Resenha: Dulce María – Sin Fronteras

Lançamento: 08/04/2014
Gênero: Pop, Pop Latino
Gravadora: Universal Music
Produtores: Coti Sorokin, Dudu Borges, Daniel Betancourt, Carlos Lara e Janette Chao.

A mexicana Dulce María, que ficou mundialmente famosa ao participar do grupo RBD, lançou em 2014 o seu segundo disco solo, intitulado “Sin Fronteras”. O álbum possui onze faixas em sua versão padrão e mais duas faixas bônus para download no iTunes, incluindo a versão em português de “Antes Que Ver el Sol” (com a participação da brasileira Manu Gavassi). Nesse segundo trabalho solo, percebemos uma pequena mudança em seu estilo habitual. Um som diferente daquele que geralmente escutamos da cantora. Ela compôs a maioria das músicas ao lado de Janette Chao, Pambo, Coti e José Luis Roma. Enquanto Coti, os mexicanos Carlos Lara e Janette Chao, o brasileiro Dudu Borges e o equatoriano Daniel Betancourt ficaram encarregados da produção. O disco possui ritmos distintos e ainda inclui duetos com Julión Álvarez, Frankie J, Naty Botero e Pambo. Dulce María conseguiu expandir o seu som, que vai desde baladas ao pop-latino, passando pela música mexicana até a mistura de outras nacionalidades, deixando claro o porquê do título “Sin Fronteras”. Esse é o conceito do álbum, ter um pouco da influência musical de diversos partes do mundo, mas sem deixar de lado a essência do México.

Portanto, podemos entender o porquê das várias colaborações com artistas de outros países. Coti, por exemplo, é argentino e vive na Espanha, onde parte do disco foi gravada e produzida. Dudu Borges, que produziu duas músicas, é brasileiro e atualmente um dos maiores produtores de música sertaneja no Brasil. O mais importante é que metade das composições presentes no “Sin Fronteras” é da própria Dulce, assim como as melodias das maioria das músicas. Letras que mostraram suas habilidades como compositora, fragmentos de si mesma e uma grande honestidade interpretativa. E, mesmo com tanta diversidade musical, é admirável saber que ela participou inteiramente da criação do álbum e acabou criando o seu trabalho mais maduro, até a data. “Repetidamente conversei com Coti, e um dia ele me disse: olha, eu vou ser muito honesto, eu só dou uma música quando eu realmente acredito no projeto e quando eu me importo, de outra forma, nem me meto”, disse Dulce María à respeito de sua parceria com o argentino Coti. “Para mim, trabalhar com ele foi uma honra e uma experiência enriquecedora”, finalizou.

A primeira faixa, “Si Tu Supieras”, começa com acordes de violão muito marcantes e uma pitada de influência da música sertaneja brasileira. Isso deve-se ao fato da canção ter sido produzida aqui no Brasil por Dudu Borges. É um faixa muito divertida e cativante, porém, dividiu opiniões de seus fãs por conta da mistura ousada. “Lágrimas”, com o cantor Julión Álvarez, é emocionante e traz um ritmo totalmente diferente do que estamos acostumados a ouvir de Dulce María. Lançada como primeiro single, é uma bela canção que preenche a cota sentimental do álbum de forma excelente. Quando foi lançada, foi muito rejeitada pela maioria dos fãs da cantora, pelo mesmo motivo da faixa anterior: a utilização de ritmos muito fora dos padrões de Dulce. Também foi produzida pelo brasileiro Dudu Borges, por isso a influência do sertanejo e, consequentemente, do forró por causa da utilização de um acordeão (também conhecido como sanfona de oito baixos). O segundo single, “Antes Que Ver el Sol”, também destaca-se porque, além da presença leve do acordeão, é explosiva, cativante e muito grudenta. É sem dúvida a canção mais comercial e com maior potencial de hit do álbum.

Embora seja um cover do argentino Coti, soa bastante autêntica por causa da boa execução de Dulce María. “Te Quedarás”, com participação de Frankie J, é uma balada romântica conduzida por uma guitarra acústica, que funcionaria muito bem como single. Produzida por Coti e Claudia Brant, essa canção consegue mostrar com precisão a maturidade da mexicana em sintonia com os agradáveis vocais de Frankie J. A quinta faixa, “Corazón en Pausa”, possui uma boa introdução, ótimos vocais e acabou resultando em outro bom momento do repertório. É influenciada pelo ritmo espanhol e ainda fornece uma melodia muito pegajosa. Sua letra é uma das mais apaixonadas do álbum, principalmente o refrão: “E que não passe as horas / E que quando chegar o amanhã / Que eu nunca acorde sem o seu olhar / Nunca acordar sozinha”“Después de Hoy”, por sua vez, muda de direção e apresenta um tema de amor insatisfeito. O seu conteúdo lírico é muito bom, enquanto a produção ficou charmosa por mesclar o pop-latino com o mariachi, ritmo típico do México. “Yo Sí Quería”, composta inteiramente por Dulce María, é a faixa de maior duração do registro.

