Resenha: Enigma – The Fall of a Rebel Angel

Lançamento: 11/11/2016
Gênero: New Age, Pop, Eletrônica, Synthpop
Gravadora: Island Records
Produtor: Michael Cretu.

Enigma é um projeto musical alemão fundado em 1990 pelo músico e produtor Michael Cretu. Ele lançou vários discos solo e colaborou com vários artistas, antes de ter a ideia de um projeto new age. Cretu gravou o primeiro álbum de estúdio do Enigma, “MCMXC a.D.” (1990), com contribuições de David Fairstein e Frank Peterson. O álbum continua sendo o maior do Enigma, graças ao sucesso do single internacional “Sadeness (Part I)”, um hit dance que contém vocais em latim e francês. De acordo com Cretu, a inspiração para a criação do Enigma veio do seu desejo de fazer músicas que não obedeciam regras e hábitos. Quando Michael Cretu resolveu criar o Enigma ele literalmente injetou algo inovador na música eletrônica, por conta dos cantos gregorianos. A partir do momento que Enigma deixou de ter o mesmo sucesso dos anos 90, foi fácil esquecer o que Michael Cretu fez durante os últimos anos.

Depois de sua ausência por oito anos, preenchida apenas por um single em 2010, Enigma retornou com seu oitavo álbum de estúdio, intitulado “The Fall of a Rebel Angel”. Com este disco, Michael Cretu não pisa em qualquer novo território. Ele mistura suas familiares batidas refrigeradas com um tom eletrônico inofensivo. Mas, apesar de qualquer falta de inovação, é fácil apreciar as canções deste álbum. Algumas músicas são pouco memoráveis, entretanto, no geral, o álbum é coeso e divertido. Quando as influências clássicas e religiosas de Cretu destacam-se, ele consegue se aproximar da magia dos primeiros álbum do Enigma. Mesmo sendo um disco conceitual, “The Fall of Rebel Angel” evita ser excessivamente longo ou muito denso. Entre os convidados do álbum, temos o brasileiro Mark Josher, a indonésia Anggun e o duo inglês Aquilo. O registro abre com as palavras atmosféricas de “Circle Eight”, com vocais fornecidos por Nanuk.

enigma

Rapidamente, essa introdução cai na percussão eletrônica de “The Omega Point”. Essa canção apresenta uma sequência de notas que surge em todo o álbum. Ela serve quase como um ponto de referência para o restante do disco. Aqui há distorções vocais e, depois de uma pausa, termina fortemente com seus intrigantes sons. Os vocais de Mark Josher em “The Die Is Cast” estão bastante suaves, embora a canção seja muito padronizada. Entre outros artistas de destaque, temos o bom desempenho de Anggun no single “Sadeness (Part II)”. Além disso, ela ainda colabora com Cretu nas faixas “Mother” e “Oxygen Red”. Como já mencionado, “Sadeness (Part I)” colocou uma melodia sensual e os cantos gregorianos do Enigma no centro das atenções em 1990. “Sadeness (Part II)”, por sua vez, fornece um órgão e pesadas influências da música clássica para fazer jus ao legado de “Sadeness (Part I)”.

O duo Aquilo fornece um pouco de brilho na faixa de encerramento “Amen”. Lançada como segundo single do álbum, é uma canção decente com vocais incrivelmente bonitos. “The Fall of Rebel Angel” é bem ambicioso e tenta dar para o ouvinte algo maior do que o esperado. É um álbum com uma grande carga de nostalgia dos anos 90, por isso deve ter agradado os fãs casuais do Enigma. É um registro que serve bem como música de fundo, mesmo apresentando uma narrativa teatral e coerente. Não dá para negar que temos alguns número de enchimento no seu interior. Além disso, falta uma maior dinâmica para prender a atenção do ouvinte. Enigma sempre foi um ato de um determinado nicho, e “The Fall of Rebel Angel” certamente não faz nada para alterar esse fato. Por fim, é um bom álbum, mas que não excede qualquer expectativa.

64

Favorite Tracks: “The Omega Point”, “The Die Is Cast” e “Sadeness (Part II) [feat. Anggun]”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Rodrigo Sá

    Esse disco é fantástico!! Relembra muito os discos da década de 90. Cretu sempre fazendo um trabalho melhor que o outro.

    • Leo

      Verdade Rodrigo, lembra muito os anos 90!