Resenha: Dierks Bentley – Black

Lançamento: 27/05/2016
Gênero: Country
Gravadora: Capitol Nashville
Produtor: Ross Copperman.

O oitavo álbum de estúdio de Dierks Bentley, “Black”, apresenta os altos e baixos de um relacionamento. O título é baseado no nome de solteira de sua esposa, Cassidy Black, embora os temas do disco sejam universais e não especificamente sobre ela. “Black” é um dos mais consistentes álbuns country lançados em 2016. É um registro escuro, intenso e profundo em alguns momentos, e bastante atrevido e divertido em outros. Felizmente, Bentley evita o popular bro-country de alguns de seus contemporâneos, a fim de canalizar uma mistura profunda de sensibilidade e reflexões pessoais. Canções sobre cerveja e caminhões fizeram parte de sua história, porém, nesse novo álbum, ele evita isso. O cantor ainda é auxiliado por alguns artistas talentosos, como Maren Morris, Elle King e Trombone Shorty. Aqui, Dierks Bentley se move em direção a algo um pouco diferente do seu último álbum, “Riser”.

A faixa-título, “Black”, é uma canção de amor que apresenta algumas boas batidas e letras sensuais. Essa faixa faz homenagem à sua esposa, cujo nome de solteira é Cassidy Black. A produção é boa e minimiza um pouco a natureza flagrante e sexy das letras, enquanto mantém tudo intenso e refrescante. A abundância de guitarras e batidas cobertas de reverberação, lhe dão um estilo muito elegante. Bentley também merece créditos pelo boa interpretação vocal. O título da segunda faixa, “Pick Up”, leva o ouvinte para uma conclusão totalmente diferente do que realmente é. Liricamente, é uma canção onde Bentley questiona o que fez de errado em um relacionamento, esperando voltar para sua ex. A letra é boa e o som bem moderno, principalmente o forte e intenso refrão. A instrumentação é muito potente, principalmente pelo grande uso da bateria e guitarra elétrica. Em seguida, Dierks convida a estrela country em ascensão, Maren Morris, para a falar sobre infidelidade em “I’ll Be the Moon”.

Dierks Bentley

Juntas, as vozes de ambos ficaram incríveis e deixou o dueto muito atraente. A música entre em grandes detalhes sobre a luta de ser o outro homem, dentro de um triângulo amoroso. Com seus vocais crus, Morris faz a canção soar ainda mais emocionante. Ela acrescenta uma perspectiva única, graças as suas belas harmonias no refrão. “Na minha mente quando estou olhando pra ele / E nos meus olhos / É tão óbvio quanto um elefante no quarto”, ela canta, enquanto Bentley segue lamentando: “Eu não quero ser um segredo / Mas eu serei se você quiser”. A jam up-tempo “What the Hell Did I Say” vem em seguida e adiciona uma refrescante mudança de ritmo. Seu cenário é um pouco cômico, onde um homem se pergunta o que disse a sua namorada na noite anterior, quando estava bêbado. O refrão é cativante e radio-friendly, enquanto toda música é leve e divertida. Não há qualquer profundidade lírica, mas a instrumentação apresenta alguns bons licks de guitarra.

O primeiro single do álbum, “Somewhere on a Beach”, é um número country-pop previsível, onde um narrador fala com sua ex-namorada sobre sua vida depois que se separaram. Ele diz a ela que tem uma nova namorada e que estão juntos se divertindo em alguma praia: “Eu estou em algum lugar em uma praia (…) / Tem uma nova garota, ela tem um curso / Nós bebemos todos os dias, e festa toda a noite”. Obviamente, é uma faixa comercial e ótima para as rádios, mas, certamente, não é um grande destaque. Ela parece mais uma sequela de “Drunk on a Plane” (2014) e “How Am I Doin'”, visto que aborda o mesmo tema. É presunçosa, mas não deixa de ser divertida e catchy. O gancho fornecido pela guitarra é um dos seus melhores momentos. Quando chegamos na metade do álbum, as coisas começam a ficar mais interessante. “Freedom”, por exemplo, é um country-rock atmosférico onde Bentley mostra como é sua vida na estrada. Esta canção tem um ótimo balanço, uma sensação divertida e uma grande mensagem.

Uma jam com uma percussão pesada que celebra a liberdade em várias formas. Musicalmente, “Freedom” mistura elementos similares a “Black”, dando ao disco algumas boas camadas sonoras. Em seguida, Bentley retarda as coisas com “Why Do I Feel”, uma faixa influenciada pelo R&B. Essa canção é o senso de equilíbrio dentro do álbum, uma balada moderna que traz um pouco do som old-school de Bentley. A música agarra a atenção dos ouvintes por causa de seus loops de bateria, piano e ótimos licks de guitarra. Enquanto a produção é um pouco escassa, a canção está na extremidade mais escura do álbum. O registro ocasionalmente executa um country mais simples, como em “Roses and a Time Machine”. É um dos momentos up-tempo mais interessantes do repertório. Aqui, o cantor deseja voltar no tempo e mudar os erros que cometeu no passado com sua ex-namorada. Com um estilo modernizado, a música trabalha sobre um fraseado deliberado, camadas de guitarras e uma batida de inspiração hip-hop.

Dierks Bentley

“All the Way to Me” consegue mostrar mais das habilidades vocais de Dierks, conforme constrói cada verso. O ritmo, guiado pelo pandeiro, baixo e guitarra, mantém as coisas intensas. O solo durante a ponte é uma das melhores partes. O seu único problema é a demasiada repetição lírica e o arranjo mal elaborado. “Different for Girls”, um dos melhores momentos do álbum, é performado em conjunto com Elle King. Aqui, ambos cantores discutem como os dois sexos lidam com desgostos amorosos. Suas vozes funcionaram muito bem juntas, tanto que Bentley escolheu a música como segundo single. Inicialmente, a canção é belamente introduzida pela guitarra, à medida que ganha força no refrão. As letras são muito boas e sensíveis, considerando que quem a co-escreveu foi Shane McAnally. Nenhum faixa no álbum se destaca pela originalidade, com exceção de “Mardi Gras”. A sua natureza sonora e arranjo são equipados com a colaboração de Troy Andrews, mais conhecido por Trombone Shorty. Ele tornou-se uma boa adição, porque contribuiu na produção e deixou sua marca.

O seu trombone é, sem dúvida, o elemento mais atraente da música. A próxima faixa, “Light It Up”, foi aparentemente escrita para sua esposa. Na canção, ela é a luz em sua vida, especialmente durante os momentos mais difíceis. Embora o refrão seja cativante, é uma música um pouco estereotipada e não possui nada de especial. Fechando o álbum temos “Can’t Be Replaced”, canção que discute um tema familiar. Ele canta sobre coisas que sente falta e o que gostaria de ter de volta. É uma reflexão sobre sua jornada e mostra um pouco de sua vulnerabilidade como compositor. Na letra, ele ainda faz referências a Jake, seu carrocho que está enfrentando problemas de saúde. “Há apenas algumas coisas que não podem ser substituídos”, ele canta. É uma música doce e um bom encerramento para o disco. No geral, “Black” é mais do que um álbum sobre relacionamentos. É um coleção de canções que falam sobre dores, amores perdidos, descobertas e passado. Outro ponto que reforça a qualidade do registro é os bons duetos. Embora tenha uma sonoridade bastante limitada, “Black” tem um conceito por trás e é bastante coeso.

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Favorite Tracks: “Black”, “Pick Up”, “I’ll Be the Moon (feat. Maren Morris)”, “Freedom” e “Different for Girls (feat. Elle King)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.