Resenha: Feist – Pleasure

Lançamento: 28/04/2017
Gênero: Indie Pop, Folk
Gravadora: Universal Music Group
Produtores: Feist, Mocky e Renaud LeTang.

O quinto álbum de estúdio da cantora Feist, “Pleasure”, é um retorno muito bem-vindo após o lançamento do “Metals” (2011). Depois de um hiato de seis anos, a compositora canadense voltou ao estúdio para criar 11 faixas incríveis. A boa notícia para os ouvintes é que esse registro remete fortemente aos seus primeiros trabalhos. Provavelmente, a maioria das pessoas conhecem Feist por causa do hit “1234”, faixa do seu terceiro álbum, “The Reminder” (2007). A música chegou ao sucesso após ser exibida no comercial do Ipod Nano da Apple. Desde a faixa de abertura, “Pleasure” traz a voz, letras e a guitarra genial de Feist ao centro do palco. Esse é, possivelmente, o LP mais pessoal e introspectivo de Feist até o momento. A maioria das músicas oscilam sobre paisagens vocais silenciosas e riffs de guitarra, e um som indie-pop delicioso e coeso. O repertório é muito maduro e traz alguns riscos que você não esperaria.

Trabalhando com o seu produtor de longa data, Mocky, “Pleasure” percorre uma gama de emoções, fornece uma simplicidade na instrumentação e uma boa dinâmica nos vocais. É um daqueles álbuns onde Feist descobre uma variedade de temas que nos dão uma sensação de nostalgia. A maioria das músicas possuem mais de cinco minutos de duração, dando ao ouvinte um grande senso de montante. Como resultado, “Pleasure” é uma verdadeira montanha-russa emocional maravilhosamente orquestrada. Muitas das músicas são submissas de uma maneira que torna-se mais fácil para o ouvinte conectar-se com a voz sombria e vulnerável de Feist. A faixa-título, “Pleasure”, traz doces vocais para uma paisagem sonora maravilhosa, incorporando um som mais rústico do que estamos acostumados. A música começa com uma linha de baixo básica, mas quando a guitarra acústica atinge o seu pico, você realmente começa a sentir o íntimo e vulnerável som de Feist.

Na terceira faixa, “Get Not High, Get Not Low”, a cantora murmura com uma bela voz que aproxima-se suavemente dos arranjos musicais solenes. Este é um dos melhores aspectos do registro. Aqui, Feist discute temas amorosos com muito confiança. Sua voz derrete sobre uma guitarra e alguns tambores que aparecem posteriormente. Sem dúvida, Feist está no seu melhor musicalmente quando mostra sua vulnerabilidade. Os ruídos de fundo são deixados nessa música, a fim de permitir que o ouvinte sinta algo mais pessoal e tangível. “Get Not High, Get Not Low” cria esse ambiente com uma sutil percussão e momentos em que há apenas a voz de Feist. O vazio da música permite maior clareza e percepção sobre as brutas emoções das letras. Uma das faixas mais fortes do álbum é “Lost Dreams”, uma perfeita representação de Feist recordando seu passado sobre um poderoso riff de guitarra.

Grande parte do álbum compartilha desse tipo de som, o que ajuda a transmitir emoções como arrependimento e tristeza. Esta é uma das coisas que Feist faz melhor como artista, e ela prega essa estética várias vezes no disco. “Any Party” encontra-se confortavelmente no território folk do “Pleasure”, e onde a cantora fala sobre os sacrifícios que ela faria por seu amor. Essa canção proporciona uma mudança de humor, uma vez que a cantora parece mais nervosa. Construída a partir de um arranjo de guitarra e bateria, “Any Party” fala sobre como os relacionamentos costumavam prevalecer sobre qualquer coisa. Em seguida, Feist aborda relações amorosas novamente em “A Man Is Not His Song”. Uma canção informal com uma estética soul e folk que passa por várias interações. Feist parece solitária e introspectiva, até transitar para vocais que se harmonizam com uma repetição. A próxima faixa, “The Wind”, tem uma incrível seção de guitarra e mínimos aspectos eletrônicos que se misturam com as cordas.

Possui uma atitude mais moderada, a medida que aborda algumas reflexões e perspectivas de Feist. Da mesma forma, “Century” mostra a canadense dando a uma interessante perspectiva com característica de Jarvis Cocker. O líder da clássica banda de brit-pop Pulp, traz sua abordagem lírica para a música de Feist. “Century” proporciona uma mudança criativa no álbum e lembra as músicas mais emocionantes do passado de Feist. Ela é impulsionada por graves mais sombrios, com vocais penetrantes e elementos góticos. Eu adoro essa música por conta de sua cadência íntima e emocionalmente efetiva. À medida que o álbum aproxima-se do seu final, as faixas oferecem estilos similares e criam um clímax maravilhoso. Em “Baby Be Simple”, por exemplo, você pode sentir a dor abundante de sua estética. Aqui, Feist discute relacionamentos e amor de uma maneira bem diferente.

Ela diz às pessoas que se amem e dá suas próprias anedotas pessoais de forma direta e eficaz. As duas músicas finais, “I’m Not Running Away” e “Young Up”, abordam temas de felicidade e seguir em frente. Ambas faixas realmente amarram lindamente o tema geral do álbum. “I’m Not Running Away” possui uma melodia sinuosa de guitarra, bela instrumentação e fortes letras. “Young Up”, por sua vez, apresenta teclas de piano distantes e um aspecto sonoro bem memorável. Possui alguns tons de blues a uma natureza contemplativa, com vocais que flutuam ao redor enquanto a melodia viaja por nossos ouvidos. No geral, “Pleasure” entrega o seu repertório de uma maneira que o “Metals” não fez, embora seja improvável superar sua obra-prima, “The Reminder”. Enquanto sua produção poderia ter sido melhor editada, as falhas são quase imperceptíveis. Em suma, “Pleasure” é um álbum incrivelmente sólido, vulnerável, íntimo, transparente e emocional.

Favorite Tracks: “Get Not High, Get Not Low”, “Lost Dreams” e “A Man Is Not His Song”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.