Resenha: Faith Evans & The Notorious B.I.G. – The King & I

Lançamento: 19/05/2017
Gênero: Hip-Hop, R&B
Gravadora: Rhino Entertainment
Produtores: Battlecat, Beatnick Dee, Chucky Thompson, DJ Premier, Faith Evans, Fredwreck, J. Drew, Sheard II, J. Dub, James Poyser, Just Blaze, Kevin McCall, Lamar “MyGuyMars” Edwards, Preach Bal4, Salaam Remi, Sean “Puff Daddy” Combs e Stevie J.

Há 20 anos a cena do hip-hop foi dominada pela rivalidade das gangues da Costa Oeste e Costa Leste dos Estados Unidos. Na Leste estava The Notorious B.I.G. e o seu rótulo Bad Boy Records situado em Nova York. Enquanto isso, na Oeste 2Pac dominou Los Angeles com o rótulo Death Row Records. Ambas estrelas do rap acabaram perdendo a vida por causa de uma bala. Provavelmente, essa geração atual não faz ideia de quem eram as lendas que dominavam o hip-hop nos anos 90. Essa geração não sabe quase nada sobre as verdades abordadas nas letras de artistas como Nas, Jay-Z, Rakim, Busta Rhymes e, acima de todos eles, The Notorious B.I.G. O seu talento e olhar perspicaz fez dele um dos artistas mais vendidos do hip-hop da Costa Leste. E, no meio de tudo isso, tínhamos Faith Evans, a cantora considerada a Primeira Dama da Bad Boy Records. Evans era esposa de B.I.G. e chegou a trabalhar com o seu marido algumas vezes, antes de sua morte em 1997. Ela era uma das mulheres mais talentosas da Bad Boy, enquanto o seu casamento com Biggie foi um dos assuntos mais comentados da época. Durante o casamento e, mesmo depois da morte de B.I.G., ela sempre o considerou o “Rei do Hip-Hop”. Antes de fazer a resenha deste álbum, eu precisava falar um pouco dos anos tumultuados que teve a indústria do hip-hop na década de 90. Lançado em 19 de maio de 2017, “The King & I” é um álbum colaborativo entre Faith Evans e o seu falecido marido, Christopher Wallace aka Biggie.

É um registro que tenta nos levar de volta para uma época de ouro do hip-hop, ao passo que fala sobre a vida pessoal de Evans e Biggie. O disco foi lançado no ano que completou 20 anos da morte de Biggie. Através desse registro, a cantora tenta mostrar o quanto respeita e honra o rapper. A vibração do álbum é talvez o seu melhor recurso. Para a sua produção foram chamados alguns produtores A-list, tais como DJ Premier, Puff Dady e Just Blaze. Normalmente, quando algum artista lança músicas póstumas eles atingem uma nota amarga. E com Faith Evans não foi diferente. Com certeza, ela sabia que lançar um álbum póstumo é um negócio extremamente arriscado. Porque não é apenas questões éticas que estão em jogo. Faith Evans buscou faixas de décadas atrás para formar o repertório. Isto tornou “The King & I” um material perigoso para Evans, que comprometeu-se em defender o legado de sua união com Biggie. O álbum funciona melhor quando Faith lida com o refrão, enquanto se reúne com velhos amigos, tais como Busta Rhymes, Snoop Dogg, Lil’ Kim, 112 e Jadakiss. Curiosamente, as canções soam ruins exatamente quando ela e o falecido marido tentam alguma química vocal. Em muitas das faixas, como “Don’t Test Me”, Faith se sente um pouco presa e incapaz de soltar os seus vocais verdadeiramente. É uma canção numa chave menor e ancorada por tambores empoeirados. Evans oferece alguns bons vocais, mas parece fora de sintonia com Biggie Smalls.

Ademais, o registro é desnecessariamente longo, e acaba ultrapassando a marca de 1 hora de duração. A apropriada primeira faixa, “Legacy”, encaixa-se bem no cenário da história entre Faith e Biggie. É provavelmente a canção mais forte do álbum. Parece um retorno adequado aos dias de glória do hip-hop dos anos 90. O produtor Stevie J conseguiu combinar os vocais de Faith e Biggie sobre uma produção descontraída e nostálgica, sem soar muito datada ou arrogante. “Ten Wife Commandments” também é atraente, talvez porque possui um conceito já visto muitos vezes antes. É um banger acentuado por uma programação de bateria e ótimos vocais de Faith Evans. Da mesma forma, “Fool for You” dá à cantora uma de suas melhores performances vocais dos últimos anos. Ela consegue flexionar sua voz de uma forma impressionante, enquanto lida com elementos gospel. Em “When We Party”, ela convidou Snoop Doog para participar. Uma faixa West Coast hip-hop divertida e bem articulada, que prova que Snoop e Biggie poderiam ter feito boas músicas no passado. Enquanto Faith Evans está na vanguarda da maior parte do álbum, ela novamente desempenha um papel de destaque aqui. “Tryna Get By”, por sua vez, é outro momento intrigante e exuberante, com vastas vibrações de soul, R&B e hip-hop clássico. “Somebody Knows”, com Busta Rhymes, é uma canção significativa porque questiona quem matou The Notorious B.I.G.

Dada a natureza nostálgica desse disco, ela torna-se uma faixa muito interessante. Em “NYC”, com Jadakiss, temos um rap da East Coast hip-hop e uma boa produção de DJ Premier. A maneira como The Notorious B.I.G. foi incorporado nessa canção soa incrível. Igualmente, Jadakiss foi um ajuste perfeito com suas rimas resistentes e voz aguda. Além disso, é uma faixa que dá aos ouvintes uma ideia do que a cidade de Nova York significa para Faith Evans. O amor inegável que Faith teve por Biggie é consistente ao longo de cada música. “The King & I” tem um sentimento e propósito maior do que apenas sucesso comercial. Ele conta a história do casamento entre The Notorious B.I.G. e Faith Evans. No entanto, nem todas as músicas são realmente dignas ou de grande apelo. Durante a review eu citei apenas as músicas que realmente me chamaram atenção. Ou seja, foram pouquíssimas faixas, dado o grande comprimento do álbum. É um conjunto exageradamente longo que aproxima-se dos 80 minutos de duração. Algo muito raro para os dias de hoje. Este não é um álbum clássico de Faith Evans, muito menos um material clássico de Biggie Smalls. Soa como um álbum qualquer. Como muitos álbuns póstumos, “The King & I” soa desajeitado, mal editado e sonoramente artificial. Ele é basicamente formado por versos que você já ouviu um bilhão de vezes antes, com algumas linhas recentes e sem qualquer novidade surpreendente.

Favorite Tracks: “Legacy”, “Somebody Knows (feat. Busta Rhymes)” e “NYC (feat. Jadakiss)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.