Resenha: Depeche Mode – Spirit

Lançamento: 17/03/2017
Gênero: Synthpop
Gravadora: Columbia Records / Mute Records
Produtor: James Ford.

O 14º álbum do Depeche Mode, “Spirit”, foi produzido por James Ford, que já trabalhou com Arctic Monkeys e Florence + the Machine. É um disco fresco e atual, com um tema político muito evidente. Nesse novo material, Andy Fletcher, Martin Gore e Dave Gaham falam sobre suas posições políticas nas redes sociais. O grupo colocou suas crenças nas letras e criou um álbum cheio de declarações e observações políticas. Não é um tema novo para a banda, uma vez que eles sempre tiveram letras politicamente carregadas. Depeche Mode, provavelmente, nunca lançará outro disco como “Violator” (1990) ou “Songs of Faith and Devotion” (1993). Já está na hora dos fãs pararem de desejar um retorno às músicas de 20 anos atrás. Nos 12 anos entre 1981 e 1993, Depeche Mode tornou-se um ato com um legado incrível.

E agora, “Spirit” coloca a religião e o amor numa situação bem distante. É, sem dúvida, o registro mais abertamente político do grupo em décadas. É um retorno às narrativas sociopolíticas da era “People Are People” (1984), misturada com uma frustração afiada. Isto pode ser notado através de faixas como “Scum” e o primeiro single “Where’s the Revolution”. O tom geral do “Spirit” é entrelaçado com momentos de cinismo, humor e uma aceitação brutal. Em contraste com “Heaven”, o lead-single do seu último álbum, “Where’s the Revolution” explode com letras motivadoras e mensagens decisivas. Essa canção synthpop não alcança o status de hino, mas faz um bom trabalho com sua linha de sintetizador e letra fortemente redigida. No geral, “Spirit” é composto por uma grande sensibilidade synthpop equilibrada com uma pequena influência blues.

As 12 faixas do álbum são pontuadas por momentos densos e pesados de distorção. O ouvinte é guiado através de batidas eletrônicas grossas que marcham ao lado de letras meditativas. Para todas as suas meditações políticas, “Spirit” ainda consegue manter um entrelaçamento interessante de faixas como “You Move”. Uma estrondosa música que mostra, momentaneamente, o lado mais indulgente, libidinoso e sensual do Depeche Mode. Em outros lugares, alguns tons escuros e industriais sombreiam o synthpop patenteado da banda. Isto é mais evidente nos batimentos de “Going Backwards” e na distorção crepitante de “Scum”. O álbum não é 100% político, uma vez que existem algumas esperadas canções de amor, como a palpitante “So Much Love” e a balada “No More (This Is the Last Time)”.

Mas, de qualquer maneira, seja político ou romântico, o som e efeito em ambos casos são semelhantes. “The Worst Crime” e “Eternal” são faixas que tendem a ser pesadas, promovidas pelo lindo e dramático vibrato de Martin Gore. “Cover Me”, por sua vez, é uma canção atmosférica que serve como uma pausa bem-vinda para o repertório. A melancólica “Poison Heart” tem alma e sons assombrosos. Aqui, as vozes de Gahan e Gore mostram que enfraqueceram ao longo dos anos, mas que não deixaram de serem poderosas. Depois de três décadas e meia na cena global, parece que o Depeche Mode está voltando as suas raízes narrativas de meados dos anos 80. Em seu interior, “Spirit” fornece de forma abundante sons eletrônicos pesados, que envolvem suas fortes mensagens sociais. Mesmo jogando de forma ousada e impetuosa, Depeche Mode nunca decepciona.

Favorite Tracks: “Where’s the Revolution”, “You Move” e “So Much Love”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.