Resenha: Example – Live Life Living

Lançamento: 07/07/2014
Gênero: EDM
Gravadora: Epic Records
Produtores: Alex Smith, Critikal, Example, Fraser T. Smith, Steve Hill, Sheldrake, Stuart Price e Jakob Liedholm.

Example, nome artístico de Elliot John Gleave, é um artista de música eletrônica que destacou-se atrevidamente com “Won’t Go Quietly” (2010), seu ótimo segundo álbum de estúdio. Rapidamente, transformou-se em um artista de muitos hinos que dominam as discotecas e festivais do Reino Unido. Em 2014, ele lançou o seu quinto álbum de estúdio, “Live Life Living”, que já teve quatro singles oficiais: “All the Wrong Places”, “Kids Again”, “One More Day (Stay with Me)” e “10 Million People”. Example descreveu o álbum em uma entrevista como “bastante escuro, resistente e retorcido”, ao passo que não usou tanto o seu rap como de costume. Cada faixa possui um estilo variado, algo instantaneamente cativante, porém, um pouco enjoativo. O álbum é claramente uma homenagem energética à cultura rave dos anos 90, com Example usando todos os gêneros e sub-gêneros desta época. “Eu escrevi isso quando eu estava hospedado em Beverley Hills com Stuart Price, que produziu algumas faixas do álbum. Essa canção é sobre os meus companheiros, que trabalham duro o ano todo, em seguida, partem para um final de semana em Ibiza. Eles desabafam nestes grandes fins de semanas e esquecem-se do mundo, é sobre isso que essa canção fala”, ele disse sobre a faixa “Next Year”. Uma música ousada que invoca o melhor do seu dance dramático e nervoso. “Kids Again”, faixa lançada como segundo single, é uma das mais fortes do repertório. Uma canção divertida, radio-friendly e uma boa representação da direção artística que Elliot Gleave tomou.

A terceira faixa, “One More Day (Stay with Me)”, é totalmente emitida com base nos sons dos anos 90, com um clássico refrão house no piano. “10 Million People”, por outro lado, é uma faixa EDM repetitiva com melodias genéricas e alguns versos de rap. Não tem nada de excepcional, entretanto, é grudenta e pode ser considerada uma boa escolha para single. Por outro lado, “Only Human” é uma faixa eletrônica e dubstep, com sintetizadores estilo Pet Shop Boys e vocais que lembram o Oasis. É facilmente um dos destaques, pois encaixou-se perfeitamente no álbum e conseguiu mostrar a versatilidade de Example. “Seen You” é outra referência ao house dos anos 90, inspirada pelo hit “Let Me Be Your Fantasy” do grupo Baby D, enquanto “Can’t Face the World Alone” possui um lindo instrumental que mostra o lado mais suave do cantor. A faixa-título, “Live Life Living”, foi dedicada à sua esposa com quem se casou em maio de 2013. Uma canção divertida que acrescenta uma sensação de vulnerabilidade e profundidade muitas vezes perdidas entre suas produções. O seu único e maior problema é a dificuldade de transição entre os versos, que parecem não encaixar com a melodia EDM. O carro-chefe do álbum foi o eurodance “All the Wrong Places”, uma faixa que soa muito semelhante a “Changed the Way You Kiss Me”, embora muito inferior a mesma. Os vocais de Example estão fracos e, mesmo com toda a euforia da música, ele definitivamente não conseguiu dar o melhor do seu vocal.

A faixa seguinte, “Take Me as I Am”, contém influências da banda The Prodigy e apresenta vocais e letras consistentes, juntamente com uma intensa melodia eletrônica. Uma canção de qualidade que peca apenas pela falta de coerência, pois em alguns momentos soa como se fosse duas músicas completamente diferentes. Enquanto isso, a penúltima faixa, “At Night”, fornece um momento de reflexão e serenidade. Possui boas vibrações eletrônicas, letras intensas e uma clara homenagem ao duo Chemical Brothers. “Longest Goodbye”, por sua vez, é sobre Example tentando entender o que estava passando pela cabeça de seu amigo quando ele tirou a própria vida. É uma faixa obscura com um significado grande e profundo. Por este motivo, ela não encaixa-se tão bem com as faixas mais otimistas do álbum. De qualquer maneira, foi uma mudança bem-vinda e um toque agradável para encerrar a versão padrão do registro. No geral, Example ofereceu um material com muito influência dos anos 90, mesmo sem trazer nada de novo ou de muito interessante. Em suma, obteve um resultado mais positivo do que negativo. Não podemos negar que está cheio de letras clichês e produções estereotipadas, mas Example parece de fato ter se apaixonado pelo deep-house e cultura rave da década de 90. Consequentemente, podemos dizer que ele conseguiu entregar um trabalho honesto. Os diversos gêneros que ele experimentou fez o álbum vir recheado de músicas feitas para as pistas de dança. Ademais, demonstrou a capacidade de Example para escrever refrões pegajosos que ecoariam facilmente por arenas e festivas do mundo todo.

62

Favorite Tracks: “Kids Again”, “One More Day (Stay with Me)” e “Only Human”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.