camadas. Isto acaba permitindo uma audição mais enriquecedora. “The Line”, faixa lançada como single promocional, é ruidosa, melódica e de alta energia. Segundo Grohl, o título refere-se a “uma busca de esperança neste dia e idade, onde você sente como se estivesse lutando por sua vida com cada momento que passa e tudo está em linha”

Além das guitarras formidáveis e ótimos tambores, Greg Kurstin adicionou um baixo sintetizado e toques de vibrafone na sua composição. A faixa-título, “Concrete and Gold”, fornece outra mudança de som bem-vinda ao repertório. Resumidamente, é uma canção lenta com guitarras estilo Neil Young, um rastreio inspirado em David Bowie e um refrão que nos lembra, discretamente, a banda Pink Floyd. Embora Dave Grohl tenha sugerido que este álbum seria influenciado pelo atual clima político americano, em nenhum momento eles fazem referências diretas e abertas. As letras do Foo Fighters nunca foram completamente literais, consequentemente, aqui não foi uma exceção. “Concrete and Gold” contém influências peculiares dos Beatles, Pink Floyd e Eagles, mas sem demonstrar qualquer sinal de desaceleração. A banda continua criando ótimos álbuns, por isso não é à toa que é considerada uma das melhores da atualidade. Apesar de não ser excelente, “Concrete and Gold” é o melhor disco do Foo Fighters desde “Wasting Light”. É um material extremamente consistente sonicamente falando, além de ser um retorno às raízes sujas da banda. Em outras palavras, Foo Fighters conseguiu mostrar, mais uma vez, todo o seu potencial.

Favorite Tracks: “Dirty Water”, “Sunday Rain” e “The Line”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.