Resenha: Fifth Harmony – Fifth Harmony

Lançamento: 25/08/2017
Gênero: Pop, R&B
Gravadora: Epic Records / Syco Music
Produtores: Ammo, DallasK, Poo Bear, Skrillex, Tommy Brown, The Monsters and the Strangerz, The Stereotypes, Dreamlab, Ester Dean e Ian Kirkpatrick.

Aparecendo pela primeira vez na segunda temporada do X-Factor americano em 2012, o grupo Fifth Harmony já percorreu um longo caminho. Embora não tenha ganhado a competição, o grupo assinou com a gravadora de Simon Cowell. No final do ano passado, Camila Cabello deixou o grupo inesperadamente. As garotas restantes, Ally Brooke, Normani Kordei, Dinah Jane e Lauren Jaregui, continuaram e prometeram lançar novas músicas. O primeiro single após a saída de Camila Cabello foi “Down”, canção que soa como uma irmã do seu maior sucesso, “Work from Home”. Da mesma forma, o seu novo álbum, auto-intitulado “Fifth Harmony”, continua com o mesmo som que o grupo estabeleceu em seus dois primeiros lançamentos. Dito isto, o álbum permanece em um território inteiramente familiar, compartilhando a mesma produção e mostrando o grupo cantando as mesmas coisas. Em alguns momentos, a superprodução causa uma certa confusão e torna as vozes das garotas estranhas por causa da auto-sintonização. As letras são demasiadamente repetitivas, com cada música tocando nos mesmos temas do passado. Entre as dez faixas, “Down” é a mais radiofônica, já que é suficientemente cativante. Entretanto, peca pela falta de originalidade, pois, como mencionado, é muito parecida com “Work from Home”. Uma música com sintetizadores tropical, fortes percussões e tons de dancehall. Liricamente, fala sobre adversidades, porém, a repetição do título no refrão simplesmente não chega a lugar nenhum.

Fifth Harmony é bem sucedida quando lança faixas repetitivas e cativantes como “Worth It” e “Work from Home”, por isso quiseram usar a mesma fórmula em “Down”. Ademais, o rap de Gucci Mane mata completamente a vibe da música. No geral, em termos de som, o álbum fornece especialmente um som pop e R&B, além de flertar com elementos tropicais, dancehall, reggae, trap e hip-hop. Em meio a músicas up-tempo e baladas, as garotas falam principalmente sobre o amor, desgostos e emponderamento feminino. O segundo single, “He Like That”, exibe influências de reggae, elementos de R&B e hip-hop, e interpolação com “Pumps and a Bump” de Hammer. Conduzida por guitarras elétricas, percussão e baixo, foi escrita a partir da perspectiva feminina que elogia uma figura masculina. A terceira faixa, “Sauced Up”, é uma canção de R&B e synthpop melódica sobre curtir a vida noturna. Faz uso de um baixo pesado, sintetizadores e batidas influenciadas pelo trap. A próxima faixa, “Make You Mad“, é liricamente mais sexual e apresenta batidas cintilantes, vocais sedutores, elementos caribenhos, tambores e algumas linhas de sintetizador. Enquanto isso, “Deliver” mostra as garotas sobre ritmos crocantes de R&B dos anos 90 e natureza vibrante. A atmosfera soulful é reforçada por uma linha de piano, inflexões gospel e boas harmonias. Parecida com “Make You Mad”, a faixa “Lonely Night” também apresenta tons caribenhos e um sabor reggae.

Em contrapartida, “Don’t Say You Love Me” é uma balada vulnerável e minimalista que mostra mais dos vocais do grupo. Esta canção é, provavelmente, a melhor vitrine para os seus vocais, visto que é melancolicamente apoiada por uma guitarra acústica. O trap-pop “Angel”, lançado como single promocional e produzido por Skrillex e Poo Bear, fornece fortes elementos de hip-hop, linhas de baixo, boa dose de bateria, sintetizadores e vocais distorcidos. É uma canção incrivelmente cativante e liricamente mais madura, que fala sobre estar num relacionamento com um parceiro inconveniente. Também vale a pena mencionar “Messy”, uma balada com vocais calmantes, letras vulneráveis e tons de R&B. Sonoramente, possui uma vibe semelhante a canção “Stickwitu” do grupo The Pussycat Dolls. A última faixa, “Bridges”, é liricamente convincente, uma vez que possui boas referências. Alguns versos podem ser uma reação à saída de Camila Cabello do grupo: “Nós construímos pontes / Oh, nós construímos pontes / Não, não iremos separar”. Enquanto o final do refrão parece ser uma referência a política de imigração de Donald Trump: “Então, nós construímos pontes / Pontes, não muros”. Com dez faixas e menos de quarenta minutos, “Fifth Harmony” não mostra qualquer crescimento. Pelo contrário, é um registro apagado, apressado e obsoleto. Em suma, não é um álbum que gera interesse suficiente para ouvir repetidas vezes.

Favorite Tracks: “Down (feat. Gucci Mane)”, “Don’t Say You Love Me” e “Angel”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.