Resenha: Florida Georgia Line – Dig Your Roots

Lançamento: 26/08/2016
Gênero: Country Pop, Bro-Country, R&B
Gravadora: Big Machine
Produtor: Joey Moi.

Ao lançar o seu terceiro álbum de estúdio, “Dig Your Roots”, o duo Florida Georgia Line prometeu um som mais maduro. Durante um evento em Nashville, Brian Kelley e Tyler Hubbard falaram dessa maturidade e explicaram porque sua música evoluiu. “Muita coisa mudou para nós ao longo dos últimos cinco anos”, disse Hubbard. “Nós crescemos muito. Nós tentamos ser muito transparentes na nossa música, e acho que nossa música evoluiu rapidamente. Eu acho que é importante continuar a fazer isso e ser real com os nossos fãs. Não apenas tentar gravar músicas, mas ver se elas têm alguma profundidade para eles. Se certificar de que elas têm um propósito, e cada música pode ter a sua própria vida”, finalizou. O repertório do álbum, com um total de 15 faixas, inclui participações de Ziggy Marley, Tim McGraw e os Backstreet Boys. Além disso, pela primeira vez, Kelley teve a oportunidade de tomar a liderança em algumas músicas.

Amor, fé e família são os temas mais recorrentes do álbum, enquanto o duo sugere algum crescimento artístico. Nada no “Dig Your Roots” traz alguma inovação para a música country. E, mesmo com os sinais de maturidade, é um álbum muito comercial e pretensioso. Mas, nessa tentativa de ser levado mais a sério, Florida Georgia Line finalmente tentou algumas coisas novas. O hit “Dirt” permanece sendo um divisor de águas para a dupla, cujo sucesso foi alcançado com o smash-hit “Cruise”. Ao explorar temas mais profundos, Kelley e Hubbard abriram novas possibilidades para o seu futuro artístico. É inegável que “Dirt” teve um grande impacto sobre o “Dig Your Roots”, afinal grande parte das novas canções seguem a mesma linha. A produção desse novo disco continua percorrendo algumas tendências pop atual, mas em menor escala. O álbum começa com sons de grilos, sapos e coiotes, enquanto Hubbard e Kelley cantam sobre uma garota.

A faixa de abertura é apropriadamente intitulada “Smooth”, e mostra um pouco das influências soul e R&B do duo. A bagunçada faixa-título, “Dig Your Roots”, apresenta loops de bateria e letras nostálgicas sobre suas infâncias. “Você tem que cavar suas raízes / Para o sol se pôr / Mostre algum amor de volta para sua cidade natal / Cai no amor, plante algumas sementes / Coloque alguns nomes na árvore genealógica”, eles cantam. Em seguida, Florida Georgia Line se junta a Ziggy Marley para apresentar a faixa “Life Is a Honeymoon”. Uma canção de inspiração reggae que, apesar da falta de identidade, é cativante. “H.O.L.Y.”, primeiro single do álbum, é um acrônimo para “High On Loving You”. É uma canção ambiciosamente intitulada, pois parece ser uma balada gospel contemporânea. Porém, é na verdade uma música sobre amor e sexo, que faz uma mistura desconcertante de romantismo e imagens religiosas.

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Atualmente, está surgindo uma tendência gospel dentro do cenário country, algo observado em singles recentes de Tim McGraw, Hillary Scott, Carrie Underwood e Maren Morris. Na intenção de embarcar nessa tendência, Florida Georgia Line lançou uma música com um título que evoca temas religiosos. Entretanto, não se deixe enganar, pois isso é na verdade puro marketing. Em algumas linhas, por exemplo, eles fazem grandes insinuações sexuais (“Deixe-me te deitar, você me dá / Tenho você cantando baby, aleluia / Vamos estar tocando, vamos estar tocando o céu”). Em outros momentos, o duo consegue entregar boas metáforas, enquanto falam sobre as mulheres de suas vidas. No videoclipe, eles ainda tentam adicionar um toque íntimo ao incluir suas esposas em algumas cenas. Dentro da discografia do duo, “H.O.L.Y.” pode ser considerada o seu melhor esforço desde a balada “Dirt”. Porém, não deixa de ser uma música superficial, rasa e um pouco estereotipada.

