Resenha: Dizzee Rascal – Raskit

Lançamento: 21/07/2017
Gênero: Grime, Hip-Hop
Gravadora: Dirtee Stank / Island Records
Produtores: Dizzee Rascal, Cardo, Darkness Deputy, Dan Farber, Donae’o, Salva, Teddy Samba, The Arcade, The HeavyTrackerz, Wilfred Kouassi e Valentino Khan.

Quando Dylan Mills, nome verdadeiro de Dizzee Rascal, lançou o seu primeiro álbum, “Boy in da Corner” (2003), ele expressou as queixas de vários jovens de Londres. Na época, ele tinha apenas 18 anos de idade, mas suas letras possuíam um grande valor de escuta. Ele conhecia a pobreza e marginalização, por isso o lirismo era tão genuíno. “Raskit”, o seu primeiro álbum em quatro anos, parece ser tematicamente uma segunda parte do “Boy in da Corner”. Com um total de dezesseis faixas, ele marca o retorno de Dizzee Rascal a uma fórmula, da qual ele dominou muito bem quando era adolescente. Para aqueles que não estão tão familiarizados com Dizzee Rascal, provavelmente vai se lembrar dele quando escutar “Fix Up, Look Sharp” e “Dance wiv Me” (sua colaboração com Calvin Harris). Rascal foi um artista pioneiro em 2003, afinal ele conseguiu introduzir a música grime com bastante personalidade. Em um ano em que o hip-hop tornou-se o gênero mais ouvido no mundo, é uma bela surpresa saber que dois dos artistas grime mais tradicionais lançaram um novo disco.

Além de Dizzee Rascal, o rapper Wiley lançou o álbum “Godfather” em janeiro de 2017. Tanto Rascal como Wiley ajudaram a espalhar a música grime pelo Reino Unido nos últimos anos, e nos mostraram que é um gênero com muito a oferecer. “Raskit” mostra Dizzee Rascal retornando às suas raízes, trazendo um som old-school e vibrações dos anos 90. No seu núcleo encontramos um material mais pessoal, maduro e menos divisivo do que seus antecessores. Sem dúvida, “Raskit” pode ser visto como um aceno para o aclamado “Boy in da Corner”, em vez de uma continuação do seu antecessor “The Fifth” (2013). O álbum sofre um pouco de monotonia devido ao seu enorme comprimento. O fato de ter quase 1 hora de duração faz o repertório tornar-se um pouco tedioso. Dizzee Rascal claramente pegou emprestado algumas inspirações do hip-hop americano e do grime moderno. Felizmente, “Raskit” não deixa essas influências atuais manchar o som mais tradicional do álbum. Abrindo o registro, temos a faixa “Focus”

Uma canção atmosférica perfeitamente integrada ao gênero grime. Aqui, parece que Rascal está emitindo uma mensagem para si próprio, ao lado de uma batida retirada diretamente do “Boy in da Corner”. Em termos líricos, ele continua sendo um mestre que consegue mudar de fluxo com facilidade. Em “Make It Last”, por exemplo, ele cospe num ritmo mid-tempo, enquanto em “Ghost” ele flui sob uma velocidade impressionante. Mais tarde, em “Slow Your Roll”, a provável melhor música do álbum, Rascal rima sobre um lento, suave e solitário instrumental. Em suma, “Raskit” não soa confuso ou diluído como o fraco “The Fifth”. Ao contrário do seu último lançamento há quatro anos, é um registro com muitos pontos altos e grande dose de energia. Um registro mais coeso apresentado sobre uma perspectiva muito melhor. Dizzee Rascal conseguiu voltar à forma depois de perder, brevemente, sua direção artística. Não é um clássico como “Boy in da Corner” (2003) ou “Showtime” (2004), mas, certamente, é um ótimo álbum.

Favorite Tracks: “Space”, “Make It Last” e “Slow Your Roll”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.