Resenha: DJ Khaled – Grateful

Lançamento: 23/06/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: We the Best Music Group / Epic Records
Produtores: Asahd Tuck Khaled, 808-Ray, Ben Billions, Calvin Harris, Cool & Dre, Danja, DannyBoyStyles, DJ Durel, DJ Khaled, DJ Nasty & LVM, JayO, Lee on the Beats, Metro Boomin, Nic Nac, Quavo, Southside, Schife Karbeen, StreetRunner, Tarik Azzouz, The Beat Bully e Troyton Music.

Lançado em 23 de junho de 2017, “Grateful” é o décimo álbum de estúdio de DJ Khaled. O registro apresenta uma infinidade de grandes artistas, incluindo Alicia Keys, Beyoncé, Jay-Z, Justin Bieber, Lil Wayne, 2 Chainz, Drake, Rihanna, Future, Travi$ Scott, Rick Ross, Migos, Chance the Rapper, Nicki Minaj, Kodak Black, Mavado, Nas e Calvin Harris. Khaled é inegavelmente um dos DJs mais populares do momento. Desde a sua saída da Cash Money, ele está ligado à Sony Music e obteve um importante contrato com Jay-Z, que trouxe sua carreira para novas alturas (começando pela fama no Snapchat). “Grateful” pode ser considerado o seu álbum mais ambicioso até à data. O tema é, obviamente, “ser grato”, algo que Khaled reconheceu depois que ganhou respeito no hip-hop. O álbum, inspirado por seu filho de 8 meses, apresenta uma infinidade de diferentes estilos e gêneros. O registro mistura batidas pesadas e diversas amostras e instrumentais a fim de criar um repertório poderoso. Entretanto, devo ser sincero e dizer que “Grateful” é um álbum chato e irritante. Como um material completo, é bastante caótico. Durante vinte e três faixas e oitenta e cinco minutos de duração, “Grateful” é um dos discos mais longos do ano. E, em meio a esse grande repertório, DJ Khaled não deixou de arruinar a nossa experiência auditiva com suas ad-libs irritantes, tais como “we the best music” ou “another one”.

Como mencionado, um número surpreendente de artistas aparecem por toda parte, mas, infelizmente, muitos deles são reciclados e a maioria desperdiçado. Travi$ Scott, por exemplo, aparece em quatro faixas, mas nada acrescenta a nenhuma delas. Certamente, DJ Khaled poderia ter cortado no mínimo dez faixas e transformado o “Grateful” em algo mais coeso e focado. Após a introdução “(Intro) I’m So Grateful”, com Sizzla, que exibe algumas influências asiáticas na produção, o resto do álbum abandona tal estilo e mergulha numa opulência do hip-hop. Sem dúvida, “Grateful” é muito repetitivo, dado o tamanho enorme de seu repertório. Além disso, várias músicas são carentes de alguma substância real e sentem-se como faixas fillers, como “On Everything”, “Down for Life” e “Whatever”. Dito isto, há uma grande falta de canções realmente boas, o que é decepcionante considerando todos os artistas envolvidos. Muitos desses artistas foram mal utilizados, principalmente Travi$ Scott e Chance the Rapper. Scott soa genérico e ruim em canções como “On Everything”, “Don’t Quit” e “Down for Life”, enquanto a faixa mais terrível do álbum, “I Love You So Much”, apresenta somente Chance the Rapper. É um imenso desperdício de talento. Por algum motivo, Chance canta a mesma coisa, ao passo que Khaled diz repetidamente “Eu te amo assim, eu te amo tanto”.

São basicamente cinco minutos de uma homenagem barata e irritante para ambos filhos dos envolvidos. Em vez de me concentrar nos pontos fracos deste registro, visto que são muitos, eu vou comentar sobre as poucas boas canções. “Wild Thoughts”, com Rihanna e Bryson Tiller, é definitivamente o maior destaque do álbum. Uma canção mid-tempo de inspiração latina, com linhas de guitarra acústica e riffs fortemente amostrados do hit “Maria Maria” da banda Santana. Um hino de verão com algumas das melhores amostras que eu escutei recentemente. Liricamente, “Wild Thoughts” fala sobre um parceiro que inspira pensamentos selvagens e insinuações sexuais. “Não sei se você consegue aguentar / Sei que você quer me ver nua, nua, nua / Eu quero ser sua amada, amada, amada / Girando e molhada, como se tivesse vindo de Maytag / Completamente bêbada com esse conhaque / Quando fico assim, não posso ficar perto de você”, Rihanna canta no primeiro verso. Eu também gosto bastante de “I’m the One”, o primeiro single do álbum que apresenta Justin Bieber, Chance the Rapper, Quavo e Lil Wayne. Embora seja uma canção de hip-hop simplista, DJ Khaled não grita tanto aqui, enquanto Bieber fornece bons vocais no refrão.

A linha de baixo e batida que preenchem a música são muito cativantes e, no geral, é uma pista definitivamente vibrante e divertida. “Nobody”, com Alicia Keys e Nicki Minaj, é outro número interessante. Uma canção que parece um clássico de Keys, com ótimos vocais e uma forte influência gospel. Nesta faixa, Nicki Minaj teve provavelmente o seu melhor verso dos últimos anos. Dito isto, “Nobody” consegue levar o álbum para longe de sua mediocridade. “Grateful” está no seu melhor quando se mantém simples, talvez por isso “Good Man” é tão agradável. Apresentando Pusha T e Jadakiss, esta canção é praticamente uma brisa de ar fresco. Ambos artistas fluem de forma poderosa sobre uma batida trap ameaçadora. Não há dúvidas de que Jadakiss têm um dos versos de maior destaque do álbum. O baixo rígido, por sua vez, soa fantástico e traz o instinto assassino de ambos artistas à tona. “Grateful” não é um álbum completamente ruim. Todos sabemos que DJ Khaled não costuma fazer álbuns conceituais, entretanto, “Grateful” é longo demais, possui muitas faixas fillers e um grande potencial desperdiçado. Dito isto, você deve encontrar as faixas que te agradam e simplesmente ignorar o restante. DJ Khaled é capaz de produzir grandes hits, porém, “Grateful” é definitivamente muito inferior ao seu último álbum, “Major Key” (2016).

Favorite Tracks: “Wild Thoughts (feat. Rihanna & Bryson Tiller)”, “I’m the One (feat. Justin Bieber, Quavo, Chance the Rapper & Lil Wayne)” e “Nobody (feat. Alicia Keys & Nicki Minaj)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.