Resenha: Florida Georgia Line – Anything Goes

Lançamento: 14/10/2014
Gênero: Country, Pop
Gravadora: Republic Nashville
Produtores: Joey Moi.

“Anything Goes”, segundo álbum de estúdio do duo americano Florida Georgia Line, foi produzido por Joey Moi e lançado em 14 de outubro de 2014 pela gravadora Republic Nashville. O disco estreou em #1 lugar na parada de álbuns da Billboard dos Estados Unidos, ao vender 197 mil cópias na primeira semana. Desde o sucesso do seu primeiro álbum, “Here’s to the Good Times”, todos os olhos dos fãs de country estavam focados no Florida Georgia Line. Formado por Brian Kelley e Tyler Hubbard, o duo fez um enorme sucesso nos Estados Unidos com o single “Cruise”, canção que já ultrapassou a marca de 7 milhões de downloads vendidos. “Anything Goes” parece ter sido projetado para consolidar a dupla e talvez dar-lhes um pouco da credibilidade que não conseguiram no álbum de estreia. Entretanto, esse novo material, formado por 12 canções, não tem quase nada de autêntico e abusa de repetições, auto-tune e clichês líricos. A música deles está soando cada vez menos country, embora o disco de estreia também não seja um trabalho focado nas raízes do gênero.

A maioria das canções não possuem um bom equilíbrio ou uma proeminência atribuída, e a performance de Tyler, envolvida por abordagens extremamente rápidas, não é agradável de se ouvir. Como já mencionado, as letras são uma bagunça de clichês, com temas sendo reciclados várias e várias vezes. O som dos caras é dito como “bro-country”, isto é, uma mistura de country com hip hop, rock e pop, que surgiu nessa última década. A maioria das músicas “bro-country” são sobre festas, mulheres, álcool, drogas e caminhões. Ou seja, nada que tenha algum tipo de profundidade ou significado por trás. Em muitos momentos, o álbum se sente mais como um disco pop do que um verdadeiro álbum country. As músicas até possuem um efeito de campo do gênero, graças aos vocais e banjos ocasionais, no entanto, é praticamente um material pop. O registro transmite a sensação de uma equivocada tentativa de criar inúmeras hits. O duo já mostrou que estão dispostos a alterar o seu som para algo mais comercial, como o remix de “Cruise” com o rapper Nelly.

Algumas faixas são dançantes e otimistas, mas, ao tratarem isto como um material country, eles erraram o alvo. Florida Georgia Line ao lado do produtor Joey Moi, decidiu manter a mesma fórmula mágica que fez o “Here’s to the Good Times” ser popular, porém, acho que dessa vez não colou. O que falta em criatividade, versatilidade musical e profundidade, eles conseguiram compensar fazendo alguns ganchos cativantes e envolventes. Mas para por aí, pois o álbum não apresenta nada que vá mais além de uma simples música divertida. A faixa-título, “Anything Goes”, por exemplo, consegue entreter, mas não possui brilho algum e, ironicamente, é a que mais soa como uma reminiscência do seu álbum anterior. Em seguida, com elementos de reggae e alguns assobios, eles apresentam a faixa “Sun Daze”. É um pouco melhor que a música anterior e, facilmente, a mais controversa do álbum. As rádios de música country tradicionalmente conservadoras, provavelmente, não irão lidar muito bem com essa música. Pois embora tenha um bom solo de banjo, a sua letra apresenta referências à drogas e duplos sentidos vulgares.

Florida Georgia Line (1)

A terceira faixa, “Good Good”, é uma das poucas músicas cativantes do disco. Em especial, por causa de suas melodias, porque a letra é um pouco banal e escorada na repetição de palavras-chave para torná-la mais acessível. A canção mais notável no álbum, que apresenta um pequeno desvio do seu som usual, é o primeiro single “Dirt”. Esta é, provavelmente, a canção com maior carga de profundidade entre todas as músicas que o duo já gravou. Contém um gancho cativante, um assunto relacionável e mostra ao público que eles podem emocionar. Por outro lado, em “Smile”, temos uma produção fraca e tentativas irracionais de diversão. Um banjo sem graça, uma guitarra sem atrativo algum e uma bateria bem básica, fazem o trabalho de apoio. “Sippin’ On Fire”, por sua vez, é uma canção mid-tempo que surge de uma forma mais lenta se comparada aos dois primeiros singles do álbum. Os seus vocais são irritantes, processados e alterados, ao passo que a letra tenta explorar experiências relacionáveis. É uma música que começa com uma batida enlatada e um riff de guitarra elétrica, que sucede os vocais cheios de auto-tune de Tyler Hubbard.

Sonoramente, a música foge do country-rock de “Dirt” e da inspiração reggae de “Sun Daze”, para utilizar elementos pop, hip hop e R&B, e fazer uma bagunça escandalosa. As guitarras são exageradas, o nasal de Tyler está horrível e, a maior parte da música, parece perdida e desestruturada. “Mas ela sempre vai flutuar / Voltar em minha mente como fumaça”, canta Hubbard na faixa “Smoke”. Piano e vocais femininos permitem que essa música consiga algum destaque. Entretanto, após a introdução, é sonoramente muito semelhante as outras faixas do álbum. Com títulos como “Bumpin’ the Night”, oitava faixa, Florida Georgia Line está pedindo para ser alvo de críticas no meio country. Sonoramente é bacana, entretanto, sua letra não tem nada de interessante e ainda é muito estereotipada. O site Nashville Scene relatou que a palavra “girl” é mencionada 42 vezes, “baby” 15, “party” 25 e “angel” 21 vezes durante sua execução. E, mostrando tamanha carência de criatividade, a dupla nomeia uma faixa de “Angel”, mesmo repetindo essa palavra inúmeras vezes ao longo de todo o registro.

Felizmente, o refrão é agradável: “Eu tenho dado um pedaço do céu / Sim, você é meu anjo, você é meu anjo esta noite”“Confession”, por sua vez, é uma faixa mais reflexiva que as demais, que possui um refrão emocional e sonoramente satisfatório. “Like You Ain’t Even Gone” começa com uma erupção de emoções por parte de Hubbard. Está entre as mais agradáveis do registro, com o time de compositores, Tompkins, Hubbard, Kelley e Clawson, conseguindo fazer uma música que realmente exala mágoa. A última faixa, “Every Night”, é mais infundida por toques eletrônicos que, após uma dúzia de canções mais suaves, fecha o álbum cheio de energia. Bem, “Anything Goes” sente-se como um material transitório para o Florida Georgia Line. Há momentos onde os dois conseguem mostrar uma maturidade emocional e musicalidade criativa, o problema é que são raríssimos momentos. Brian Kelley e Tyler Hubbard possuem uma química legal, no entanto, eles não conseguiram progressão alguma com o “Anything Goes”. Um álbum controverso, por vezes desagradável e irritante que, embora mostre algum sinal promissor através de “Dirt”, falha pelo preguiçoso conteúdo lírico.

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Favorites Tracks: “Good Good”, “Dirt” e “Confession”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.