Resenha: Dulce María – DM

Lançamento: 10/03/2017
Gênero: Pop, Pop Latino, Eletropop
Gravadora: Universal Music Latin
Produtores: Ettore Grenci, Andrés Saavedra e Victor Delgado “Predikador”.

Lançado em 10 de março de 2017 pela Universal Music, “DM” é o terceiro álbum de estúdio da mexicana Dulce María. Concluído em agosto de 2016, o disco foi originalmente destinado a ser lançado no mesmo ano, mas acabou sendo adiado para 2017. Produzido por Ettore Grenci, Andres Saavedra e Predikador, foi gravado durante as sessões que ocorreram em Los Angeles e Cidade do México. Atualmente com 31 anos de idade, Dulce María ficou mundialmente famosa após fazer parte do RBD (2004 a 2009). O grupo teve origem na bem sucedida novela Rebelde, e fez muito sucesso na América Latina. Ao lado de Anahí, Maite Perroni, Alfonso Herrera, Christian Chávez e Christopher Uckermann, Dulce vendeu mais de 20 milhões de álbuns no mundo todo. “DM” é o sucessor do “Sin Fronteras” (2014) e traz um repertório com um total de 13 faixas, incluindo os singles “No Sé Llorar”, “Volvamos” e a trilha sonora da novela Corazón Que Miente, “Dejarte de Amar”. Com esse novo trabalho, Dulce María prova que amadureceu. Sua composição está mais forte, honesta e interessante. Sonoramente, o álbum oferece um bom pop latino com algumas influências de reggaeton, eletropop e R&B. “Hoy Te Entierro” abre o repertório com uma onda escura e algumas batidas eletrônicas. Liricamente, a cantora se despede de um amor que a machucou: “Para eu sair daqui / Você teve que morrer / Morrer para mim (…) / Mas hoje eu te enterro”.

A balada “Sin Ti Yo Estoy Muy Bien” traz sintetizadores e sons eletrônicos distorcidos. O brilhante refrão e a letra são os pontos fortes, embora a canção como um todo seja repetitiva. A terceira faixa, “Un Minuto Sin Dolor”, é uma das canções que mais se aproximam do seu álbum de estreia. O canto doce, a melodia infecciosa, os handclaps e o refrão pop definem esta música. “Presentimiento” é muito energética e de fácil escuta, graças ao refrão explosivo e poderosos vocais. Enquanto isso, “Tal Vez en Roma” combina sintetizadores, batidas e um banjo a fim de proporcionar uma atmosfera encantadora. A inesperada e divertida influência country é perceptível. Dessa vez, podemos notar um pouco do sabor do “Sin Fronteras”, assim como a letra detalha um amor a distância (“Quero lutar com a distância / Ainda que hoje nossos caminhos vão em outra direção”). “Invencible” mostra uma Dulce María confiante e decidida, e um toque de pop-rock muito agradável. A guitarra injeta um toque ideal, assim como o refrão é brilhante e um dos mais cativantes do álbum. Uma sirene introduz a próxima faixa, intitulada “Cicatrices”. Embora seja meio repetitiva e liricamente vaga, é uma música com boas batidas e um potente refrão. “Al Otro Lado De La Lluvia”, por sua vez, é uma daquelas músicas que, inicialmente, não chamam tanto atenção. Sua estrutura é um pouco diferente, mas seu desenvolvimento é realmente interessante.

Sua introdução é espontânea, mas a melodia convidativa logo prende o ouvinte. O refrão é sólido e transmite uma grande quantidade de energia. O terceiro single do álbum, “Rompecorazones”, é uma grande balada eletropop, com uma bela letra e uma incrível interpretação vocal. Além do ótimo piano, a música ainda fornece algumas harmonias no violino. Aqui, a maturidade de Dulce María é realmente evidente. O segundo single, “Volvamos”, com o cantor panamenho Joey Montana, foi lançado em 23 de setembro de 2016. Foi composta por Joey e Andrés Saavedra, e produzida por Predikador. Um número reggaeton, com batidas eletrônicas e influências urbanas, onde Dulce María sai de sua zona de conforto. Dulce canta de forma sensual nesta canção e mostra uma boa química com Montana. “Despídete” é uma clássica, eficiente e adorável balada no piano que antecede o primeiro single, “No Sé Llorar”. Liricamente, essa música é uma renovação para Dulce María, uma vez que lida com temas mais fortes. Aqui, Dulce María aborda questões maduras, que incluem o respeito e igualdade para as mulheres. Ela faz isso apresentando letras que incentivam o emponderamento feminino. “Se queria me deixar alguma cicatriz / É preciso mais do que um homem como você / Para sofrer assim / Quebrar meu coração / Vai ser difícil para você / E eu jamais o vou permitir”, ela canta no refrão.

A proposta da música é realmente interessante, tanto liricamente quanto musicalmente. É uma reflexão para todas aquelas mulheres que estão sofrendo, mas não se atrevem a dizer. “No Sé Llorar” é uma balada eletropop muito bem produzida, atraente e dramática em alguns pontos. Inicialmente, a canção começa com alguns acordes de piano e efeitos sonoros ao fundo. Posteriormente, durante o refrão, a cantora é apoiada por uma percussão mais elevada. A melodia é linda, a produção refinada e os vocais muito bem polidos. Antes e durante a ponte, “No Sé Llorar” ainda faz uso de um riff de guitarra em segundo plano e belas cordas orquestrais. O arranjo e as atraentes harmonias, por sua vez, servem como um acabamento ideal para a música. “Dejarde de Amar” foi a primeira música do álbum que veio ao conhecimento do público, uma vez que fez parte da trilha sonora da novela Corazón Que Miente. Uma balada fascinante, com sintetizadores, batidas encantadoras e belos vocais. “DM” é o registro mais maduro de Dulce María até a presente data. É um projeto interessante em termos de composição, com seis das treze canções escritas pela cantora. Além disso, possui uma produção mais cuidadosa e melhor trabalhada. Dulce María sai de zona de conforto em alguns momentos, mas na maior parte permanece em um território confortável. Sem dúvida, é um álbum mais atraente e coeso que o seu último disco.

Favorite Tracks: “Rompecorazones”, “Volvamos (feat. Joey Montana)” e “No Sé Llorar”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.