Ela apresenta uma pegada mais sentimental, além da inclusão de uma guitarra e marcante bateria. Embora tenha uma boa letra e melodia divertida, o pop-rock “Cementerio de Los Corazones Rotos” é, provavelmente, a canção mais fraca de todo álbum. Felizmente, conseguiu diferenciar das outras músicas, graças à utilização do piano e guitarra elétrica. Lançada como terceiro e último single do álbum, “O Lo Haces Tú o Lo Hago Yo” esbanja alegria e versos contagiantes. Além de representar as raízes do pop-latino dentro do registro, possui letras que falam sobre as mulheres com iniciativas: “Arrisque-se / Talvez as coisas que falaram / De mim não são / Nem a metade do que sou / Ou você faz, ou faço eu”. Apesar da própria Dulce María já ter dito não gostar de “Girando en un Tacón”, ela é uma das melhores faixas do disco. Possui batidas mais pesadas, sintetizadores, presença de dubstep e pegada mais sexy. É uma faixa pop comum, entretanto, muito diferente das músicas que a cantora costuma interpretar. Liricamente, é talvez a sua canção mais ousada, pois fala sobre desejos e sedução: “Beijos em minha pele / Eu quero te comer / Chocolate e noz / Tua boca me faz bem”.

A última faixa do álbum é “Shots de Amor”, uma colaboração com Pambo e a colombiana Naty Botero. Uma canção pop dançante com uma forte guitarra em sua introdução. Ademais, os consistentes tambores e sintetizadores adicionaram uma ótima sensualidade e exuberância à música. Além da versão em português de “Antes Que Ver el Sol”, com Manu Gavassi, temos o eletropop “En Contra” como faixa bônus do iTunes. Uma canção que conseguiu enriquecer o material, visto que Dulce María dificilmente se arrisca na música eletrônica. No geral, depois de ter pertencido a um dos maiores fenômenos musicais da última década, o grupo RBD, Dulce María conseguiu fazer um bom sucessor para o “Extranjera”. O “Sin Fronteras” é mais maduro, possui boas letras, ótimas melodias e duetos bem encaixados. Nele vemos uma Dulce María olhando para o futuro, mas mantendo seus princípios musicais, construindo uma própria sonoridade e nova forma de interpretar suas músicas. Um álbum que apesar de não ser uma obra-prima ou algo parecido, é divertido, alegre, com cada uma das onze faixas possuindo algo a dizer.

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Favorite Tracks: “Lágrimas (feat. Julión Alvarez)”, “Antes Que Ver el Sol” e “Te Quedarás (feat. Frankie J)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.

  • Fernando Carvalho

    Resenha muito bem feita! Parabéns, desejo um ótimo futuro profissional pra você!!

    • Leo

      Muito obrigado Fernando!! 😀

  • hellen

    Nossa! Parabéns! Essa resenha está ótima! Eu não gostei muito desse disco da Dulce, prefiro Extranjera. No próximo álbum quero ela fazendo algo próximo do estilo da Paty Cantu, Belinda ou Lali Esposito. Ela fica muito melhor cantando pop genuíno do que apostando em misturas com banda e música regional.
    Já fez resenha sobre Little Mix? Elas estão com single novo 🙂

    • Leo

      Obrigado Hellen! Super concordo com você, também acho o “Extranjera” bem melhor. A Maite também seguiu por esse caminho com a bachata e pelo jeito a Anahí também vai trazer ritmos latinos no seu novo álbum. Mas de qualquer forma acredito que a Dulce vai voltar a focar totalmente no pop. A única resenha que fiz da Little Mix foi da canção “Black Magic”: http://busterz.com.br/wp/review-little-mix-black-magic/

      • hellen

        Eu espero muito que o próximo CD seja realmente todo pop rs. A propósito, En Contra é um hino desperdiçado, né tsc… Quanto a Maite, eu até gosto das músicas dela, apesar de preferir ela atuando. Já a volta da Anahi me decepcionou demais! Pensei que ela ia voltar poderosa, no melhor estilo el me mintió/absurda/mi delírio e ela me vem com rumba. Decepção total.

        • Leo

          “En Contra” é um eletro-pop bacana, merecia estar na versão principal do álbum, em vez de ser apenas faixa bônus! Inclusive acho que ela deveria ter investido em mais um single, “Girando en un Tacón” seria uma boa opção. Também pensava que a Anahí viria em uma pegada totalmente pop, porém, confesso que gostei de “Rumba”. Mas espero que no álbum tenha músicas diferentes, uma nesse estilo já é suficiente.