Resenha: Ella Henderson – Chapter One

Lançamento: 10/10/2014
Gênero: Pop, Soul
Gravadora: Syco Music
Produtores: Steve Mac, Steve Robson, Toby Smith, Ryan Tedder, TMS, Dapo Torimiro e Noel Zancanella.

A britânica Ella Henderson, sexta colocada na nona temporada do reality show The X-Factor, lançou em outubro de 2014 o seu primeiro álbum de estúdio. Intitulado “Chapter One”, o disco foi lançado através da gravadora Syco Music e precedido pelo single “Ghost” (produção de Ryan Tedder). A música fez muito sucesso no Reino Unido, onde alcançou o topo da parada de singles e permaneceu por oito semanas consecutivas no top 5. “Chapter One” também atingiu a primeira posição no Reino Unido em sua semana de lançamento e já recebeu certificado de platina pelas 300 mil cópias comercializadas. Desde a sua inesperada saída do The X-Factor, muitos esperavam ansiosamente o lançamento do seu álbum de estreia.

Nada mais natural, afinal, Henderson era considerada uma das favoritas para vencer o programa, que, posteriormente, teve como vencedor o cantor James Arthur. “Ghost” foi a escolha perfeita para abrir o álbum. Um número pop de alta energia, com versos incrivelmente fortes e irresistíveis. Foi merecidamente muito elogiada por rádios, programas de TV e críticos internacionais, visto que é um single de estreia brilhante. Com essa música, Henderson conseguiu mostrar o seu poderoso alcance vocal e ainda trouxe um refrão cativante o suficiente. “Empire”, por sua vez, é uma poderosa balada que, apesar de ter um ambiente com sintetizadores, deu a Ella Henderson a oportunidade de cantar com uma vulnerabilidade apaixonante.

O seu clímax mais elevado e vocais delicados, a tornou em uma das faixas mais fortes do registro. A segunda música de trabalho do “Chapter One” foi a eufórica “Glow”, única faixa onde Henderson não colaborou na escrita. É construída através de leves sintetizadores, até chegar em um explosivo refrão, que é tão viciante quanto o do primeiro single. “Yours”, quarta faixa, é uma balada mais simples que começa apenas com o apoio de um piano. É encantadora, porém, não tão marcante como as primeiras canções. “Mirror Man” é um dos números mais interessantes do álbum, em especial por causa da sua maravilhosa vibe retrô. Aqui, a cantora fala sobre o seu vaidoso ex-namorado (“E então eu pensei que seus olhos estavam fixos em mim / Mas agora eu sei a si mesmo é tudo o que você quer ver”).

Ella Henderson

Essa vibração retrô, inspirada nos anos 1960, juntamente com o badalado riff de guitarra, colaborou para a criação de uma das melhores canções do registro. Esse ritmo também permanece na faixa seguinte, “Hard Work”, porém, de uma forma mais refrescante e descontraída. O amável refrão, os vocais mais suaves e o ótimo violão, fizeram um bom trabalho aqui. Indo na direção contrária, a canção “Pieces” chega para trazer de volta o som energético e explosivo do início do álbum, enquanto a oitava faixa, “The First Time”, mostra o talento especial de Henderson para transformar desprezo em um número pop eficaz. Temos um pouco de soul presente em “The First Time”, tanto em sua instrumentação como na estrutura da melodia que, inclusive, nos remete à algumas canções do disco de estreia de Leona Lewis.

“All Again” é outra balada com vocais no ponto, entretanto, apesar da sua inclusão ter sido bem aproveitada, é um número um pouco esquecível. “Give Your Heart Away”, décima faixa, cairia muito bem na voz da cantora P!nk, mas também é uma vitrine certeira para quem quer conhecer o som de Ella Henderson. O pop comercial de “Rockets” é alegre e indiscutivelmente muito cativante. Uma mudança bem-vinda, pois sua posição na tracklist, as batidas e o doce refrão, ajudaram a quebrar o clima mais sério das baladas. O piano em “Lay Down”, por sua vez, é jogado maravilhosamente bem, algo que ajudou a criar um ótimo cenário para o vocal exuberante e mais cru da cantora. O disco finaliza com “Missed”, canção escrita por ela aos 16 anos e cantada no seu teste para o The X-Factor.

A versão de estúdio, polida pelos produtores Jamie Scott e Toby Smith, ficou ainda mais especial, pois é performada lindamente apenas com o apoio do piano e de algumas cordas adicionais. Ella Henderson tem apenas 19 anos, mas já demonstra ser uma grande artista, com vocais impressionantes e cheios de nuances. A maneira como ela se entregou nesse material é incrível, tanto que conseguiu criar uma bela coleção de jóias musicais. Um álbum melódico, sincero e um trabalho notável para uma artista que está no início de sua carreira. É realmente uma estreia promissora e digna de muito reconhecimento. O único problema que consegui destacar no álbum, foi que duas ou três baladas não são tão fortes quanto deveriam ser. O “Chapter One” tem a sua parcela emocionante, mas, definitivamente, as músicas agitadas e explosivas chamam muito mais atenção.

71

Favorite Tracks: “Ghost”, “Glow”, “Mirror Man”, “Pieces” e “The First Time”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.