Resenha: Fifth Harmony – 7/27

Lançamento: 27/05/2016
Gênero: Pop, EDM, R&B
Gravadora: Epic Records / Syco Music
Produtores: Aaron Pearce, Alex Purple, Antonoff, Ammo, Brian Garcia, BloodPop, Tommy Brown, Dallas K, Kygo, Lukas Loules, The Monsters and the Strangerz, Royal Z, Sir Nola e Stargate.

Já se passaram quatro anos, desde que o Fifth Harmony, composto por Camila Cabello, Normani Kordei, Dinah Jane, Lauren Jauregui e Ally Brooke, surgiu no The X-Factor americano. Seu primeiro álbum de estúdio, “Reflection”, mostrou o talento das cinco garotas e esculpiu um lugar para elas nas paradas da Billboard. Antes do Fifth Harmony em 2016, a última girlband a conseguir um top 5 na Billboard Hot 100 foi as Pussycat Dolls em 2006. Ou seja, isso aconteceu a dez anos atrás, um tempo bastante considerável. Enquanto grupos como Girls Aloud, The Saturdays, Sugababes, Little Mix, 2NE1 e Girls’ Generation estavam conseguindo seu espaço na indústria, grupos femininos americanos têm sido bem escassos. Mas, em 2012, Fifth Harmony surgiu e pôs fim a essa seca americana. Nos Estados Unidos, elas realmente se destacam porque, como um grupo de garotas, atualmente estão sozinhas.

Dada a sua origem, tecnicamente fabricada, em um reality show, é notável o quanto Fifth Harmony conseguiu ser bem sucedido. O seu triunfo é por mérito próprio, visto que elas são vocalistas talentosas e sequer ganharam a competição em 2012. Em 27 de maio de 2016, o quinteto lançou o seu segundo álbum de estúdio pela Epic Records e Syco Music. O título, “7/27”, foi nomeado em homenagem ao dia que o grupo foi formado no The X-Factor. Apesar da homenagem às suas raízes, as garotas abandonaram um pouco o seu estilo musical e temas líricos que as tornaram tão sedutoras no “Reflection”. Infelizmente, “7/27” não é instantaneamente cativante como o primeiro disco, embora tenha um som melhor produzido. “Reflection” é surpreendentemente divertido e contagiante, mas o segundo registro não segue essa tendência. No “7/27” as garotas rejeitaram a energia jovial e pegajosa do “Reflection”, a fim de entregar faixas projetadas para nos convencer o quanto elas amadureceram.

Enquanto um crescimento é bem-vindo, algumas mudanças fizeram elas perderem um pouco de sua autenticidade. Entre os pontos positivos, podemos destacar a maior confiança e coesão do álbum. Além disso, ao contrário do “Reflection”, as garotas estão envolvidas liricamente no “7/27”. Entre as colaborações, temos alguns nomes bem conhecidos como Ty Dolla $ign, Missy Elliott e Fetty Wap. A buzina estridente em “That’s My Girl” é, certamente, uma maneira empolgante para começar o álbum. É uma música poderosa, explosiva e confiante, que encoraja as mulheres a apoiarem umas a outras. Elas realmente mostram o quanto se preocupam com o empoderamento feminino. Aqui, elas abrangem boa parte dos temas apresentados no último álbum, como confiança, independência e amor próprio. Apesar do refrão ser repetitivo, a produção é bem infecciosa, principalmente por causa da boa batida e saxofone.

Quando Fifth Harmony lançou o eletropop “Work from Home”, o seu maior hit até então, não foi algo que eu honestamente estava esperando delas. Mas, depois de algumas escutas, eu acabei curtindo sua natureza grudenta. Essa canção não te cativa imediatamente, mas a produção geral é muito pegajosa. Não é uma pista excessivamente cativante como “Worth It”, por exemplo. Ela possui uma batida borbulhante e um refrão extremamente repetitivo, enquanto caracteriza o rapper Ty Dolla $ign. Também possui um título e gancho inevitavelmente semelhantes ao do recente hit da Rihanna. O refrão de ambas canções são, literalmente, levados pela palavra “work”. Em entrevista à revista Billboard, as meninas disseram que foi preciso alterar o título, inicialmente intitulado apenas “Work”, para evitar confusão com a música da Rihanna. A batida de “Work from Home” é bastante genérica, com uma pulsante linha de baixo e acordes de sintetizador.

