Resenha: Ed Sheeran – x

Lançamento: 20/06/2014
Gênero: Pop, R&B, Hip-Hop, Folk, Soul
Gravadora: Asylum / Atlantic Records
Produtores: Benny Blanco, Jeff Bhasker, Peter Cobbin, Ed Sheeran, Jake Gosling, Rick Rubin, Johnny McDaid, Kirsty Whalley e Pharrell Williams.

O britânico Ed Sheeran lançou em junho de 2014 o seu segundo álbum de estúdio, intitulado “x” (Multiply). O seu primeiro álbum, “+” (Plus), foi um enorme sucesso em vendas e ultrapassou a marca de 1,8 milhões de cópias no Reino Unido. Vencedor de dois BRIT Awards e indicado a “Best New Artist” no Grammy de 2013, Ed Sheeran está sendo muito elogiado por críticos da indústria. Consequentemente, “x” está mantendo o sucesso do primeiro álbum, pois em sua semana de estreia conquistou o número #1 em doze países, incluindo os Estados Unidos e Reino Unido. Sheeran possui um vocal acentuado e escrita que conseguem distingui-lo de outros cantores do gênero. E, neste álbum, ele acrescentou elementos de hip-hop e R&B ao folk que o consagrou no primeiro disco. Aqui, ele também foi ainda mais profundo em sentimentos amorosos, ciúmes e embriaguez, além de contar com uma ampla equipe de produtores mundialmente conhecidos, como Rick Rubin e Pharrell Williams. Cada música no “x” sintetiza suas qualidades como músico, com algumas ostentando uma ingenuidade comovente. O seu espírito ousado foi ampliado neste trabalho, principalmente ao fazer boas transições como, por exemplo, entre as pistas “Sing”, inspirada por Justin Timberlake, e “Don’t”. “X” é guiado por um artista faminto que está fazendo todo o possível para elevar-se a um outro nível.

Depois de chegar no cenário mainstream dos Estados Unidos com uma balada, Sheeran conseguiu expandir-se apenas seguindo seus instintos. Quando você é talentoso tem que jogar com seus pontos fortes, e ele sabe disso. Ed Sheeran está definitivamente conquistando uma carreira sólida e equilibrada. Alguns podem falar que esse novo trabalho transmite uma crise de identidade, mas é fascinante ouvi-lo descobrir e experimentar outras estilos. Ele possui um dom para bons refrões e, ao ampliar seus horizontes, entregou números ainda mais dinâmicos. Graças a sucessos como “The a Team” e “Lego House”, ele acumulou uma fã base dedicada e inúmeras indicações à prêmios da indústria musical. E, agora com o “x”, está conquistando ainda mais admiradores, especialmente, nos Estados Unidos. A maioria das pessoas que tem interesse, por menor que seja, na música popular da atualidade já deve ter ouvido suas músicas. As pessoas realmente gostam dele. Talvez por causa disso e da confiança em si mesmo, que ele não teve medo de mudar sua direção musical. É refrescante ouvir alguém disposto a se mover para fora de sua zona de conforto. No “x” Sheeran certamente derivou num som mais urbano, mesmo sendo relativamente surpreendente, dado que Rick Rubin é um produtor influente no álbum. Mas o repertório ainda traz um som sensível, dedilhados sinceros e boas melodias, como na primeira faixa, “One”.

