Resenha: Fantasia – The Definition Of…

Lançamento: 29/07/2016
Gênero: R&B, Soul, Pop
Gravadora: RCA Records
Produtores: Ron Fair, R. Kelly, Brian Kennedy, Neff-U, Jerome “J-Roc” Harmon, GRADES, Priscilla Renea, Dylan Wiggins, Dreshan Smith, Tye Tribbett e David Outing.

“The Definition Of…” é o quinto álbum de estúdio de Fantasia Barrino, desde que venceu a terceira temporada do American Idol em 2004. Desta vez, a cantora está em busca de redefinir-se musicalmente com uma coleção de 11 faixas. Embora muitos possam ignorar sua nova direção sonora, ela mostra o quanto é capaz de surpreender. Lançado em 29 de julho de 2016, “The Definition Of…” concede letras espontâneas e paisagens sonoras envolventes. É um registro cru e transparente, sem medo de revelar sua identidade. É uma fusão complementar de R&B, soul, pop, jazz e rock, que dispõe de produtores como Ron Fair, R. Kelly, Brian Kennedy, Neff-U e J-Roc. Além disso, o álbum apresenta duetos com artistas como Stacy Barthe, Aloe Blacc e Tye Tribbett. Este é o primeiro lançamento de Fantasia em três anos e, aparentemente, valeu a pena esperar. O trabalho vocal da ex-vencedora do American Idol ainda continua poderoso e impactante.

Quando sua narrativa é tão poderosa quanto os seus vocais, ela realmente consegue destacar-se. Os fãs de R&B, provavelmente conhecem a história de Fantasia, desde os grandes momentos no American Idol, Broadway e Grammy, até as fases ruins, como a tentativa de suicídio e os relacionamentos destrutivos. Sua vida tem sido um livro aberto, por isso “The Definition Of…” pode ser considerado um manual de auto-ajuda sobre a vida, amor e relacionamentos. Para aqueles tocados pela vulnerabilidade e força de sua voz, o álbum é muito recomendado. Um pouco mais curto que “Side Effects of You” (2013), mas muito mais ambicioso em seu conteúdo, esse novo álbum gerou alguns momentos brilhantes. Ele abre com um número energético e refrescante, intitulado “Crazy”. Fantasia abraça seu lado mais selvagem, lembrando a todos que “eu faço o que eu gosto, eu não tenho nada a provar”.

A bateria e a guitarra elétrica dessa música são muito convidativas e, particularmente, suas melhores atrações. O primeiro single, “No Time for It”, é uma canção R&B/soul, pop, mid-tempo e contemporânea, onde ela rejeita a adversidade de sua vida. As letras falam sobre bloquear qualquer negatividade, em favor de ter sucesso profissional. Curiosamente, Fantasia descreveu a música como uma continuação do som “rock soul” apresentado no disco “Side Effects of You”. Musicalmente, a canção é especificamente apoiada por sintetizadores, tarolas constantes e um órgão. A voz de Fantasia é o denominador comum que une todas as canções. Seu crescimento como mulher e artista irradiam através de faixas como “So Blue”, uma declaração a respeito de sua independência. Ela expressa seu pesar sobre sua reação negativa perante a infidelidade do seu esposo. Uma música de R&B suave que, praticamente, define o tom para o álbum inteiro.

Fantasia

A felicidade que ela encontrou ao lado do seu esposo, Kendall Taylor, por outro lado, é evidenciada na faixa “When I Met You”. É uma canção soul ensolarada e repleta de otimismo. O álbum possui temas fortes, mas nada é tão forte quanto a voz de Fantasia. A ranhura atmosférica de “Sleeping With the One I Love” foi inteiramente produzida e escrita por R. Kelly. Esta música é um aceno para o clássico R&B/soul interpretado por artistas como Sam Cooke e Curtis Mayfield. É uma canção soulful, atrevida e corajosa, que traz uma produção reminiscente dos anos 60 à tona. “Eu me esforço para fazer o certo, mas eu estou fazendo tudo tão errado / Eu estou vivendo nesta casa, mas eu não posso chamá-la de lar / Ele me dá o que eu quero, mas não é o que eu preciso / Minha mente está me dizendo para ficar, mas o meu coração quer ir embora”, ela canta aqui.

Em “Stay Up”, com Stacy Barthe, Fantasia surge com uma batida mais dançante e uma linha de base bem funky. A partir do otimismo edificante dessa canção, Fantasia se mostra assumidamente crua, motivada e positiva. Até mesmo nos momentos mais desconexos do álbum, Fantasia consegue resultados convincentes. Por exemplo, músicas que falam sobre experiências pessoais, como “Ugly” e “Lonely Legend”. Em ambas a cantora faz grande uso do seu hipnotizante e maduro soprano. Guiada por piano e cordas, a belíssima “Ugly” resume o caminho que Fantasia percorreu até ganhar o American Idol. Em “Lonely Legend” ela canaliza seu interior e mostra a grande influência que Tina Turner tem em seu trabalho. A ruptura à base de metais e a sua dinâmica performance vocal são muito atraentes. “Wait for You” é uma canção bem dançante e contemporânea, que traz à luz o seu timbre mais rouco.

É uma pista mais influenciada pelo cenário musical dos anos 80. Durante os versos ela proporciona uma sensação suave, relaxante e serena. Mas, em seguida, uma grande energia surge quando o refrão entra em ação. Posteriormente, enquanto Fantasia oferece um número conduzido pela guitarra e bateria em “Roller Coasters”, com Aloe Blacc, ela e Tye Tribbett atingem um final grandioso com a inspiração gospel de “I Made It”. No geral, este álbum é um passo à frente do seu último lançamento em 2013. Fantasia continua crescendo e explorando novos gêneros com um toque especial. A maturidade de “The Definition Of…” é fiel a si mesma, à medida que serviu como um depoimento de sua vida atual. Desde o American Idol, Fantasia melhorou constantemente o seu som e ficou ainda mais confiante nos vocais. Depois de 12 anos na indústria, ela realmente conseguiu se redefinir como artista.

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Favorite Tracks: “No Time for It”, “So Blue”, “Sleeping with the One I Love”, “Ugly” e “Wait for You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.