Resenha: Drake Bell – Ready, Steady, Go!

Lançamento: 22/04/2014
Gênero: Rock & Roll, Pop Rock, Country, Folk
Gravadora: Surfdog Records
Produtores: Peter Collins e Brian Setzer.

O cantor, ator e compositor Drake Bell, lançou em abril de 2014 o álbum “Ready, Steady, Go!”. Famoso por interpretar Drake Parker na série “Drake & Josh”, esse é o seu terceiro álbum, o primeiro sob a gravadora independente Surfdog Records. Anos atrás ele foi estabelecido como um músico talentoso e, nesse novo álbum, o ex-astro da Nickelodeon demonstrou isso com bons vocais e covers bem performados. Entre as doze faixas do álbum, sete são covers, entre elas, canções da banda Queen, The Move, Billy Joel, The Kinks, Stray Cats e Cask Mouse. A transição de um sucesso de estrela de televisão infantil para um músico adulto e sério não é fácil. Drake Bell já teve alguns altos e baixos na carreira, mas quando trata-se de música ele consegue se sobressair, pois já percorreu um longo caminho como músico. O “Ready, Steady, Go!” é bem conceitual e uma clara homenagem à clássicos do rock & roll dos anos 1950. Portanto, pode significar um renascimento musical para os charmosos vocais de Drake Bell.

O primeiro single desse novo trabalho foi a faixa “Bitchcraft” e o álbum estreou na posição #182 da Billboard 200, vendendo 2 mil cópias nos Estados Unidos na sua semana de lançamento. A abertura ficou por conta de “Sunny Afternoon” da banda The Kinks, uma canção introduzida com melodias de piano que percorrem todo o refrão e onde a voz de Drake transmiti uma sensação alegre, despreocupada, que coincide com o tema da música. Esse cover consegue definir exatamente o propósito do “Ready, Steady, Go!”. “Bull” segue com uma vibração country/rock, nitidamente sublinhada por uma batida dancehall. A canção tem um ritmo excelente e rápidas guitarras, bem como um grande refrão. Em seguida, temos “I Won’t Stand In Your Way” apresentando com perfeição os bons vocais de Drake Bell, que consegue executar uma impecável performance típica dos anos 1950. Nesse cover, da banda Stray Cats, o cantor se superou com uma interpretação muito bem feita, não fazendo qualquer distinção da canção original, performada por Brian Setzer, vocalista dos Stray Cats.

Drake Bell

A faixa “Bitchcraft”, primeiro single, é bem distinta das demais, possui um violino de fundo e um estilo gospel atrevido acompanhando o vocal romântico de Drake. É uma canção otimista e agitada, que ainda termina com um ótimo solo de jazz no piano. “Runaway Boys” é essencialmente uma cópia da versão dos Stray Cats, o que a tornou em uma interpretação sem brilho, mas musicalmente aceitável. “Makes Me Happy” é uma velha canção de Drake Bell, uma faixa insanamente cativante, além de ser bastante comercial. Nessa música, o cantor fez um trabalho acústico excepcional com batidas encaixando perfeitamente que, inclusive, me fez lembrar da linda “Hey There Delilah” da banda Plain White T’s. “It’s Still Rock And Roll To Me” é cover de Billy Joel, uma faixa incrivelmente genial e com instrumentais bastante sutis fazendo o trabalho. Os vocais de Drake conseguem dar um verdadeiro show e cativa com uma sensação única de rock & roll. “Melina” ferve com riffs de guitarra, mas que infelizmente, não se encaixou tão bem no álbum, pois em alguns momentos os vocais do cantor parecem meio perdidos.

É sempre bom quando qualquer músico resolve performar uma faixa invencível ao tempo, como a mágica “Crazy Little Thing Called Love” da banda Queen. Drake conseguiu manter uma individualidade nos vocais, mas cantando com integridade e amor pela versão original. Uma verdadeira homenagem não estaria completa sem uma canção como “California Man”. Esse cover da banda The Move, de 1972, ficou delicioso de se ouvir e mostra, mais uma vez, o seu grande talento vocal. Drake Bell certamente sabe como criar canções cheias de paixão e a faixa “Back Of My Hand”, define muito bem isso. Uma música muito agradável que fala sobre uma garota que rejeitou o cantor. “Give Me A Little More Time”, por sua vez, é uma balada emocionante que encerra o disco, narrando um conto de sofrimento e exibindo uma energia diferente das canções anteriores. Bem, o álbum vale a pena ouvir. Embora não seja nada de tão especial, “Ready, Steady, Go!” nos mostra um lado que Drake Bell já ansiava há anos.

No geral, é um trabalho que passa uma boa vibração dos anos 1950 e 1960, meio como uma reminiscência dos Beatles, dos Beach Boys e de Buddy Holly, só para citar alguns. Caracteriza-se por faixas otimistas, guitarras pesadas e com a voz de Drake funcionando surpreendentemente bem com o estilo. Provando assim, uma grande versatilidade do cantor e mostrando um valor inegável como músico, pois desenhou vários gêneros de épocas da música para criar o seu próprio som. Ele conseguiu trazer o rockabilly dos anos 1950 à vida novamente, capturando uma era da música que quase não existe na indústria atual. O “Ready Steady Go!” ainda é preenchido com ritmos cativantes, bons instrumentais e outros vários elementos, que irão atrair os ouvintes que cansaram da mesmice pop que Drake fazia no passado. Eu só espero que futuramente ele misture a sua sonoridade, porque assim poderá ampliar seus horizontes e não ficar tão preso à músicas do passado. Em última análise, podemos dizer que o “Ready Steady Go!” é um disco simpático e pronto para o rock.

65

Favorite Tracks: “I Won’t Stand In Your Way”, “It’s Still Rock and Roll To Me”, “Crazy Little Thing Called Love” e “Back of My Hand”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.