Resenha: Fall Out Boy – American Beauty/American Psycho

Lançamento: 16/01/2015
Gênero: Pop Rock, Pop Punk
Gravadora: Island Records
Produtores: Jake Sinclair, Fall Out Boy, Butch Walker, J.R. Rotem, Omega, SebastiAn e Young Wolf Hatchlings.

“American Beauty/American Psycho” é o título do sexto álbum de estúdio da banda de Chicago, Fall Out Boy. O disco foi lançado em 16 de janeiro de 2015 através da Island Records e estreou no número #1 da Billboard, vendendo 218 mil cópias em sua primeira semana. A banda é formada pelo vocalista e guitarrista Patrick Stump, o baixista Pete Wentz, o guitarrista Joe Trohman e o baterista Andy Hurley. O grupo foi formado por Wentz e Trohman como um projeto parelo de suas respectivas bandas, surgindo na cena punk hardcore suburbana de Illinois em 2001. Logo em seguida, Stump juntou-se a eles e, após uma sucessão de bateristas, Hurley também entrou para a banda e gravaram seu álbum de estreia, “Take This to Your Grave”, em 2003. O disco ajudou o grupo a ganhar uma certa fã base, bem como fez um sucesso comercial moderado. Com Wentz como principal letrista e Stump como compositor primário, a banda lançou o disco “From Under the Cork Tree” e ganharam enorme notoriedade com o sucesso dos singles “Sugar, We’re Goin Down” e “Dance, Dance”. Este segundo álbum vendeu mais de 2,7 milhões de cópias nos Estados Unidos e rendeu uma indicação para a banda no Grammy Awards de 2006.

Em seguida, eles lançaram mais três discos, “Infinity on High” em 2007, que vendeu mais de 260 mil cópias em sua primeira semana e rendeu mais alguns singles de sucesso; “Folie à Deux” em 2008, que obteve boas críticas, mas expectativas comerciais muito baixas; e “Save Rock and Roll” em 2013, que deu à banda o seu segundo número #1 na parada de álbuns da Billboard e ainda rendeu o hit “My Songs Know What You Did in the Dark (Light Em Up)” que vendeu 3 milhões de cópias digitais. Descritos normalmente como uma banda de pop-punk e pop-rock, o Fall Out Boy sempre se sobressaiu, mesmo no início de sua carreira, quando todo mundo só os via como uma banda emo. Eles claramente amadureceram durante todos esses anos, de uma maneira muito grande, e ainda conseguem ser bem sucedidos comercialmente mesmo após 14 anos de carreira. Depois de um intervalo de 2 anos, em 2015 eles voltaram aparentemente ainda melhores com o álbum “American Beauty/American Psycho”, que possui um total de 11 faixas. Esse álbum além de ser muito cativante, possui uma crueza que não encontramos em seus álbuns anteriores.

Em alguns aspectos ele é até parecido com o “Save Rock and Roll”, pois oferece um pop audacioso, ambicioso e pronto para as rádios. “Irresistible” é a primeira faixa, onde temos uma história de amor influenciada musicalmente pelo hip hop. Ela abre com um viciante trompete antes de explodir com um refrão cantado a plenos pulmões que, provavelmente, agradou seus maiores fãs. Essa frenética canção foi escrita pela própria banda e produzida por Butch Walker e Jake Sinclair. O baixista Pete Wentz, inclusive, comparou o clima da música com uma cena do filme biográfico “Sid and Nancy”. A faixa-título, “American Beauty/American Psycho”, é outra que oferece um som muito cativante e agressivo, com algumas amostras em sua melodia da canção “Too Fast for Love” da banda de heavy metal Mötley Crüe. Lançada como terceiro single, essa é a faixa favorita do vocalista Patrick Stump. “É o nível certo do artisticamente interessante, mas também muito divertido”, ele declarou sobre ela durante uma entrevista. A terceira faixa é “Centuries”, primeiro single do álbum que acabou tornando-se a primeira música da banda em oito anos, a atingir o Top 10 da Billboard Hot 100. Além de conter sample da canção “Tom’s Diner”, da cantora Suzanne Vega, “Centuries” tem uma vibe pop bem definida com elementos eletrônicos.

Fall Out Boy

Particularmente, eu achei a melhor faixa do registro, desde sua abordagem maximalista até as linhas de piano melodramáticas e os tambores maciços que acenam para o hip hop. A afirmação profética dessa música, “Mas você se lembrará de mim / Lembrará de mim por séculos”, exala confiança e intensidade. Em seguida, temos uma mid-tempo chamada “The Kids Aren’t Alright”, que gira em torno de um arejado pop-rock. O seu descontraído ambiente é todo envolvente, a começar pelos viciantes assobios do seu início. É uma canção que nos lembra que o Fall Out Boy tem grandes habilidades na escrita. “E, no fim / Eu faria tudo de novo / Eu acho que você é meu melhor amigo / você não sabe que as crianças não são todos, as crianças não estão bem”, eles cantam no ótimo refrão, onde Patrick Stump continua a superar-se nos vocais. A necessidade de lidar com relacionamentos ruins, tristeza ou conflito interno de uma forma doentia é um problema sério na juventude, logo é bacana ver a banda abordando esses tipos de questões. “Uma Thurman”, por sua vez, foi lançada como quinto single do álbum e possui um título que faz referência a atriz americana Uma Thurman, famosa por interpretar Quentin Tarantino no filme Pulp Fiction, do qual foi nomeada ao Óscar. A canção ainda tem um sample proeminente da música tema de The Munsters, comédia de televisão americana da década de 1960.

