Resenha: Fergie – Double Dutchess

Lançamento: 22/09/2017
Gênero: Hip-Hop, Pop, R&B
Gravadora: Dutchess / Retrofuture / BMG Rights Management
Produtores: Fergie Duhamel, Alesso, The Ear, Venus Brown, Cirkut, DJ Hardwerk, Big Juice, DJ Ammo, Donut, Fixyn, Toby Gad, Sean Garrett, Keith Harris, JP Did This, Adam Kapit, Stevie Mackey, DJ Mustard, Joel Metzler, Mr. Franks, Polow da Don, Riff, Shonuff, will.i.am, Yonni e Roccstar.

Quase onze anos após o lançamento do bem-sucedido “The Dutchess” (2006), que colocou três singles no topo da Billboard Hot 100, e sete anos após o seu último projeto com o Black Eyed Peas, Fergie finalmente apresentou um novo trabalho. Intitulado “Double Dutchess”, a tão aguardada sequela do seu álbum de estreia foi lançado em 22 de setembro de 2017. Para compensar a longa demora, Fergie o divulgou de forma inteiramente visual, lançando um videoclipe para cada faixa. Entre 2006 e 2007, ela foi uma das maiores hitmakers do mundo. Certamente, você deve lembrar de hits mundialmente conhecidos como “Fergalicious”, “Glamorous” e “Big Girls Don’t Cry”. A voz feminina do Black Eyed Peas realmente possui muitos hits com o grupo e também em carreira solo. Definitivamente foi uma longa espera, porém, depois de onze anos, “Double Dutchess” mostra a grande versatilidade da Fergie. Ela é capaz de manipular diferentes ritmos musicais, que vão desde o pop até o hip-hop, R&B e rock. Precedido por quatro singles, sendo o primeiro lançado em 2014, “Double Dutchess” possui um poder artístico que dividiu os críticos. Aqui, ela fez uma mistura de pop, hip-hop, rap, R&B, rock, jazz, reggae e tropical house. Liricamente, o repertório aborda sua vida pessoal, relacionamentos, emponderamento e algumas metas futuras.

Fergie manteve-se fiel às suas forças e participou diretamente do processo criativo do álbum. A faixa de abertura, “Hungry”, é sombria, misteriosa e define o tom para o “Double Dutchess”. Ao lado de Rick Ross e sobre batidas trap pesadas, a cantora apresenta duras rimas e uma produção ameaçadora. Isto transita adequadamente para “Like It Ain’t Nuttin'”, canção onde Fergie mostra suas habilidades de rap. Sobre uma vibe de hip-hop dos anos 90 e amostras de piano, ela ostenta o seu poder: “Não queria machucá-los, não queria matá-los / Não foi minha intenção ganhar 10, 20, 100 milhões / E desde que eu consegui, fui assassinada ao máximo / Sei por que eles odeiam, pois eu estou no topo”. O quarto single, “You Already Know”, com Nicki Minaj, é um banger de hip-house com uma produção cativante e minimalista. É uma faixa groovy que flui bem e incorpora inúmeras influências, desde o house dos anos 90 até o hip-hop e jazz. Mais uma vez, Fergie orgulha-se de sua vida glamourosa, enquanto Nicki Minaj fornece um verso apropriado. A quarta faixa, “Just Like You”, funciona como um número de transição, onde ela prova que pode cantar qualquer coisa. Resumidamente, é uma canção emocional, emotiva e vocalmente sólida. Liricamente, podemos notar que um relacionamento imprudente deixou uma impressão negativa na vida da cantora.

Na maravilhosa balada “A Little Work”, Fergie lida com o seu passado e compartilha alguns momentos traumáticos. “Todos nós estamos um pouco feridos / Todos nós estamos um pouco magoados / Todos nós temos feridas meio abertas A todos nós cairia bem um pouco de ajuda / Um pouco de ajuda”, ela canta no mágico refrão. Lançada como terceiro single em 2016, “Life Goes On” é uma canção de tropical-house produzida por Toby Gad. Uma música despreocupada, tranquila, sincera e com um apelo acústico. A súbita influência EDM, combinada com alguns tambores e guitarra acústica, tenta focar na beleza da vida. A próxima faixa, “M.I.L.F. $” (pronuncia-se “Milf Money”, abreviatura para “Mother I’d Like to Follow”), foi produzida por Pollow da Don e lançada como segundo single em julho de 2016. Segundo a cantora, ela foi inspirada pelo nascimento do seu filho para escrever a música. O objetivo da mesma é desafiar o convencional papel de mãe desempenhado na sociedade. Ela quer mostrar que mesmo sendo mãe, as mulheres ainda podem ter uma carreira, ser sexy e ter vida social. O excelente videoclipe da música, a propósito, dispõe de algumas mães famosas, como Kim Kardashian West, Ciara, Alessandra Ambrosio e Isabeli Fontana. Após o lançamento, “M.I.L.F. $” dividiu opiniões, pois muitos gostaram bastante e outros a acharam terrível. É uma música peculiar e potencialmente energética.

