Resenha: Die Antwoord – Mount Ninji and Da Nice Time Kid

Lançamento: 16/09/2016
Gênero: Hip-Hop Alternativo, Rave Music
Gravadora: Cherrytree Records / Interscope Records / Zef / Kobalt Label Services
Produtor: DJ Hi-Tek.

Die Antwoord é um grupo sul-africano de rap-rave formado na Cidade do Cabo em 2008. Ele é composto pelos membros Ninja, Yolandi Visser e God (anteriormente conhecido como DJ Hi-Tek). Eles lançaram seu disco de estréia em 2009 e atraiu a atenção internacional graças ao vídeo da música “Enter the Ninja”. Depois de assinar brevemente com a Interscope Records em 2011, eles fundaram a sua própria etiqueta e lançaram seus álbuns seguintes em 2012 e 2014. “Mount Ninji and Da Nice Time Kid”, seu quarto álbum de estúdio, inclui alguns convidados, como Sen Dog (Cypress Hill), Dita Von Teese, Jack Black e Lil Tommy Terror.

Depois dessa introdução, como podemos descrever o Die Antwoord? Eles trabalham um som hip-hop em cima de batidas EDM, com letras juvenis e inspiração rave da década de 90. Para ouvir sua música, você realmente precisar entrar no clima deles. A mistura única de versos insufláveis de Yolandi Visser com o fluxo mais focalizado de Ninja, pode criar um contraste agradável às vezes, no entanto, depois de um certo tempo, isso soa exagerado. Geralmente, não sabemos o que esperar desse trio, mas uma coisa podemos ter certeza, será algo estranho. A maioria das faixas desse registro são cômicas e caricaturais, porém, eles acabam soando infantis na maioria das vezes.

O álbum foi originalmente concedido para se chamar “We Have Candy”, depois de lançarem o single de mesmo nome. Sons sinistros de piano e momentos de diálogos traduzem essa longa esquete. “Daddy” continua com a mesma estranheza, onde uma filha mimada de uma determinada família implora a seu pai por algo que ela quer. Sonoramente, é um número catchy, porém, sua premissa é um tanto quanto esquisita. Alguns já estão familiarizados com “Banana Brain”, segundo single do álbum. Nessa música eles colocam algum vigor, conforme mantém a sensação lúdica das primeiras faixas. Aqui, temos forte influência EDM e batidas de hip-hop jogadas na mistura.

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Imediatamente, as vibrações de Cypress Hill são sentidas em “Shit Just Got Real”, graças a presença de Sen-Dog. Nada é tão terrível nesse álbum quanto as faixas caracterizadas por um rapper de 6 anos de idade, chamado Lil Tommy Terror. A música “Wings on My Penis”, por exemplo, é tão perturbadora quanto parece. Aqui, temos uma criança orando a Deus para ter asas em seu pênis. Engraçada ou brincalhona não são palavras certas para descrever essa música, uma vez que Lil Tommy Terror cospe cada palavrão que você pode imaginar. Depois disso, Jack Black empresta seus talentos para a faixa “Rats Rule”, em cima de um típico órgão de Halloween.

Mais tarde, temos canções estranhamente cativantes, como “Peanutbutter + Jelly” e “Alien”, oferecendo algum som promissor. Em sua totalidade, o álbum é realmente escuro e cavernoso. Mas também é o disco mais polido que Die Antwoord já lançou, com a maioria das prodições inclinando-se para uma estrutura de hip-hop alternativo, como em “Street Light”, por exemplo. “Darkling”, por sua vez, assume o arranjo mais melodicamente rico do álbum. Suas escuras e misteriosas batidas de hip-hop são utilizadas por Yolandi para falar sobre suas origens diabólicas. Encerramento o registro temos épicas vibrações raves durante a canção “I Don’t Care”.

Seus elementos atmosféricos começam pequenos, mas em seguida, apresentam batidas delirantes e sem remorso. Die Antwoord não é para todos. Sua estranheza é um pouco exagerada e “Mount Ninji and Da Nice Time Kid” é um registro um pouco confuso. Além disso, é muito difícil entender qual o sentido por trás das músicas. A gente entende o estranho conceito que eles tentam apresentar, porém, sua música parece não ter alguma mensagem. A maioria das letras são dedicadas à histórias confusas, forçadas e desconfortáveis, devido ao humor juvenil. Há algumas boas faixas, mas existem outras igualmente repulsivas. Die Antwoord tenta desafiar as regras, mas o seu quarto álbum sente-se mais sem inspiração do que inovador.

50

Favorite Tracks: “Banana Brain”, “Peanutbutter + Jelly”, “Alien”, “Street Light” e “I Don’t Care”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.