Um folk romântico com vocais calmos, serenos e tecido exatamente como “The a Team”. “Todos os meus sentidos afloram / Quando estou cambaleando para casa mais bêbado / Do que jamais estive, e eu nunca irei embora de novo / Pois você é a única”, ele canta. “I’m a Mess”, assim como a faixa anterior, usa poucos recursos em sua estrutura e fornece um arranjo extremamente simples que mantém as coisas bem organizadas. É uma canção um pouco mais agitada que aborda o sentimento de culpa por ter causado dor em algum coração. A terceira faixa, “Sing”, foi o primeiro single do álbum e é produção de Pharrell Williams. Uma canção inspirada no primeiro trabalho de Justin Timberlake, um dos discos favoritos do próprio Ed Sheeran. Uma canção construída com um riff acústico frenético e falsetes espetaculares. “Don’t”, em uma vibe mais calma que “Sing”, mostra o cantor sem medo de ser explícito. Produzida com Rick Rubin e Benny Blanco, “Don’t” é uma faixa ácida e cativante, que possui uma letra que descreve uma traição por parte de alguém da indústria musical, supostamente a cantora Ellie Gouding. “E eu nunca o vi como uma ameaça / Até que você desapareceu com ele para transar, é claro”, ele canta. “Nina”, por sua vez, é uma canção brincalhona que fornece decentes notas de piano e divertidas guitarras. Também contém elementos de R&B, enquanto sua letra fala sobre você ser o único que pode se ajudar após um término de namoro.

“Amar pode doer / Amar pode doer às vezes / Mas é a única coisa que eu sei”, é com essas palavras que Ed Sheeran inicia “Photograph”. Aqui, o cantor fala sobre um amor que se mantém vivo através de uma fotografia, onde os olhos nunca fecham e os corações nunca sofrem. Co-escrita por Johnny McDaid, pianista e guitarrista do Snow Patrol, é uma bela e calma canção com hesitantes batidas acústicas. Dedilhados de violão e batidas de bateria nos introduzem “Bloodstream”, uma música indie-rock da qual Sheeran demonstra uma certa ingenuidade. A música percorre suavemente com o seu familiar e confiante violão, enquanto ouvimos o cantor implorando para não ficar sozinho. Há referências perturbadoras ao alcoolismo, além de uma vibe gospel que complementa a narração vulnerável do cantor. Em um registro cheio de incertezas românticas, “Tenerlife Sea” chega para fazer o ouvinte se identificar, pois é uma arrepiante canção de amor com vocais bem harmonizados. Enquanto isso, “Runaway” é uma atrevida canção soul também produzida por Pharrell Williams. O vocal e o ritmo dessa faixa é incrível, uma canção que fala sobre o amor incondicional de Sheeran por seu pai. Em seguida, sobre elementos de hip-hop, “The Man” retrata alguém traído e deixado para trás. Aqui o cantor flerta com o cenário urban e faz um rap que, infelizmente, não convenceu.

Por outro lado, “Thinking Out Loud” fica com o posto de melhor canção e também a favorita do próprio Ed Sheeran. Liricamente, ela fala sobre a sua até então atual namorada, sendo descrita por ele como “a única canção feliz do álbum”. Uma doce e perfeita balada blue-eyed soul com curtos sintetizadores fazendo o serviço e um vocal empurrando-a corajosamente para o romance: “Querida, eu te amarei / Até que tenhamos 70 anos / Amor, meu coração ainda se apaixonará tão fácil / Quanto quando tínhamos 23”. A versão padrão do “x” encerra com a emocionante “Afire Love”, uma bela homenagem ao avô do cantor que morreu recentemente, vítima de Alzheimer. Uma canção muito comovente e emocionante, com vocais celestiais que podem arrancar lágrimas: “E meu pai me disse / Filho, não é culpa dele que não te reconhece / E você não é o único”. Apesar de eventuais falhas, “x” já mostrou ser uma evolução e um trabalho mais coeso que o “+”. O seu título, lido como “multiplicar”, já implica como uma progressão positiva em relação ao disco anterior. E está claro que o cantor conseguiu cumprir essa expectativa, pois é um registro adorável. Aqui, temos canções que realmente irão fazer você repensar sobre que tipo de artista é o Ed Sheeran. Entre bons falsetes, letras emocionantes, vocais bem trabalhados e um clássico violão, ele nos presenteou com um ótimo trabalho.

Favorite Tracks: “Sing”, “Photograph” e “Thinking Out Loud”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.