Resenha: Eric Clapton – I Still Do

Lançamento: 20/05/2016
Gênero: Blues, Rock, Folk
Gravadora: Surfdog Records
Produtor: Glyn Johns.

Com uma carreira de 50 anos, o lendário guitarrista britânico Eric Clapton, lançou um novo álbum em 2016. Intitulado “I Still Do”, o disco contém 12 faixas e motivos suficientes para fazer parte do seu legado. Clapton é o único artista a ser incluído três vezes no Rock Roll Hall of Fame, uma vez como artista solo e como membro das bandas The Yardbirds e Cream. Ele é, indiscutivelmente, um dos mais importantes e influentes guitarristas de todos os tempos. Lançado pela Surfdog Records e produzido por Glyn Johns, o disco apresenta uma combinação de novos materiais e versões covers de clássicas canções. Um álbum composto principalmente sob o olhar em discos clássicos de blues, que chamou atenção de Clapton no início dos anos 60. Nesta fase de sua carreira, é justo dizer que Clapton já fez praticamente tudo que poderia fazer na música.

Em “Still I Do” ele fornece uma quantidade certeira de guitarra elétrica e piano. Aqui, o astro britânico soa completamente confortável e muito autêntico. Encontramos um Eric Clapton em boa forma, com vocais fortes e tocando com muita elegância e confiança. “Alabama Woman Blues”, originalmente de Leroy Carr, abre o álbum com guitarras elétricas em torno de um piano, órgão e acordeão. Essa canção é um terreno muito bom para a faixa seguinte, “Can’t Let You Do It”, de JJ Cale. Muitos artistas já cobriram esta música, porém, aparentemente, ninguém fez isso melhor que Clapton. “I Will Be There” é um número acústico, com uma grande sensação de mistério em sua borda. Um colaborador nomeado de Angelo Mysterioso canta o segundo verso solo e adiciona algumas harmonias. Esse apelido foi usado pela primeira vez por George Harrison, quando ele gravou anonimamente com o grupo Cream em 1969.

Dessa vez, muitos acreditam que seja o filho de George, Dhani Harrison. Independentemente da curiosidade pela verdadeira identidade de Angelo Mysterioso, a certeza que temos é que “I Will Be There” é um esforço suave e agradável, conduzido por uma ótima guitarra acústica. A faixa “Spiral”, enigmaticamente intitulada, apresenta uma bela e apaixonada guitarra como acompanhamento principal. Escrita com Andy Fairweather Low e Simon Climie, essa é uma das canções de autoria de Eric Clapton. Aparentemente, a letra fala sobre o dom da música, com versos como: “Você não sabe o quanto isso significa / Para ter esta música em mim / Eu só continuo a tocar este blues / Esperando que eu não perda / Eu continuo tocando minha música”. Sem grandes surpresas, essa faixa possui uma das mais ousadas guitarras do disco.

Eric Clapton

Após a bem trabalhada “Spiral”, temos a faixa “Catch the Blues”. Sob acordes acústicos e solos minimalistas, temos a voz de Clapton e alguns backing vocals ofegantes. A percussão é mais leve, atenuada e, consequentemente, cria uma delicada ranhura. “Cypress Grove”, cover de Skip James, é algo perfeitamente de acordo com as raízes de Clapton. Aqui, ao lado de elegantes solos e um acordeão, o britânico inclina-se completamente para o blues. Igualmente impressionante é a faixa acústica “Little Man, You’ve Had a Busy Day”, onde é muito perceptível o porquê Clapton é considerado um dos melhores guitarristas da indústria. É preciso muitas habilidades para tocar dessa forma. O violão e o baixo de acompanhamento acentuam o sentimento morno e afetuoso desta canção. É a mais curta e, muito possivelmente, a faixa mais doce do álbum. Em “Stones in My Passway”, cover de Robert Johnson, Clapton exibe prazer tanto nos vocais como em sua forma de tocar a guitarra.

Dessa forma, ele acaba sugerindo que este registro poderia ter sido uma sequela do “From the Cradle” (1994). Essa mistura sólida de novas canções e covers segue com “I Dreamed I Saw St. Augustine” do icônico Bob Dylan. Enquanto a versão original de Dylan era escassa, Clapton acrescentou uma leve percussão e algumas delicadas harmonias na gaita e acordeão. Esse cover prova que músicas antigas podem ser atemporais e sobrevivem ano após ano. Em seguida, Clapton junta-se a Michelle John e Sharon White em uma versão gospel, quase fúnebre, de “I’ll Be Alright”. O outro cover de JJ Cale, “Somebody’s Knockin'”, é derivado de uma estrutura de doze compassos, um estilo que, se fosse mais prevalente, poderia ter rendido números ainda mais fortes. Essa canção abrange um dos seus melhores solos no disco.

A última faixa, “I’ll Be Seeing You”, famosa na voz de Billie Holiday, é um número sentimental, lento e muito bonito. Algumas de suas letras resume o álbum e termina com uma nota positiva: “Encontrarei você / No sol da manhã / E ao cair da noite / Estarei olhando a lua / Mas estarei vendo você”. Aos 71 anos, Eric Clapton ainda não demonstra qualquer sinal de abrandamento. “I Still Do” é uma coleção notável de simples e honestas canções de blues-rock. Com esse lançamento, claramente, Clapton sente que não tem mais nada a provar. Dada sua grande história na música, como um dos grandes deuses da guitarra, ele realmente está em outro nível. Sua voz ainda é forte e sua guitarra emocionalmente brilhante. O produtor Glyn Johns fez um bom trabalho ao lado de Clapton, fornecendo uma produção forte e, ao mesmo tempo, bem simpática. Eles permitiram que os instrumentos solo, incluindo o acordeão, se destacassem por si só.

72

Favorite Tracks: “Alabama Woman Blues”, “I Will Be There” (feat. Angelo Mysterioso)”, “Spiral”, “Little Man, You’ve Had a Busy Day” e “I Dreamed I Saw St. Augustine”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.