Resenha: Fernanda Takai – Na Medida do Impossível

Lançamento: 18/03/2014
Gênero: MPB
Gravadora: Deckdisc
Produtores: John Ulhoa.

“Na Medida do Impossível” é o terceiro álbum de estúdio solo da amapaense Fernanda Takai. Foi produzido por John Ulhoa e lançado através da gravadora Deckdisc. É composto por 13 faixas, entre elas músicas inéditas, regravações e algumas parcerias. É seu o primeiro trabalho com composições próprias, entre elas faixas escritas com Pitty, Marina Lima, Climério Ferreira e Marcelo Bonfá. Entre as colaborações vocais temos a presença de Zelia Duncan, Samuel Rosa e o Padre Fábio de Melo. A cantora trabalhou na criação do álbum no decorrer de 2013 e o lançou oficialmente no iTunes em 18 de março de 2014. Fernanda Takai fez muito sucesso como vocalista da banda Pato Fu e, em carreira solo, também vem conseguindo uma boa repercussão comercial.

Em 2012, inclusive, chegou a gravar um disco em parceria com Andy Summers, ex-guitarrista da banda The Police. Fernanda é casada com o seu companheiro de banda, John Ulhoa, desde 1995. Os dois são bastante reservados quanto sua vida pessoal, mas ambos trabalharam juntos na produção do disco. O vocal de Takai continua doce e delicado como sempre foi, no entanto, em alguns momentos faltou um pouco de sinceridade e diversidade no seu repertório. Alguns detalhes da sonoridade do Pato Fu estão presentes, mas, no geral, o álbum é muito monótomo e com pouca inspiração. Certamente, quem já está acostumado com os outros trabalhos da cantora irá se agradar, entretanto, quem está esperando algo de novo, pode se decepcionar.

A primeira faixa, “Doce Companhia”, é uma canção, como já esperado, bem tranquila e performado apenas com apoio do violão. O refrão traz um som acessível, açucarado e com uma melodia bem suave. A sua letra é alegre, romântica e consegue transparecer que a cantora está em um momento feliz de sua vida. “Como Dizia o Mestre”, segunda faixa do repertório, traz uma mensagem mais criteriosa: “É, acaba a valentia de um homem quando a mulher que ele ama vai embora”. Essa é deliciosa e até mais agradável que a canção anterior. Sua letra, aparentemente, detalha e aponta algumas duras verdades sobre os homens. A terceira faixa, “De um Jeito ou de Outro”, foi lançada originalmente por Marcelo Bonfá em 2000, no disco “O Barco Além Do Sol”. Possui um ritmo mais rápido e uma pegada mais pop, o que dá uma boa balanceada no início do álbum.

Fernanda Takai

Com uma postura introspectiva, temos um cover da faixa “A Pobreza (Paixão Proibida)” de Renato Barros. Felizmente, Takai manteve sua interpretação fiel à versão original. Entretanto, não podemos negar que essa faixa é bastante dominada pelos clichês da música brega. A quinta faixa, “Seu Tipo”, escrita em parceria com a cantora Pitty, é uma das canções mais agradáveis, enquanto “You and Me and the Bright Blue Sky”, com letras em inglês de Charles Di Pinto, mantém a leveza do disco com o seu espírito folk. “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme”, conhecida na voz de Reginaldo Rossi, é um dos destaques do álbum e foi performada em dueto com a cantora e compositora Zélia Duncan. Possui uma citação instrumental de “La Vie en Rose” de 1945 e uma ótima interação vocal entre Takai e Duncan. Ambas cantam de forma bem espontânea e conseguem encantar.

“Quase Desatento” é uma baladinha melancólica com escritas adicionais de Marina Lima, que manteve a simplicidade do material. A ingênua “Amar Como Jesus Amou” fez sucesso na voz do padre Zezinho há 40 anos e, agora, Fernanda a interpreta ao lado do Padre Fábio de Melo. Na sua nova releitura, feita pelo produtor japonês Toshiyuki Yasuda, a canção veio com alguns efeitos eletrônicos que lembra trilha sonora de jogos de videogame. “Liz” (Robson e César de Merces de 1971), por sua vez, possui um piano, uma melodia tranquila e uma letra poética. Tudo isso colaborou para a criação de uma música bem romântica e dramática. A melancólica “Partida”, uma balada inédita, possui uma boa letra e um tom solitário por parte de Takai.  “Escute um coração que não quer mais sofrer”, ela canta aqui.

A faixa “Pra Curar Essa Dor” é uma versão de “Heal the Pain” do cantor George Michael e conta com a participação de Samuel Rosa, vocalista da banda Skank. A canção foi repaginada pelo produtor John Ulhoa e, apesar de não transmitir a sensação de “dor” da letra original, é boa de se ouvir. A última faixa, “Depois Que o Sol Brilhar (Mary)”, encerra o álbum com uma sonoridade monótoma, estática e um tom bem deprimente. No geral, o disco não é tão coeso e bom como o esperado. Fernanda Takai é uma cantora experiente, tem uma das vozes mais doces da atual MPB e as participações especiais colaboraram positivamente. Porém, como já mencionado, faltou um pouco de sinceridade, transparência e um repertório mais forte, algo que realmente conseguisse tocar e cativar o ouvinte.

56

Favorite Tracks: “Doce Companhia”, “Como Dizia o Mestre”, “De um Jeito ou de Outro”, “Mon Amour, Meu Bem, Ma Femme (feat. Zélia Duncan)” e “Pra Curar Essa Dor (feat. Samuel Rosa)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.