Resenha: Emeli Sandé – Long Live the Angels

Lançamento: 11/11/2016
Gênero: R&B, Soul
Gravadora: Virgin Records
Produtores: Emeli Sandé, Jonny Coffer, Chris Loco, Mac & Phil, Mojam, Naughty Boy, ProducerWez, Rachet, Shakaveli e TMS.

Quase cinco anos depois de lançar o seu álbum de estreia, “Our Version of Events”, Emeli Sandé retornou com um novo material, intitulado “Long Live the Angels”. Esse tempo sem lançar nada de novo foi uma jogada inteligente por parte da cantora, uma vez que “Our Version of Events” continuou vendendo bastante e sendo utilizado como trilha sonora para uma variedade de grandes eventos nos anos seguintes. “Long Live the Angels” é exatamente como o seu segundo álbum deveria ser, ou seja, é suave, profundo e joga com seus pontos fortes. É um disco puramente soulful e cru, mas também com alguns aspectos de pop e gospel. Quinze faixas trazem o melhor da voz de Emeli Sandé, lembrando ao público do porquê ela ser tão reverenciada. Ela é uma cantora que nunca permite que a produção de suas músicas engulam a sua voz e talento.

Sandé está no seu melhor quando deixa a sua sedosa voz brilhar. Um bom exemplo disso pode ser ouvido em “Happen”, terceira faixa do álbum. Uma balada crua e emocional, tocada por belas cordas e sinfonias. “Long Live the Angels” explora a identidade de Emeli Sandé. Ele conta a sua história, enquanto faz uma viagem por sua vida. A cantora, atualmente com 29 anos de idade, tornou-se popular ao colaborar com Chipmunk em “Diamond Rings”. Mais tarde, seu álbum de estreia foi um sucesso e vendeu mais de 2,2 milhões de cópias somente no Reino Unido. Com “Long Live the Angels” é fácil o ouvinte se perder nos ricos vocais de Emeli, frequentes corais e na instrumentação mínima que, muitas vezes, é orquestral. “Selah” começa o álbum com um tom poderoso, linda voz e uma arrepiante harmonização.

É uma música calma e perturbadora que define o clima do álbum. A segunda faixa, “Breathing Underwater”, é uma das melhores canções do álbum. Uma balada R&B e soul, extremamente esperançosa sobre perceber que você pode viver sem a pessoa que ama. Acordes gospel, batida de palmas e vastas orquestras apoiam Emeli Sandé, enquanto coros cantam: “Algo como liberdade, liberdade / Meu Deus, estou respirando debaixo d’água”. Algumas faixas realmente conseguem encontrar um equilíbrio ideal, como por exemplo “Hurts”. O primeiro single deste álbum soa urgente com sua batida e seção de rápidos metais. Um número pop e R&B que impressiona pela força de sua voz, constante aplausos e refrão poderoso. “Baby, eu não sou feita de pedra / Isso dói / Te amar do jeito que eu amo / Isso dói”, ela canta aqui.

Nessa música, Emeli não canta em seu tom habitual, em vez disso demonstra intensidade e raiva. Desde a abertura com sintetizadores escuros até o apoio coral, cordas e orquestração abundante, “Hurts” se mostra promissora. Em seguida, a adorável “Give Me Something” transita por uma rota acústica, enquanto soa poderosa, emocional e doce. “Shakes” é bem parecida, entretanto, em vez da guitarra opta pela utilização de um piano e cordas orquestrais. “Garden”, com Jay Electronica e Áine Zion, oferece uma mudança drástica na tonalidade do álbum, com uma abordagem mais pop e contemporânea. Seu aceno para o hip-hop é bem executado, entretanto, sente-se em desacordo com a paisagem sonora das outras faixas. Ela flui com sintetizadores ao fundo, embora o verso de rap não lhe sirva bem. A próxima faixa, “I’d Rather Not”, também apresenta tons de hip-hop na bateria.

Ambas faixas não se enquadram bem no contexto do registro, em comparação com as outras canções mais soulful. A última música do álbum, “Babe”, e algumas faixas bônus, são outras que também vagueiam por esse território. “Sweet Architect”, por outro lado, utiliza apenas piano e vocais, além de belos corais e um órgão para adicionar alguma profundidade. Em seguida, “Tenderly” começa com cordas de guitarra, ao mesmo tempo que Sandé canta sobre não estar sozinha. Nessa música a britânica é acompanhada por The Serenje Choir e Joel Sandé, que são seus primos e pai. “Me ame com ternura / Por que você não me toca ternamente, está frio lá fora”, não é sobre ser amada por um homem, mas sim ter família e amigos que estão sempre ao seu lado. Essa canção é um aceno para suas raízes zambianas sobre uma vibração gospel.

A partir daqui, o humor do disco torna-se mais leve e despreocupado. A penúltima faixa, “Highs & Lows”, oferece um pop mais padrão com uma forte linha de baixo e batida dançante. É uma canção energética e bem divertida. “Long Live the Angels” é um disco emocionalmente cru e com uma ótima produção. No entanto, nada nele é mais impressionante que a própria voz de Emeli Sandé. Não podemos negar que, atualmente, ela é uma das maiores cantoras de soul contemporâneo do Reino Unido. “Long Live the Angels”, diferente do seu antecessor, aparentemente não terá um grande impacto ou enorme sucesso comercial. Mas é, indiscutivelmente, um disco muito eficaz e emocional. A originalidade de seu som é algo que chama atenção. Pois aqui temos forte presença de suas raízes zambianas, com sua família cantando no fundo, e toda força de sua bela voz souful.

Favorite Tracks: “Breathing Underwater”, “Hurts” e “Highs & Lows”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.