Resenha: Fat Joe & Remy Ma – Plata O Plomo

Lançamento: 17/02/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: RNG / EMPIRE Distribution
Produtores: Fat Joe, Cool & Dre, 808-Ray, iLL Wayno, Edsclusive, Eric Kovacs, iLLA, Street Runner, Tarik Azzouz e Vindata.

Em 17 de fevereiro, Fat Joe e Remy Ma lançaram um disco de 12 faixas intitulado “Plata O Plomo”. Os ex-membros do grupo Terror Squad colaboraram para um projeto que mais parece um acompanhamento do disco “The Darkside Vol. 1” (2010). Desde 1993, Fat Joe já trabalhou com Diddy, Big Pun e R. Kelly, para citar alguns. Mas foi o hit “Lean Back” do Terror Squad que o colocou no centro das atenções. Foi o grupo de Nova York que tornou Fat Joe e Remy Ma em nomes familiares para os fãs de música urbana. Mais de uma década se passou, desde então Fat Joe trabalhou com Nelly, Lil’ Wayne, Akon e, mais recentemente, com Chris Brown, Kanye West, A$AP Rocky e Wiz Khalifa. Remy Ma também manteve-se ocupada no estúdio com Rick Ross, Ty Dolla $ign e Swizz Beatz. Entretanto, mesmo com uma lista enorme de colaboradores, nenhum dos dois conseguiu o mesmo impacto de 2004.

Ambos rappers tiveram alguns problemas nos últimos anos. Fat Joe, por exemplo, foi condenado a quatro meses de prisão por evasão fiscal em 2013. O que não é nada se comparado com a licitação de 6 anos de Remy Ma, que terminou em 2014. Independentemente disso, ambos buscaram um renascimento tanto legal quanto musical. Para aqueles que contaram com a cortesia de Cool & Dre e French Montana, encontraram sucesso nas paradas com “All the Way Up”. Uma canção que recebeu holofotes após duas indicações no Grammy de 2017. No entanto, o álbum completo não é tão bom como o primeiro single. Em vez de ilustrar a história dos dois, o repertório oferece refrões de convidados, espalhados por músicas sem nenhum propósito.

Ademais, a falta de outro hit mainstream enfraqueceu o desempenho comercial do álbum. “Plata O Plomo” possui um título tão provocativo como deveria ser. Riquezas e temas violentos realmente prevalecem aqui. Dito isto, convidados como Ty Dolla $ign, French Montana, Kent Jones, The-Dream, Sevyn Streeter e BJ the Chicago Kid ajudam a adicionar um tempero extra nessa fatia de hip-hop nova-iorquino. “Plata O Plomo” é um álbum tecnicamente fraco, mas é inegável que os ex-integrantes do Terror Squad homenageiam suas raízes de Nova York por meio de letras agressivas e fluxo auto-confiante. O primeiro single do LP, “All the Way Up”, foi lançado em março de 2016 e tornou-se um hit na cena comercial de hip-hop. Sua estrutura depende muito de um gancho vocal repetitivo, mas não deixa de ser uma música muito forte e cativante.

A primeira faixa, “Warning”, possui um refrão muito infeccioso cantado por Kat Dahlia. Seu sotaque caribenho, parecido com o da Rihanna, combinou muito bem com a moderna batida de hip-hop. Em seguida, os produtores Cool & Dre mostram sua flexibilidade na faixa “Swear to God”, com Kent Jones. Essa canção possui órgãos, apoio vocal e ótimos tambores. Ademais, os versos substanciais de Remy Ma se mostram muito mais pesados que o de Fat Joe. Kent Jones aparece em várias faixas do álbum, inclusive na próxima, intitulada “Spaghetti”. É uma canção gutural e arenosa em todas as maneiras. A produção suave consegue pintar algo bacana sobre os versos de rap. O instrumental e melodia são muito interessantes, e deslizam facilmente em torno das batidas afiadas de tambor. Na sequência, Sevyn Streeter e BJ the Chicago Kid aparecem fortemente em “Go Crazy”.

A amostra vocal em multicamadas dessa música combina muito bem com a grande batida. Da mesma forma, as contribuições de Sevyn Streeter e BJ the Chicago Kid se fundem bem com Fat Joe e Remy Ma. Essa é também a primeira faixa do álbum que canaliza algumas vibrações de R&B. Entretanto, as letras são muito misóginas, como ouvimos Joe nos lembrar que “as mulheres não deveriam trabalhar” e que deveríamos “deixar um homem fazer o trabalho de um homem”. A fraca “Heartbreak”, com The-Dream e Vindata, tenta algo que está em tendência no mercado mainstream de hoje. Aqui, temos influências dancehall, profundas batidas, vocais auto-ajustados e um arranjo mais delicado. Os tradicionalistas do hip-hop podem ter dificuldades para gostar dessa música, uma vez que parece com o smash-hit “One Dance” do Drake.

“Cookin”, com French Montana, surge com trompas, tambores trap e um gancho repetitivo sem inspiração. Por outro lado, Ty Dolla $ign injeta um pouco de alma em “Money Showers”, enquanto Stephanie Mills ajuda a encerrar o álbum com “Dreamin”. A expressão “Plata O Plomo” faz referência à extorsão de dinheiro punível com a morte se negada, e tem sido usada na gíria espanhola durante algumas décadas. A arrogância de Fat Joe e Remy Ma durante esse LP é complementado por fluxos percussivos e lirismo agressivo. Ambos tentaram provar sua relevância, oferecendo uma gama de estilos atuais sem perder seu toque old-school. Entretanto, apesar de possuir um rap sólido, “Plata O Plomo” não tem um lirismo de alto calibre e peca na produção em vários momentos. Infelizmente, como já esperado, a única coisa memorável do álbum é o single “All the Way Up”.

Favorite Tracks: “Spaghetti (feat. Kent Jones)”, “All the Way Up (feat. French Montana & Infared)” e “Money Showers (feat. Ty Dolla $ign)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.