“Ela quer dançar como a Uma Thurman / Me enterrar até eu confessar / Ela quer dançar como a Uma Thurman / E não consigo te tirar da minha cabeça”, Patrick Stump canta no refrão com uma sensibilidade notável e uma boa performance vocal. A letra faz referência a marcante cena do filme onde Uma Thurman dança com John Travolta. É realmente uma ótima canção pop rock e surf rock, que faz malabarismos com letras bem escritas ao longo de um instrumental bem regulamentado. O riff de guitarra e a linha de baixo também brilham e ajudam a fazer de “Uma Thurman” um dos destaques do disco. Essa linha constante e funky, fornecida por Pete Wentz, carrega a melodia sem problemas durante toda sua execução. E além disso a faixa também incorpora acordes nervosos de piano e palmas que ditam o seu ritmo. Fall Out Boy é uma banda de rock corajosa o suficiente para usar samples eficientemente bem. Já em “Jet Pack Blues” nos deparamos com um pouco mais de ansiedade, a mais curta faixa do registro. O trabalho da banda nessa canção também está notável, desde a ótima percussão e guitarras atmosféricas, até o impressionante ritmo e maravilhoso refrão.

Fall Out Boy

A ponte também destaca-se por cortar o ritmo da música e permitir um sereno momento para os vocais de Stump. O seu som também pode ser creditado, pelo menos parcialmente, a Jake Sinclair, que serviu como produtor primário de todo o álbum. A sétima faixa, “Novocaine”, é outro destaque do álbum, uma canção com barulhos robóticos, sons distorcidos e boas harmonias. Aqui Stump de alguma forte ainda descobre outra engrenagem no seu falsete sonicamente soulful. Declaradamente inspirada pelos acontecimentos na cidade de Ferguson, essa é uma música furiosa e bastante melódica, que ainda oferece uma agressiva performance vocal. Em seguida temos outra faixa pop bombástica, intitulada “Fourth of July”, onde Patrick Stump explode nos vocais. “Eu sinto muito por cada música sobre você / A tortura de uma conversa com alguém que você costumava amar”, ele proclama aqui. O produtor Sinclair conseguiu empurrá-lo para um dos seus melhores e potentes trabalhos vocais do álbum. Além disso, ainda adicionou um tambor de Andy Hurley na mistura que ficou particularmente dinâmico. Em “Favorite Record” temos um vocal robótico altamente processado, porém, é uma canção alegre e otimista que lembra as raízes punk da banda.

É de longe a música mais suave e pop encontrada aqui, girando em torno do mesmo tema lírico de “saudade de um amor que terminou”, que já vimos o Fall Out Boy explorar anteriormente. O fato é que essa música gruda na cabeça com uma enorme facilidade, principalmente, por causa dos “Woo-ooh-ohh” colocados muito bem no refrão. Mais adiante temos o que talvez pode ser chamado de ponto fraco do álbum, a faixa “Immortals”. É uma canção confusa que, embora soa como uma do Fall Out Boy, não parece se encaixar bem com o restante do repertório. O seu refrão é demasiado simplista, assim como os versos, e nem mesmo os vocais poderosos de Patrick Stump foram bem utilizados aqui. Tanto os instrumentais quanto os vocais não estão tão bem acentuados como de costume, uma falha perceptível logo na primeira escuta. É uma música realmente chata, redundante e francamente sem graça. Ela ainda fez parte da trilha sonora do filme “Big Hero 6” da Disney, porém, em uma outra versão. A banda é mais intrigante e interessante quando segue seus instintos mais ousados, como na faixa de encerramento “Twin Skeleton’s (Hotel In NYC)”. Além de ter uma boa bateria e os ótimos riffs de guitarra, essa canção culmina em um canto coral de arrepiar, tão frenético e quase assustador. Ou seja, foi uma escolha totalmente adequada para encerrar o álbum.

O Fall Out Boy desafiou-se ao voltar com um registro rejuvenescido e sem medo de aventurar-se fora de sua zona de conforto. Eles canalizaram todas as suas energias e criatividade afim de entregar outro álbum agradável a seus fãs. “American Beauty/American Psycho” é uma destilação dos principais elementos que compõe grande parte da carreira da banda, pois aqui encontramos o bom lirismo e torções de Pete Wentz, os vocais surpreendentes de Patrick Stump, as grandes melodias e uma sonoridade significativamente ampla. Stump, a propósito, está ainda melhor nesse álbum, ele é um vocalista inegavelmente talentoso e tem uma voz muito distinta. Seus vocais estão em grande exibição por todo o repertório, assim como as letras são o foco da maioria dele. “American Beauty/American Psycho” é realmente um trabalho meticulosamente trabalhado, com influências que celebram o melhor da música pop em vez de apenas seguir suas tendências. Ele também é relativamente sólido e consistente, além de ser maduro e divertido de se ouvir. A banda está no meio de uma fase de transição, com eles tentando encontrar o seu nicho no gênero pop tradicional e “American Beauty/American Psycho” demonstra que eles estão indo na direção certa.

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Favorite Tracks: “Irresistible”, “Centuries”, “The Kids Aren’t Alright”, “Uma Thurman” e “Novocaine”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.