Fifth Harmony

Contém alguns efeitos interessantes durante os versos, apesar de ser pouco distinto. A melodia e os vocais são eficientes, e a letra fala sobre o anseio por alguém, enquanto estão trabalhando. “Deixe meu corpo fazer todo o trabalho, trabalho, trabalho / Trabalho, trabalho, trabalho, trabalho, trabalho / Podemos trabalhar de casa”, elas cantam no refrão. Liricamente, a canção é bastante sexual e um pouco estereotipada. Surpreendentemente, foi preciso seis escritores para aperfeiçoar o repetitivo refrão. Apesar de ficar na cabeça, o refrão não soa tão interessante, principalmente pelo instrumental ser tão monótomo e plano. Quando Ty Dolla $ign assume a liderança, ele adiciona algum rap sobre desejar uma garota. Por qualquer meio, Camila Cabello é a voz com maior ênfase durante boa parte da música. “Work from Home” é uma canção pop padrão, pouco surpreendente, mas, muito audível e viciante.

“The Life”, outra faixa co-escrita por Tinashe, é um EDM que mostra a incrível química vocal das garotas. Igualmente repetitiva à “That’s My Girl” e “Work from Home”, a canção carece de autenticidade, porém, mostra algum tipo de progressão. Elas assumem uma atitude mais madura, à medida que seus fluxos traduzem a arrogância de assinatura do grupo. Enquanto “Work from Home” é sexualmente carregada, “The Life” traz suas raízes bubblegum de volta, com letras inofensivas sobre a vida de estrelas pop. “Sem estresse, querido, você pode nos achar / Relaxando em uma praia no Dubai / Na borda da piscina, bebendo um Mai Tai / Dobre a dose, faça de novo em minha mente”, elas cantam no pré-refrão. É tudo completamente inofensivo, se comparado aos duplos sentidos de “Work from Home”. Assim como a maioria dos singles do Fifth Harmony, Camila Cabello ganha maior destaque no pré-refrão e refrão.

Seu tom realmente funciona em cima de sintetizadores e linha de baixo em expansão. As contribuições de Stargate e Kygo aparecem em “Write On Me”, quarta faixa do repertório. Lançada como single promocional, é uma canção de tropical house que pinta um retrato de amor e vulnerabilidade. É, sem dúvida, um dos melhores produtos em termos líricos do grupo. É uma balada downtempo, que realmente dá às garotas a chance de brilhar vocalmente. Stargate que, além de produzir, também co-escreveu a música, deixou sua marca de grandeza. Além de ser uma das poucas canções onde todas cantam, ela possui uma bela instrumentação guiada por guitarra acústica, sintetizador, teclado e percussão adicional. Semelhante à “Sledgehammer”, do seu primeiro álbum, “Write On Me” possui letras divertidas, vocais poderosos e um refrão cativante. O verso de abertura de Lauren durante “I Lied”, define o tom para o restante da música.

“Eu disse que te amo, mas eu menti”, elas admitem neste número. A produção concentra-se no EDM da equipe The Monsters and the Strangerz. Os sintetizadores agudos, a bateria de estilo tropical e efeitos eletrônicos são sobrepostos, a fim de proporcionar algo fresco e moderno. É um espetáculo eletrônico um pouco genérico, embora apresente um refrão enlouquecedor. As letras não são ruins, porém, também não possuem nada de especial. A composição geral da música, por alguns momentos, nos lembra algo que Skrillex faria, devido ao ritmo e drops na batida. O rapper Fetty Wap é o convidado do Fifth Harmony durante a faixa “All in My Head (Flex)”. A canção contém amostras de “Flex” do DJ jamaicano Mad Cobra e elementos de “Just My Imagination” do grupo The Temptations. Lançada como segundo single do álbum, é uma divertida música de inspiração reggae.

