Resenha: Faith Evans – Incomparable

Lançamento: 24/11/2014
Gênero: R&B
Gravadora: Prolific Music Group
Produtores: Faith Evans, G’harah “PK” Degeddingseze, Steve Russell Harts, Jimmy Rodgers, Mike City, Chucky Thompson, Andre “AJ” Johnson, Ben Briggs III, Lamar “Mars” Edwards, Brian Alexander Morgan, The Futuristiks e Darren Henson & Keith Pelzer.

Em 24 de novembro de 2014, a cantora Faith Evans lançou o seu sexto álbum de estúdio, sob o título “Incomparable”. Evans começou sua carreira musical em 1994, como a primeira artista feminina contratada da gravadora Bad Boy Entertainment, do rapper Sean Combs (Puff Daddy, P. Diddy, Diddy). Ela lançou três discos pela Bad Boy, até encerrar o seu contrato e assinar com a Capitol Records em 2003. Atualmente, é artista da gravadora independente Prolific Music Group, pela qual lançou o seu mais novo trabalho. Faith Evans também é conhecida por ser a viúva do rapper The Notorious B.I.G., com quem se casou em agosto de 1994. Mais tarde, em 1997, ela dominou vários noticiários da época, após o assassinato de Notorious B.I.G. em um tiroteio em Los Angeles. No mesmo ano, Evans ao lado de Puff Diddy e o grupo 112, fizeram um tributo para The Notorious B.I.G. na canção “I’ll Be Missing You”.

A música fez um enorme sucesso no mundo todo e ainda lhe rendeu um Grammy Award em 1998. “Incomparable” contém 16 faixas e alguns convidados, como Missy Elliott, Problem, Keke Wyatt, Karen Clark-Sheard e Sharaya J. É o seu melhor trabalho desde o “The First Lady”, lançado há 10 anos, o que me surpreendeu positivamente. Com um repertório totalmente focado no R&B contemporâneo, o disco conta a história de sua vida romântica pós-divórcio. Esta é a primeira vez que ela lança um disco estando legitimamente solteira, depois de ter sido casada a maior parte de sua vida adulta. Ela estava com o segundo marido, após ter sido casada com Notorious B.I.G. de 1994 à 1997. Em entrevistas recentes, Evans anunciou que está pensando em lançar um álbum de duetos com Notorious B.I.G., um disco que iria incluir material inédito do falecido rapper.

Musicalmente, o “Incomparable” não vai muito longe do que já esperávamos da cantora. Ela fez o que faz bem, pois muitas das canções presentes aqui, são uma reminiscência dos tempos de ouro do R&B e hip hop da década de 1990. O álbum começa com um prelúdio que, em seguida, vai para a atrevida “Thank You Good Night”, uma canção soulful que define o tom para o restante do repertório. Na segunda faixa, “Extraordinary”, um dos pontos altos do disco, Evans nos leva de volta às suas raízes da velha escola R&B. Na letra ela fala sobre a vontade de conhecer determinado cara, porque ele parece bom demais para ser verdade. O primeiro single do álbum foi a ótima “I Deserve It”, uma colaboração com Missy Elliott e Sharaya J. Essa possui amostras suaves de “To Be Young, Gifted and Black”, canção originalmente interpretada por Nina Simone e, mais tarde, por Aretha Franklin.

Faith Evans (1)

A mid-tempo “Really Wanna Do” possui um ritmo agradável, porém, seu conteúdo lírico é muito despretensioso. Na letra, apenas ouvimos a cantora falar sobre a vontade de transar com um homem. Os estalos de dedos do interlúdio “Take Your Time” aparecem para anteceder uma das melhores faixas do repertorio, a ótima “Fragile”. Essa foi executada com uma brilhante instrumentação ao vivo e possui uma energia maravilhosa. O seu refrão é encantador, liricamente, bem triste: “Quero saber se eu posso confiar em você com meu coração / Meu coração é tão frágil baby”. A faixa-título, “Incomparable”, produzida por Brian Alexander Morgan (conhecido por seus trabalhos com o grupo SWV), é outro destaque, principalmente por causa de sua interessante vibração oitentista. O interlúdio “Ride The Beat” possui uma batida muito cativante que prepara o terreno para a próxima canção.

“Make Love”, com KeKe Wyatt, é aquele tipo de música que encanta graças ao seu grande nível de intensidade. A décima faixa, “Good Time”, por sua vez, é uma parceria com o rapper Problem. É uma mudança de ritmo bem-vinda para o álbum, visto que acrescenta algo novo para o repertório, em vez de ser um possível enchimento. A mid-tempo “Forever”, faixa seguinte, prova ser a vitrine perfeita para o soprano farto de Faith Evans. Enquanto isso, “Ever Go Away” lembra fortemente o seu álbum de estreia, assim como é o típico som que se fez presente na maior parte de sua carreira. Os vocais de fundo ficaram bem apropriados, enquanto a melodia é agradável e as harmonias bem sólidas. “He Is” não é tão forte como os principais destaques do álbum, mas é um número emotivo, orgânico e com boas influências gospel. “Ele é meu melhor amigo / A única maneira de descrever / Porque ele está na minha vida / Ele é meu tudo”, ela declara em um dos versos.

“Paradise”, com o cantor B. Slade e a lendária cantora gospel Karen Clark Sheard, é outro esforço agradável que consegue transmitir uma bonita mensagem. A penúltima faixa, “Thank You’s (Outro)”, é uma música bastante autobiográfica, enquanto “Maybe”, que havia vazado anos atrás, foi reconstruída, polida e entrou como faixa de encerramento. A qualidade desse material, basicamente, foi uma combinação de seu trabalho na televisão, do amadurecimento e o estabelecimento do seu próprio selo. Logo, ela soa mais livre e direta do que nunca, mesmo lidando com questões interpessoais. O único equívoco foi o excesso de confiança e o total controle criativo, porque em alguns momentos, isso desarticulou uma música da outra. Sim, é um ótimo álbum e acrescentou algo positivo no seu legado, mesmo não estando no mesmo nível de suas obras mais célebres.

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Best Tracks: “Extraordinary”, “Fragile”, “Incomparable”, “Make Love (feat. Keke Wyatt)” e “Forever”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.