Resenha: Duck Sauce – Quack

Lançamento: 15/04/2014
Gênero: House, Disco
Gravadora: Fool’s Gold
Produtores: Armand Van Helden e A-Trak.

Duck Sauce é um projeto formado por dois DJ’s, o americano Armand Van Helden e o canadense A-Trak. Eles ganharam uma certa notoriedade internacional no verão de 2010, com o lançamento da faixa “Barbra Streisand”, uma homenagem a cantora de mesmo nome. “Quack”, lançado em 15 de abril de 2014, pela gravadora Fool’s Gold, é o primeiro álbum de estúdio do duo. Conta com 12 faixas, incluindo “Barbra Streisand” e singles lançados anteriormente, como “aNYway”, “Radio Stereo” e “It’s You”. O material é realmente muito bom, pois as outras faixas conseguiram manter o brilho dos singles. Logo, a dupla não vai deixar ninguém ficar parado ao escutar um álbum tão consistente e bem feito como o “Quack”. Foi até estranho eles terem demorado tanto temo para lançarem o álbum de estreia, visto que “Barbra Streisand” fez sucesso há quase cinco anos. Eles soam extremamente refrescantes perto dos seus contemporâneos e fornecem músicas fortes o suficiente para agitar qualquer festival.

“Quack” está recheado com grandes números de disco music e house, junto de um irreverente bom humor por trás, a começar pela capa do álbum (um retrato da Mona Lisa com um bico de pato no rosto). A genialidade de A-Trak e Armand Van Helden está na simplicidade de ambos, como vimos na grudenta “Barbra Streisand”. Com um humor afiado, sem se levarem a sério (mesmo sendo aclamados pela crítica), a dupla criou uma conjunto de músicas sólidas, bangers viciantes e um mistura de esquetes e loops selvagens entre as faixas. A primeira delas é “Chariots of the Gods” com Rockets que, apropriadamente, abre com sons de patos antes de empurrar os ouvintes para um excelente som disco/funk. Aqui, já fica evidente que os caras são fortemente influenciados pelo house, disco, hip hop e comédia pastelão. “Charlie Chazz & Rappin Ralph” é tão boa quanto e nos leva para uma produção que lembra o house dos anos 1990.

Uma canção de alta energia, com melodias suaves ao lado de alguns breaks incisivos e amostras vocais de hip hop. O grau de contagiosidade de “It’s You” também é alto, provavelmente você ficará com ela grudada na sua cabeça. Foi lançada como single em 2013, no entanto, continua tão fresca e cheia de energia como da primeira vez. A bateria da gloriosa “Goody Two Shoes” flui tão maravilhosamente bem que, consequentemente, o seu corpo irá responder se remexendo. Um número pop açucarado, orgânico, onde a dupla genuinamente recria um som típico dos anos 1970. Os vocais femininos presentes nessa, são cortados e distorcidos por um efeito hipnotizante. A quinta faixa, “Radio Stereo”, consegue se destacar mesmo estando junto de tantas músicas de qualidade. É com certeza a minha favorita do álbum, um som intrigante que contém amostras do hit “Radio” de 1982 da banda punk The Members.

Duck Sauce

O Duck Sauce não chega perto de utilizar gêneros como o punk, rock ou new wave, em vez disso, eles habilmente usaram uma batida amigável e a palavra “radio” por todo o refrão. É um hino alucinante, energético, cativante e que poderia facilmente ser um hit mundial. “aNYway” é outra faixa que foi liberada anteriormente, no final de 2009, mas que ainda soa fantástica. É uma mistura de funky e disco dos anos 1970 (cortesia da música “I Can Do It (Anyway You Want)” do Final Edition), com algumas latejantes batidas house. “NRG” é outro número fácil de apreciar, devido às suas notas de synthpop misturadas com ótimos tambores. Possui sample do single “Energy” de 1985 de Melissa Manchester, amostra vocal da qual é bastante grudenta. “Everyone” é igualmente cativante e simpática como a faixa anterior. Conta com a boa participação de David Macklovitch, um dos integrantes do Chromeo, ao lado de Patrick Gemayel, e irmão de A-Trak.

Porém, nessa faixa, David foi creditado como Teddy Toothpick, um pseudônimo utilizado por ele. O interlúdio no final de “Everyone” é o único que realmente faz uma ligação temática com a faixa seguinte, no caso, a nostálgica “Ring Me”. Uma canção que apesar de não obter um grande desenvolvimento, é conduzida por um conjunto de acordes de piano e um refrão gostoso de se ouvir. A faixa seguinte é a já conhecida “Barbra Streisand”, que em 2010 infiltrou-se em todas as pistas de dança do mundo e tornou-se uma canção onipresente no verão do mesmo ano. “Spandex” possui uma produção engenhosa, mas os seus componentes musicais e estruturais são um pouco confusos. Quando chega em sua metade, ela cria uma repartição que faz você pensar que a música já terminou. Entretanto, logo em seguida, começa a acelerar novamente, porém, de uma forma mais lenta.

Na faixa de encerramento, “Time Waits for No-One”, o duo incentiva todos a dançarem sobre um infundido e maravilhoso disco-house. Essa possui a mesma vibe de todo o álbum e ainda desaparece como abriu, ou seja, com alguns rosnados de patos charlatões. “Quack” apresenta uma variedade de boas canções, que permanecem estilisticamente coerente no caráter humorístico da dupla. Quase todas as faixas são intensas e possuem uma exuberância inegável. Algumas delas nós já conhecíamos, mas as novas canções acrescentadas permaneceram fiéis ao caminho traçado pelo Duck Sauce. Eles nos presentearam com um material recheado de entretenimento, com uma integração de novos gêneros e músicas para todos dançarem sem culpa. Eles conseguiram criar um projeto que não dependeu necessariamente do seu primeiro single, lançado há 4 anos, para gerar expectativas. Há muita coisa boa no “Quack”, mas do que eu realmente esperava.

74

Favorite Tracks: “Goody Two Shoes”, “Radio Stereo”, “aNYway”, “Everyone (feat. Teddy Toothpick)” e “Barbra Streisand”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.