Fifth Harmony

Normani e Dinah comandam o refrão, enquanto alguns grunhidos de Fetty Wap são polvilhados na mistura. Stargate produziu a faixa ao lado de Benny Blanco e Sir Nolan, fornecendo uma guitarra reggae reluzente e alguns sintetizadores pulsantes. O verso liso de Fetty Wap adiciona um pouco de magia à pista, apesar de não conter nada de especial. A próxima faixa, “Squeeze”, é muito mais doce e suave em comparação com grande parte do repertório. Aqui, os vocais estão no ponto e a batida é muito agradável. É muito bom quando uma música possui elementos que se encaixam, como “Squeeze”. Um número dance, com letras sentimentais e produção edificante, que retrata uma mensagem bastante calorosa. “Ponha seus braços ao me redor, amor, e aperte / Só você sabe como me salvar”, elas cantam sob cintilantes sintetizadores.

Dinah lidera o refrão e demonstra o quanto sua voz pode ser dinâmica. Em seguida, as coisas ficam ainda mais íntimas e pessoais, diante da faixa “Gonna Get Better”. Uma canção que nos dá um sabor R&B, do qual sempre podemos esperar do Fifth Harmony. Os versos são bem substanciais, conforme a música flui sem maiores problemas. Aparentemente, é uma mudança de ritmo bem-vinda neste ponto do álbum. Apoiada por uma guitarra acústica, Ally introduz a canção, cantando: “Eu não vou te deixar agora / Oh, eu sei que isso vai melhorar”. É, basicamente, uma canção sobre o quanto relacionamentos podem ser complicados. É bom ouvir um número mais honesto e maduro como esse. No geral, é uma bela música, com solos muito bem tecidos uns com os outros. “Costumava ser destemida / Porque estou com medo da felicidade?”, elas se perguntam na faixa “Scared of Happy”.

Sobre sintetizadores nervosos, ouvimos as garotas demonstrando problemas de auto-confiança. É inesperadamente desenvolvida a cerca do medo de aceitar a felicidade, que está sentindo dentro de um novo relacionamento. Mas, apesar da incerteza na letra, a canção é um pop bem vibrante com uma ligeira sensação dancehall. O conteúdo relacionável é emparelhado com um ritmo empolgante, batidas infecciosas, teclado e sintetizadores pesados. Os versos são, definitivamente, mais interessantes que o próprio refrão. “Not That Kinda Girl”, última faixa da versão padrão do álbum, possui um certo potencial e dispõe da rapper Missy Elliott. A faixa apresenta letras explícitas e uma mudança de som bem-vinda para o disco. Sonoramente, tem uma influência old-school e oitentista, a partir do uso de poderosas batidas em camadas e sintetizadores minimalistas. Assim como as três primeiras faixas do registro, é bem rasa, otimista e up-tempo.

Naturalmente, o verso de Missy Elliott é incrível e um ótimo acabamento. Apesar de demonstrar confiança e bom equilíbrio entre as faixas, o “7/27” sofre de uma identidade clara. O forte estilo das primeiras faixas não são mantidos conforme o álbum progride. Muitas vezes, a mistura de diferentes gêneros diluem a identidade do grupo, em vez de expandir seus horizontes. Embora seja coeso, o repertório é instável e fraco liricamente. Temos alguns hits prontos e canções que mostram um lado mais profundo e emocional. Entretanto, Fifth Harmony ainda tem muito o que crescer e amadurecer. Elas criaram um disco sólido? Sim, com uma equipe repleta de bons produtores em seu arsenal, isso acabou se tornando possível. Felizmente, as garotas são vocalmente talentosas e possuem um bom senso de confiança. “7/27” é um bom álbum pop, mas eu, particularmente, acho o “Reflection” muito mais atrativo.

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Favorite Tracks: “That’s My Girl”, “Work from Home (feat. Ty Dolla $ign)”, “The Life”, “Write On Me” e “All In My Head (Flex) [feat. Fetty Wap]”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.