Não é um single tão profundo como eles fazem parecer. Os vocais, como em grande parte de suas canções, são muito saturados e auto sintonizados. No entanto, por outro lado, não são pontos suficientes para dizer que a música mereça uma nota negativa. Porque, mais do qualquer coisa, é uma canção contemporânea bem cativante. Não há muito para dizer sobre sua estrutura, a partir do ponto de vista sonoro. Musicalmente, é uma balada baseada no piano, guitarra acústica e uma batida relaxante. Além da melodia incisiva, também possui uma vibração soul e raízes pop. O arranjo, harmonias de fundo e o leve órgão, por sua vez, são elementos que injetam alguma emoção. Em seguida, a descontraída “Island” mostra mais de suas influências R&B e a capacidade de Kelley como vocalista. O cantor Tim McGraw os auxilia em “May We All”, uma canção bro-country com letras clichês, que incorpora algumas batidas urbanas.

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“Summerland” é uma típica música do duo, onde Tyler Hubbard canta com forte auxílio do auto-tune. Um refrão desinteressante leva boa parte da canção, sobre uma seção de pedal steel. Mais tarde, Brian Kelley assume os vocais novamente na faixa “Lifer”. Um número mais pop e um tanto quanto forçado, que tenta injetar alguma dinâmica no disco. Faixas como “Good Girl, Bad Boy” e “Wish You Were On It” possuem letras simples, instrumentais obsoletos, assinatura de tempo estranha e ritmos desarmônicos. Florida Georgia Line volta às suas raízes na faixa “God, Your Mama, and Me” com os Backstreet Boys. É uma canção country decente que apresenta guitarras e outros instrumentos básicos. Uma balada onde temos características de Nick Carter e AJ McLean sobre dois versos, enquanto todos os membros do grupo harmonizam no refrão com Hubbard e Kelley. A presença dos Backstreet Boys quebrou um pouco da monotonia das últimas faixas.

Florida Georgia Line é um duo que costuma pecar pela repetição lírica e isso fica mais nítido na balada “Music Is Healing”. “While He’s Still Around”, por outro lado, mostra um pouco de sua profundidade e criatividade para escrever. É uma bonita canção escrita após o pai de Hubbard morrer e o pai de Kelley quase falecer. A mesma foi escrita pelo duo ao lado de Chase Rice, Jesse Rice, Schmidt Wiseman e Craig Wiseman. “Então, eu vou tentar dizer que antes eu tenho que rezar / Espero que ele esteja olhando para baixo / E diga a ele que eu o amo, enquanto ele ainda está por aí”, eles cantam aqui. Sonoramente, a dupla é acompanhada por instrumentos como bandolim e pedal steel. A penúltima faixa, “Grow Old”, presta homenagem às suas esposas da mesma forma que “H.O.L.Y.” e “God, Your Mama, and Me”. É uma balada country onde eles compartilham o sonho de um jovem casal, em ter uma vida juntos à medida que envelhecem.

O registro encerra com “Heatwave”, uma canção estereotipada e desconexa com o restante do repertório. O álbum não é grande coisa e eles ainda erraram na escolha da faixa de encerramento. Florida Georgia Line tentou transformar o “Dig Your Roots” em algo muito além de sua capacidade artística. Hubbard e Kelley tentaram pintar o álbum como algo muito maior que seus discos anteriores, no entanto, eles não mostram tal nível de evolução. Eles pesaram a mão nas baladas e acabaram deixando um repertório um pouco monótomo. Além disso, os vocais, letras clichês e repetitiva instrumentação continuam sendo um peso negativo para suas canções. Não dá para negar que o conceito por trás das canções exalam uma maior ar de maturidade e profundidade. Entretanto, a dupla ainda não atingiu o nível artístico desejado e continuam decepcionando pelas músicas desconexas e chatas.

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Favorite Tracks: “H.O.L.Y.”, “God, Your Mama, And Me (feat. Backstreet Boys)” e “While He’s Still Around”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.