Resenha: Fever Ray – Plunge

Lançamento: 27/10/2017
Gênero: Eletrônica, Ambiente, Trip-Hop, Experimental
Gravadora: Rabid Records / Mute Records
Produtores: Karin Dreijer, Johannes Berglund, Peder Mannerfelt, Paula Temple, Tami T, Nídia e Deena Abdelwahed.

Karin Elisabeth Dreijer é uma cantora sueca que fazia parte da dupla eletrônica The Knife, juntamente com o seu irmão Olof Dreijer. Em 2009, ela lançou o seu primeiro álbum solo sob a alcunha Fever Ray. O estilo vocal de Dreijer é notável e misterioso, enquanto visualmente ela emprega o uso de máscaras, pinturas de rosto e trajes teatrais. Oito anos após divulgar o seu disco de estreia, Fever Ray lançou o seu segundo álbum solo, intitulado “Plunge”. O auto-intitulado álbum foi aclamado por suas batidas minimalistas e atmosfera intricada. Nos anos seguintes, Dreijer e seu irmão, Olof, gravaram mais dois álbuns com a banda The Knife, antes de anunciar o fim do grupo em 2014. Apesar do fim da banda, o novo álbum de Dreijer possui os mesmos ritmos e letras memoráveis ​​da dupla. Oito anos é muito tempo, mas no caso do novo projeto solo de Fever Ray, a espera valeu a pena. Enraizada no mesmo som experimental do duo, “Plunge” é um álbum que explora o lado mais sombrio da música eletrônica. Construído a partir de sons eletrônicos hipnóticos, o registro ainda apresenta batidas tribais, percussões agressivas e sons ambientes. As texturas sonoras em camadas, muitas vezes, entram em contraste com as melodias criativas e linhas de sintetizador. Sempre que se concentra na política, sexo e condição humana, suas letras tornam-se enigmáticas e profundas. Não dá para negar que o seu lirismo possui um tom sexual.

Mas ao invés de fazer insinuações seguras, Dreijer é franca e refrescantemente explícita. Embora “Plunge” seja um LP cativante, deve ser ouvido várias vezes para se conseguir absorver completamente a sua natureza diversificada e cinematográfica. É um álbum muito original que consegue ser igualmente melódico, íntimo e relaxante. A primeira faixa, “Wanna Sip”, mergulha imediatamente num mundo feito por batidas energéticas e ganchos memoráveis. Aqui, Dreijer proclama: “Eu quero te amar, mas você não está facilitando”. Intensa e sufocante, é uma canção que apresenta sintetizadores ameaçadores e som maciço. A excelente “Mustn’t Hurry” possui um sulco tribal, notas de sintetizador e tons agressivos que trazem mais peso para a sua estrutura geral. “A Part of Us”, por sua vez, é escura, digital, peculiar, bizarra e possui um maior impulso EDM. Embora seja sonicamente expansiva e estimulante, ela nunca parece justificar a sua falta de variedade. Lenta e rastejante, “Falling” fornece uma bateria metódica e melodias mais pulsantes. Aqui, os vocais têm uma qualidade muito mais artística. A quinta faixa, “IDK About You”, é um golpe eletrônico que empurra os limites de Fever Ray. Ao chegar na ponte, ela fornece uma onda de tambores tingidos de sons africanos que tornam o clímax mais envolvente. Criticando a política em torno do amor, “This Country” é uma canção assustadora que protesta contra determinadas ideias.

Além disso, possui um tom humorístico e sarcástico, principalmente quando Fever Ray canta: “Este país dificulta a foda”. Nesta canção, podemos perceber o quanto Karin Dreijer é direta em seu conteúdo lírico. Em seguida, “Plunge” surge com um som mais dinâmico e instrumental, composto por agudos sintetizadores e interessantes melodias. Mas a peça central do álbum é o primeiro single, “To the Moon and Back”. “Ei, lembra de mim? / Eu estive ocupada trabalhando feito louca”, ela canta na primeira linha. Uma canção synthpop e eletropop que pisa nas fronteiras do funk, e fornece vocais espetacularmente eufóricos. É uma verdadeira celebração da vida, com letras explícitas como: “Seus lábios, quentes e peludos / Eu quero socar meus dedos na sua buceta”. Com toques ásperos e arranjos de cordas sombrios, “Red Trails” prova ser outra excelente fatia deste álbum. À medida que o movimento da guitarra é encantador, escuro e agressivo, o tema da música é aterrorizante. Posteriormente, linhas de sintetizador se deslocam para cima e para baixo durante a faixa “An Itch”. Enquanto isso, “Mama’s Hand” encerra o registro com um balanço constante, humor reflexivo e batidas intrinsecamente divertidas. Karin Dreijer é extremamente habilidosa, criativa e talentosa. Enquanto o seu canto pode variar entre o vulnerável, primitivo, sarcástico e eufórico, sua música parece se tornar cada vez mais interessante.

Favorite Tracks: “Mustn’t Hurry”, “IDK About You” e “To the Moon and Back”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.