Resenha: Deep Purple – inFinite

Lançamento: 07/04/2017
Gênero: Hard Rock, Heavy Metal, Rock Progressivo, Blues Rock
Gravadora: earMUSIC
Produtor: Bob Ezrin.

Deep Purple é considerada uma das bandas pioneiras do heavy metal e hard-rock, embora o seu estilo musical tenha mudado durante os anos. Quando foi formada em 1968, era uma banda de rock progressivo, mas mudou seu som para algo mais pesado na década de 70. Juntamente com Led Zeppelin e Black Sabbath, Deep Purple foi considerada uma percussora do hard-rock e heavy metal britânico na metade dos anos 70. Em 2017, eles lançaram o seu vigésimo álbum de estúdio, intitulado “inFinite”. Gravado em Nashville, é o primeiro disco da banda desde que eles foram incluídos no Rock and Roll Hall of Fame. Deep Purple possui uma carreira de quase cinquenta anos, portanto, merece uma devida atenção a cada material lançado. O último álbum deles, “Now What?!” (2013), foi realmente sólido e o primeiro deles com o produtor veterano Bob Ezrin. Consequentemente, a decisão de trabalhar novamente com Ezrin foi algo bem óbvio. As performances dos membros estão muito consistentes, desde a pesada seção rítmica de Roger Glover e Ian Paice, até o trabalho de órgão do tecladista Don Airey.

Mas, novamente, é o trabalho genial na guitarra de Steve Morse e os vocais de Ian Gillan que tomam o centro do palco. Morse está mais discreto neste álbum do que nos anteriores, entretanto, seus solos ainda estão incríveis. Apesar da banda continuar a tocar de forma tecnicamente competente, algumas letras soam um pouco banais. Felizmente, a qualidade sônica moderna compensa essas falhas e mostra o clássico estilo da banda. Bob Ezrin teve um papel importante nesse álbum, porque conseguiu unificar com maestria a forte musicalidade do Deep Purple. Afinal, a química e harmonia dos membros são as principais bases dessa banda. A faixa de abertura, “Time for Bedlam”, é uma forte e ótima candidata para tal função. Possui uma melodia incrivelmente cativante e instala um humor adequado para o resto do álbum. Aqui, eles conseguem mostrar o quanto são músicos tecnicamente habilidosos. A segunda faixa, “Hip Boots”, é um puro hard-rock. “Você pode me enterrar de joelhos na merda / Ou qualquer outra coisa, eu não me importo nem um pouco”, Gillan canta seguido de um grande riff. A terceira faixa e single mais forte do álbum, “All I Got Is You”, é um dos melhores momentos do repertório.

O ritmo ideal comandado por Paice e o sulco mais lento na abertura, prepara o cenário perfeito para o trabalho explosivo de Airey e Morse. Mais tarde, a banda apresenta uma música de quase 6 minutos chamada “The Surprising”. É, provavelmente, o som mais progressivo que a banda gravou na memória recente. É uma faixa assombrante e cativante com um refrão que deixa qualquer um sintonizado. “Birds of Prey”, por sua vez, é o Deep Purple no seu estado mais pesado, com tremendas camadas exaladas pela guitarra de Morse. A faixa de encerramento, por outro lado, pode ser considerada o maior ponto fraco do disco. “Roadhouse Blues” é um cover indulgente da banda The Doors, tocado sob um blues-rock muito dissonante. Rock and Roll é um gênero onde as melhores bandas têm a chance de se reinventar. Ao longo de sua carreira, Deep Purple soube disso, mas nem sempre conseguiu tal feito. No entanto, se esse é o último álbum deles, pode ser considerado um ótimo testamento do seu poder e prestígio. “inFinite” é um álbum bastante intenso, que não soa como uma banda preste a se aposentar. Deep Purple anunciou sua aposentaria em 2010, mas é um grupo que ainda está firme e forte.

Favorite Tracks: “Time for Bedlam”, “All I Got Is You” e “The Surprising”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.