É uma faixa trap com um conjunto de influências do gênero hip-hop. Mesmo com 42 anos de idade, Fergie não perdeu sua disposição ou talento para rimar com bastante agilidade e criatividade. Outra coisa que permanece é a sua cativante mania de soletrar palavras, assim como em “Fergalicious” e “Glamorous”. Eu não vou mentir, “M.I.L.F. $” pode não ser ruim, mas é uma canção bastante confusa. O refrão é ridiculamente grudento e a produção instantaneamente viciante. Porém, as mudanças sonoras na estrutura e progressão podem causar estranheza ao ouvinte na primeira audição. A música começa com o apoio do refrão, bassline e da ótima batida trap. Liricamente, é cheia de insinuações sexuais propositalmente exploradas durante todos os versos. “Ouvi dizer que você está a fim de um milkshake / Bem-vindo à Fábrica Laticínia da Duquesa do Amor / Entre pela porta da frente, o amor está depois da porta dos fundos”, ela canta. Recheada por um fascínio erótico, rimas ágeis e um vocal murmurando ao fundo, Fergie recita no refrão: “Você tem aquele, você tem aquele / Você tem aquele dinheirinho de mamãe / Eu tenho aquele, eu tenho aquele / Eu tenho aquele dinheiro de Mães Que Você Gostaria de Seguir”. Enquanto “M.I.L.F. $” é definitivamente explícita e poderosa, pode deixar muitos com o pé atrás. “Save It Til Morning”, por sua vez, pode ser considerada uma “Big Girls Don’t Cry” 2.0, afinal parece uma versão mais madura da mesma. Com suporte da guitarra acústica, Fergie explora alguns cenários do seu último relacionamento.

Aparentemente inspirada pelo divórcio com Josh Duhamel, é uma música incrivelmente emocional graças, principalmente, aos poderosos vocais de Fergie. A faixa seguinte, “Enchanté (Carine)”, é uma canção experimental e brincalhona que traz a voz do seu filho Axl Jack. Mais uma vez, temos influências EDM e uma produção tropical, além de uma batida bastante ensolarada. Apesar de ser uma das faixas mais esquecíveis, possui uma natureza muito infecciosa, sutil e imprevisível. A décima faixa, “Tension”, definitivamente injeta um pouco mais de diversidade ao registro. Desta vez, Fergie canta sobre vibrações dançantes, groovy e funky, enquanto expressa seus desejos carnais. Além da mudança de ritmo e conteúdo lírico sexual, o desempenho vocal é muito sensual. Lançada há três anos, “L.A. Love (La La)” foi o primeiro single do álbum e deu início a nova fase da cantora. Mal sabíamos que teríamos que esperar quase três para ouvir o álbum completo. Musicalmente, é um poderoso banger de eletro-hop com assistência do rapper YG. Produzida por DJ Mustard, é uma canção atada por referências a várias cidades do mundo. Sobre uma fenomenal linha de baixo, “L.A. Love (La La)” carrega o mesmo charme áspero e vocais sensuais dos seus melhores singles. A penúltima faixa, “Love Is Blind”, é um cativante número pop tingido de reggae que nos remete a “Mary Jane Shoes” do álbum “The Dutchess” (2006).

A produção é otimista, a atmosfera reggae incrivelmente agradável e a letra bastante honesta. “Love Is Pain” encerra o repertório com muitas vibrações de rock e, consequentemente, nos relembra de sua colaboração com Slash. Desta vez, Fergie causa um grande contraste ao optar por letras mais sérias e dramáticas. É uma balada que exige o melhor do seu vocal, principalmente por causa do ambiente excessivamente dramático. Com o apoio de uma atmosfera sombria e guitarra elétrica, incluindo um maravilhoso solo depois da metade, Fergie canta: “Você sabe, quando eu estou perdida e insegura / Você me põe ainda mais para baixo / Eu nunca superaria a perfeição”. Uma interrupção de onze anos, sem dúvida, é prejudicial ao sucesso de qualquer artista. Afinal, é muito tempo. “Double Dutchess” pode não fazer o mesmo grande sucesso de sua estreia, mas tem vários bons momentos. É um vitrine divertida e autêntica de uma artista vocalmente muito talentosa e diversificada. Seja no pop, R&B ou hip-hop, Fergie sempre encontra uma maneira de cativar o ouvinte. Enquanto algumas faixas sofrem pela ligeira falta de inspiração ou composição datada, pelo menos a metade do repertório consegue encantar e entreter. “Double Dutchess” não é um disco inovador por qualquer meio, entretanto, boa parte dele mostra as melhores habilidades da Fergie.

Favorite Tracks: “A Little Work”, “Save It Til Morning” e “L.A.LOVE (la la) [feat. YG]”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Geovane Marques

    Amo esse álbum!
    A Fergie é incrível. ❤

    • Leo

      Ela é incrível mesmo, eu amo essa mulher!