Resenha: Far East Movement – Identity

Lançamento: 21/10/2016
Gênero: EDM, Pop
Gravadora: Transparent Agency / Spinnin’ Records / eOne Music
Produtores: Far East Movement, Autolaser, Marshmello, MNEK, Gill Chang, King Chain, Cory Enemy, MIKNNA, Thomas Helsloot, Cimo Frankel e Rik Annema.

Em 21 de outubro de 2016, o grupo Far East Movement liberou o seu quinto álbum de estúdio, “Identity”, com um punhado de artistas do K-Pop. Lançando o álbum quatro anos depois de alcançar dois hits top 10 na Billboard Hot 100, o grupo acrescentou uma nova faceta sonora na sua música. O trio é composto por Kev Nish (Kevin Nishimura), Prohgress (James Roh) e DJ Virman (Virman Coquia), respectivamente descendentes de japoneses, coreanos e filipinos. Far East Movement ganhou fama internacional em 2010, quando o single “Like a G6” foi um grande hit global. A música vendeu mais de 4 milhões de downloads nos Estados Unidos e tornou-se o primeiro single de artistas asiáticos-americanos a atingir o número #1 da Billboard Hot 100. Depois de um breve hiato e viagens pela Ásia, o Far East Movement prometeu uma mistura de alta energia e faixas eletrônicas no seu novo álbum. “Identity” reúne estrelas do Oriente e Ocidente, como Tinashe e Chanyeol da EXO, na tentativa de criar um variado repertório sonoro. Em entrevista à Billboard, o grupo disse: “A identidade sempre foi um problema conosco, de como nos percebemos como americanos, de como as pessoas realmente nos vêem e como a Ásia nos vê como estrangeiros, enquanto as pessoas nos EUA podem pensar que a Ásia é a nossa casa”. Já faz dez anos desde que o seu álbum de estreia, “Folk Music” (2006), foi lançado e, desde então, Far East Movement tornou-se um nome familiar na cena EDM. Como resultado, “Identity” é um disco dedicado à suas etnias e raízes.

Falando sobre seu novo álbum, o grupo disse: “Quando começamos na indústria da música, as pessoas estavam nos dizendo para usar óculos e mudar nosso nome, porque Far East Movement soava muito asiático”. Por conta disso, o grupo está tentando buscar de alguma forma sua identidade nesse registro. É um material com uma perspectiva mais madura, que ainda permanece leal ao gênero original do Far East Movement. No entanto, a produção e conteúdo lírico continuam tão raso como em seus álbuns anteriores. A cantora e coreógrafa sul-coreana Yoon Mi-rae define a vibração da faixa de abertura “Fighter”. Aqui, ela prova o quanto os seus vocais podem complementar um ritmo energético. O som de inspiração africana presente nesta canção é emparelhado com vocais suaves e, realmente, faz a canção soar ensolarada e alegre. O vídeo da música homenageia os imigrantes coreanos que foram para os Estados Unidos em meio à guerra e dificuldades de seu país de origem. “Freal Luv”, o primeiro single do álbum, foi produzido por Marshmello e conta com a participação de Tinashe e Chanyeol. É uma canção crossover de EDM e trap, onde Tinashe brilha com seus vocais e musicalidade. Ela harmoniza muito bem com o rapper Chanyeol, líder do grupo coreano EXO. Com tantos artistas em uma única faixa, é meio difícil encontrar algum equilíbrio. Felizmente, Far East Movement consegue fazer exatamente isso. A fraca “F-VR” é uma pista EDM que apresenta Candice Pillay e No Riddim. Apesar do ótimo drop e baixo aprofundado, é muito repetitiva e possui uma batida muito sem graça.

“Church” conta com a participação do cantor americano Elijah Blake, e acabando curvando-se ao R&B, graças aos seus dinâmicos vocais em falsete. É uma pista misteriosa, com um arranjo diferente de qualquer outra música que o grupo já produziu. Excêntrica e sensual, as letras referem-se ao amor como uma religião: “Não há pecado que eu não faria por você, igreja / Eu vou segui-la através e através / Assim como a igreja”. A sexta faixa, “Don’t Speak”, é um eletropop dançante com um ritmo bem explosivo. É uma colaboração do Far East Movement com King Chain e Tiffany do grupo Girls’ Generation. Os vocais auto-ajustados de Tiffany soam muito desconfortáveis, enquanto a batida é chata e as avarias eletrônicas são apenas misturas repetitivas de sua voz. A próxima faixa também é uma colaboração coreana, desta vez com Jay Park. Com um ritmo nervoso e letras sugestivas, Jay Park provoca os ouvintes com seu fluxo. O arranjo up-tempo e ligeiramente techno foi produzido por MNEK, o cantor e produtor britânico conhecido por seu dueto com Zara Larsson em “Never Forget You”. “Umbrella”, com Hyolyn nos vocais, é cantada inteiramente em coreano. Os doces vocais de Hyolyn, emparelhados com as geladas batidas criadas por Far East Movement, ficaram muito agradáveis. Musicalmente, “Umbrella” não soaria fora do lugar se estivesse presente no álbum do Kygo. A faixa ainda tem um interlúdio de guitarra que soa um pouco oriental. De alguma forma, o trio conseguiu misturar elementos EDM com influências orientais de uma forma boa. As faixas seguintes, “Double Dip” e “FBG$”, são músicas de hip-hop com sensações muito diferentes.

“Double Dip”, com Soulja Boy, é muito contagiosa e de alta energia, entretanto, igualmente irritante e repetitiva. “FBG$”, com o rapper americano Big K.R.I.T. e o duo de produtores MIKNNA, por outro lado, é mais lenta e apresenta o melhor desempenho de rap do álbum. “Forever Survivor” traz a mesma mensagem que ouvimos em “Fighter”. As letras são pessoais e referem-se a nunca desistir dos seus sonhos. A cantora de R&B e soul Macy Gray empresta seus roucos vocais e adiciona uma grande suavidade à música. É uma boa canção, embora em alguns momentos a voz de Macy Gray seja afogada pelo baixo pesado. “Fortress” conta com a participação de Urban Zakapa e alterna entre o inglês e coreano. Urban Zakapa é um grupo extremamente popular na Coréia do Sul que, felizmente, não decepciona nessa música. Seus vocais definitivamente trazem uma vibração etérea e relaxante para “Fortress”. É uma canção experimental, com camadas de bateria, melodia eletrônica, ritmo mais lento e coro contagiante. Os convidados coreanos superaram os americanos neste álbum, uma vez que as faixas que os caracterizam destacam-se. Este álbum pode ter marcado como um capítulo de autenticidade na carreira do Far East Movement. É refrescante ouvir o trio entrar em contato com suas raízes asiáticas. Eles conseguiram mostrar uma boa versatilidade, ao misturar gêneros musicais de forma eficiente. Entretanto, não posso deixar de mencionar que boa parte do álbum, francamente, possui um som bem genérico e superficial. É ótimo ver o grupo ousar e tentar uma nova direção sonora, mas “Identity”, definitivamente, não é um grande álbum.

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Favorite Tracks: “Fighter (feat. Yoonmirae & Autolaser)”, “Umbrella (feat. Hyolyn & Gill Chang)” e “Fortress (feat. Urban Zakapa)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.