Resenha: Ed Sheeran – ÷

Lançamento: 03/03/2017
Gênero: Pop
Gravadora: Asylum Records / Atlantic Records
Produtores: Ed Sheeran, Benny Blanco, Steve Mac, Johnny McDaid, Will Hicks, Labrinth, Mike Elizondo e KillBeatz.

Depois de concluir a turnê do seu segundo álbum, “x” (Multiply), com três noites lotadas no estádio Wembley em Londres, Ed Sheeran entrou num hiato de um ano. Durante esse tempo, ele escreveu alguns singles de sucesso para outros artistas, incluindo “Love Yourself” (Justin Bieber) e “Cold Water” (Major Lazer). Depois de descansar em 2016, Ed Sheeran retornou com um novo álbum em 2017, intitulado “÷” (Divide). Ele começou a divulgação do álbum lançando dois singles ao mesmo tempo, “Castle on the Hill” e “Shape of You”. Ambas canções conseguiram um enorme sucesso comercial. “Shape of You”, particularmente, alcançou o #1 lugar em inúmeros países, incluindo Estados Unidos, Reino Unido, Canadá e Austrália, Na semana de lançamento, “Divide” colocou todas as 16 faixas no top 20 do principal chart do Reino Unido. Ed Sheeran já fez história com esse álbum. Ficou claro que desde o lançamento de “Shape of You” e “Castle on the Hill”, que esse álbum seria um novo capítulo para o músico britânico.

Seu som é fresco o suficiente para cativar a massa. No “Divide” ele foi auxiliado por produtores familiares, como Benny Blanco e Johnny McDaid, além de Labrinth e Steve Mac. Sheeran optou por abrir o álbum com “Eraser”, uma canção influenciada pelo hip-hop. Inicialmente, essa faixa começa com palavras faladas e o clássico violão do cantor. Embora seja melodicamente desinteressante, essa música possui um refrão bastante forte. A próxima faixa, “Castle on the Hill”, é um número folk-pop com letras extremamente visuais e nostálgicas. Basicamente, Sheeran prega uma homenagem para sua cidade natal, Framlingham. É uma canção dolorosa e, particularmente, uma das melhores de todo o álbum. O fluxo rítmico de “Castle on the Hill” é conduzido por uma guitarra em ascensão e vocais um pouco emotivos. O álbum segue pela intimidade down-tempo de “Dive”, uma linda balada com uma sonoridade familiar, melodias bluesy e notas de guitarra.

Embora não seja liricamente forte, “Dive” possui uma das melhores performances vocais do LP. É uma canção para aqueles que o amor não foi correspondido. Ed co-escreveu o smash-hit “Shape of You” com Jonny McDaid e Steve Mac, que fala sobre um romance promissor. Musicalmente, é uma canção pop com influências dancehall e tropical house. Ela possui um looping de guitarra hipnotizante e uma percussão que lembra “Cheap Trills” da Sia. Resumidamente, é música divertida e especificamente trabalhada para as rádios. Depois da vibração arrogante de “Shape of You” o álbum dissipa numa canção simples e lenta chamada “Perfect”. Forte candidata como favorita dos fãs, essa música parece ser reminiscente de “Thinking Out Loud”. Um número encantador, composto por cordas românticas, coro gospel e vocais expressivos de Ed Sheeran.

Indo direto para o número #1 dos charts da Irlanda após o lançamento do álbum, “Galway Girl” apresenta influências irlandesas e uma sonoridade folk. Apesar de ser muito enjoativa, possui um violino divertido e letras cativantes. É uma música que realmente mostra o amor de Sheeran pela cultura da Irlanda. A faixa seguinte, “Happier”, é um canção triste e auto-reflexiva, que expressa as emoções de ver uma ex-namorada nos braços de outro. Co-escrita por Ryan Tedder da banda OneRepublic, é uma das poucas músicas do disco que consegue recriar a vulnerabilidade que fez Ed Sheeran ficar famoso. Em seguida, um ritmo mais rápido e batida contundente apresenta “New Man”. É uma canção que possui um tema semelhante ao da faixa anterior, porém, com um estilo completamente diferente. “Hearts Don’t Break Around Here” é outra faixa dedicada a namorada do cantor, Cherry Seaborn.

É uma canção que poderia facilmente fazer parte do seu álbum de estreia. Possui uma melodia acústica que fornece o cenário ideal para as metáforas de Sheeran. Para mim, uma das músicas mais interessantes do álbum é “What Do I Know?”. Uma ruptura com temas de amor e perda, e uma peça que lembra o estilo de Jack Johnson. Liricamente, Sheeran brinca com a ideia de que a música e o amor pode mudar o mundo, de uma maneira que a religião e política nunca conseguiriam. Com sua guitarra e ritmo repetitivo, Ed conseguiu criar uma das faixas mais cativantes do disco. A penúltima faixa é “How Would You Feel (Paean)”, uma canção com uma melodia de piano muito tranquila e confortável. O suave piano se mistura com a guitarra e proporciona outra ode para a namorada de Sheeran. É uma canção de amor que ainda contém um expressivo solo de guitarra. Assim como “Perfect”, é outra faixa que nos faz lembrar de “Thinking Out Loud”.

Fechando o registro temos “Supermarket Flowers”, uma ode emocional dedicada a falecida avó do cantor. Aqui, Ed Sheeran usa um singelo piano para prestar a homenagem. Esta pode ser a música mais pessoal do registro, e seu ritmo lento, de alguma forma, se encaixa adequadamente nos vocais do cantor. Inquestionavelmente, “Divide” ainda fará Ed Sheeran aparecer por muitas semanas nas paradas de álbuns e singles do mundo todo. Esse álbum, sem dúvida, já fez o cantor conquistar grandes feitos. É o seu registro mais ambicioso e variado até à data. Entretanto, não deixa de ser o seu material mais calculado e pré-fabricado. Possui um repertório alegre, brincalhão, apaixonado e romântico, mas não assume quaisquer riscos. Embora seja um esforço hábil e bem executado, muitas vezes se sente confuso e incompleto. Por esses motivos, ficou claro que a único objetivo por trás desse projeto é alcançar o sucesso comercial.

Favorite Tracks: “Castle on the Hill”, “Shape of You” e “How Would You Feel (Paean)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.