Resenha: Delta Goodrem – Wings of the Wild

Lançamento: 01/07/2016
Gênero: Pop
Gravadora: Sony Music
Produtores: DNA e Vince Pizzinga.

Delta Goodrem tem uma carreira que abrange mais de uma década de sucesso, especialmente, em seu país de origem. Ela tem impressionantes 15 canções número #1 e quase 2 milhões de álbuns vendidos na Austrália. Sua carreira iniciou em 2003, com o sucessos das baladas “Born to Try” e “Lost Without You”, enquanto o disco “Innocent Eyes” foi um destaque internacional. Ela é, certamente, uma das maiores estrelas pop do seu país e ainda continua fazendo um bom sucesso por lá. Apesar do seu último trabalho ter sido o disco “Child of the Universe” de 2012, Delta Goodrem manteve-se ocupada durante os últimos anos, como jurada da versão australiana do The Voice. Lançar um álbum quase sem divulgação é no mínimo arriscado. Já se passaram quatro anos desde o seu último lançamento, mas agora Delta está de volta ao trabalho. “Wings of the Wild”, lançado em 01 de julho de 2016, é o seu quinto álbum de estúdio.

Uma coleção de treze profundas e confiantes canções, que mostram um crescimento nas composições de Delta Goodrem. A australiana sempre foi conhecida pelas letras um pouco bregas e enigmáticas. Porém, nesse mais recente trabalhado, ela eliminou isso e adicionou uma abordagem lírica mais madura. Com este álbum podemos dizer que Delta realmente mudou. Este disco é mais espiritual, confiante, cru e vulnerável. Ela tomou mais riscos e pisou fora da zona de conforto. Enquanto “Child of the Universe” apresentou uma mistura eclética de canções, “Wings of the Wild” possui uma sensação mais confiante e madura. Consequentemente, é mais agradável de se ouvir do começo ao fim. Seu colaborador de longa data, Vince Pizzinga, está de volta em favor da escrita. O duo DNA também aparece nos bastidores, após a boa colaboração no segundo single. No decorrer do disco encontramos emponderamento, auto-capacitação e uma Delta poderosa, frágil e crua, tudo ao mesmo tempo.

Delta Goodrem

Enquanto podemos dizer que o registro é musicalmente diferente, ele ainda permanece fiel às suas raízes no pop e forte uso do piano. Ela abre o repertório com a otimista “Feline”, canção que resume perfeitamente o álbum. A melodia é grandiosa, enquanto a voz de Delta está poderosa e igualmente frágil. Inicialmente, temos muitas cordas e, em seguida, batidas tribais e um ritmo acelerado. O segundo single, “Wings”, é uma canção pop, com batidas pesadas, teclado, piano acústico e riff de guitarras. Ela faz uma boa combinação de letras e som, um lembrete oportuno de muitas das habilidades de Delta Goodrem. Seu conteúdo lírico foca na auto-capacitação, onde a cantora usa a metáfora do voo para explorar sentimentos de catarse e capacidade de superar adversidades. A cantora volta às melodias infundidas pelo piano para entregar uma faixa otimista que inspira a viver a vida ao máximo.

No refrão, durante um momento de euforia pura, Delta entrega uma mensagem poderosa: “E se eu perder meu auto-controle? / E se eu escolher por deixá-lo ir? / Eu quero deixar você e eu colidir / Baby, estas asas foram feitas para voar, la la la”. Sua composição é um forte atributo e ela não a deixou sobrecarregada mesmo que tenha tomado, musicalmente, uma abordagem EDM. Liricamente, a ponte consegue destacar-se como um dos momentos mais fortes (“Todo mundo está procurando por um novo horizonte / Todo mundo está procurando uma segunda chance / Todo mundo está desejando poder tomar uma posição”). Ela realmente conseguiu criar uma faixa atual, mas que ainda soa totalmente de acordo com a sua sonoridade do passado. O refrão soa particularmente verdadeiro, embora não seja a primeira música pop a focar-se em temas como auto-capacitação. As melodias são crescentes e estão no ponto, enquanto ainda permanecem nas suas raízes com acompanhamento de um forte piano.

Vocais angelicais, boas melodias, letra inspiradora e apoio do duo eletrônico DNA, foram os elementos que Delta Goodrem optou por utilizar aqui. O single “Dear Life” é uma balada pop honesta e emocionalmente carregada. Seu tom de voz angelical e brilhantes falsetes são acompanhados por um piano minimalista e arranjos de cordas. Da mesma forma que “Wings” foi construída, a produção de faixas como “Just Call”, “In the Name of Love” e “Hold On” são grandes momentos que poderiam facilmente ser ouvidos nas rádios. Vocalmente, essas três faixas exalam um enorme otimismo. Principalmente durante “In the Name of Love”, o piano volta ao centro das atenções e é seguido por um forte refrão e algumas batidas poderosas. As cordas orquestrais de “Hold On”, por sua vez, ficaram encantadoras ao lado das teclas de piano. Anunciada como quarto single, “Enough”, com o rapper Gizzle, é uma música pesada, com guitarras, piano e uma grande melodia.

Delta Goodrem1

Goodrem sabe como entregar uma balada emocionante, para mostrar isso ela oferece a faixa “Heavy”. Sua entrega vocal adapta-se drasticamente ao enredo de ser inseguro. Nesta canção, ela dá tudo de sua voz em um ritmo de arrepiar. A balada seguinte, “Only Human”, foi lançada como lead single do álbum no primeiro semestre de 2015. Essa faixa é perfeitamente cantada com pureza e desgosto, através do acompanhamento de um belo piano. “Eu quero amar quando eu estou quebrada / Eu quero amar, eu sou apenas humano”, ela canta aqui. Entretanto, baladas à base de tambores nem sempre funcionam ou transmitem a emoção necessária, tal como “Encore”. Esse é, infelizmente, um momento esquecível do álbum. Da mesma forma, a up-tempo “The River” e a repetitiva “I’m Not Giving Up” forçam algo que simplesmente não combina com ela. Liricamente e sonoramente, essas duas canções não se sentem sincronizadas com a Delta Goodrem que conhecemos.

Por conta desses deslizes, a segunda metade do álbum proporciona uma leve caída de qualidade. A faixa de encerramento, “I Believe in a Thing Called Love”, é um cover da banda britânica The Darkness. É uma escolha estranha, mas um momento surpreendente. É difícil imaginar que essa música podia soar desta forma, tão calma e tocante. Diferente da original, sua versão no piano é mais angelical e serena. Como um corpo de trabalho, “Wings of the Wild” é uma coleção agradável de músicas pop que refletem sobre batalhas da vida, amor, confiança, esperança e auto-capacitação. Delta Goodrem teve alguns anos para gravá-lo, enquanto trabalhava em outros projetos paralelos. Essa pausa musical de quatro anos fez bem para ela, pois teve tempo para buscar novas inspirações. “Wings of the Wild” pode não ser ousado ou original, mas mostra do que a cantora é capaz em termos de composição, vocais e melodia.

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Favorite Tracks: “Wings”, “Dear Life”, “In the Name of Love”, “Heavy” e “Hold On”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.