Resenha: Declan McKenna – What Do You Think About the Car?

Lançamento: 21/07/2017
Gênero: Indie Rock
Gravadora: Columbia Records
Produtores: Rostam Batmanglij, James Ford, Neil Comber e Max Marlow.

Declan Benedict McKenna, de apenas 18 anos, é um cantor inglês que ganhou reconhecimento pela conquista da Competição de Talentos Emergentes do Festival Glastonbury em 2015. Após vencer a competição, ele rapidamente garantiu um grande acordo com a Columbia Records. Inicialmente, McKenna chamou atenção ao lançar o single “Brazil” no final de 2014, uma crítica à FIFA e a Copa do Mundo daquele ano. Lançado em 21 de julho de 2017, “What Do You Think About the Car?” é o seu primeiro álbum de estúdio. James Ford, que já trabalhou com Arctic Monkeys, serviu como produtor na maioria das faixas. Enquanto isso, Rostam Batmanglij, Neil Comber e Max Marlow serviram como produtores das faixas “Listen to Your Friends”, “Paracetamol” e “Brazil”, respectivamente. O título do álbum surgiu a partir de uma pergunta feita por sua irmã mais velha: “Dec, o que você acha do carro? Você gosta disso?”. “Eu gosto, é muito bom e agora vou cantar meu novo álbum”, ele respondeu. “What Do You Think About the Car?” foi construído a partir da mistura de guitarras, baixo, teclado, bateria, sintetizadores, interlúdios de diálogos, elementos eletrônicos e letras politicamente carregadas. Em primeiro lugar, nós devemos aplaudir a musicalidade de Declan McKenna. Ele tem apenas 18 anos, mas já demonstrou ser um músico com grande potencial. Com exceção da faixa “Listen to Your Friends”, todas as outras foram escritas unicamente por ele. E, no geral, suas músicas são muito bem escritas. Ele toca em temas peculiares e impactantes, como suicídio, pressupostos LGBT, religião e corrupção. O som de McKenna é fundamentado em uma sensibilidade que vai além da sua idade.

Graças á sua musicalidade, delírio juvenil, falsetes peculiares e voz autêntica ele consegue encantar. O álbum começa sutilmente com “Humongous”, uma canção indie-pop que demonstra desde o início que McKenna não é um artista convencional. Ela possui melancólicos strums acústicos, duplos vocais e leves padrões de tambor. À medida que progride, ela evolui e apresenta algumas linhas de sintetizador. Ademais, o lento ritmo dá lugar a um final frenético, impulsionado por sons infecciosos de staccato. Liricamente, McKenna aponta o dedo para os políticos duvidosos: “Você se importa? / Eu sou grande, imenso, enorme, e pequeno / E não é justo que eu não sou nada e ninguém está lá”. O primeiro single, “Brazil”, foi escrito por McKenna quando ele tinha apenas 15 anos de idade. Uma canção furiosamente atrativa que fala sobre a corrupção no futebol. Enquanto isso, “The Kids Do not Wanna Come Home” fornece facilmente um dos melhores refrões do repertório. Uma faixa que destaca suas incríveis habilidades de composição. O seu conteúdo lírico foi inspirado pelos ataques em Paris e retrata a impotência que os jovens desta geração podem sentir. A próxima faixa, “Make Me Your Queen”, é uma balada despojada que fala sobre um amor não correspondido. Nesta faixa, a voz de Declan McKenna aparece ao lado de vocais femininos, ao passo que toda música faz uso de sons eletrônicas e strums acústicos. “E eu não posso deixar de pensar que talvez eu não signifique nada pra você querida”, ele canta aqui. “Isombard”, por sua vez, destaca-se como uma grande faixa indie-rock.

Desta vez, McKenna fornece uma mistura inteligente de sintetizadores, guitarras e bateria. Mais tarde, “Bethlehem” fala sobre a religião usada para justificar o crime de ódio. Conduzida pela guitarra, é uma canção que aborda a postura daqueles que querem matar e morrer em nome da religião. “Mas você peca como você deseja / Porque eu estou em Belém / Eu tenho um lugar no céu / E embora eu sou enviado do céu / Eu posso fazer o que eu quero / E você não tem o direito de escolher”, ele canta no refrão. Provavelmente, uma das coisas mais impressionantes em Declan McKenna é a sua vontade de ir além de temas habituais. Em “Paracetamol”, por exemplo, ele fala sobre adolescentes transgêneros. Inspirado pelo caso de Leelah Alcorn, uma jovem transgênero que cometeu suicídio em Ohio, McKenna impressiona com a sua escrita. A última faixa do álbum, “Listen to Your Friends”, é uma balada edificante co-escrita e produzida por Rostam Batmanglij (ex-Vampire Weekend). Essa canção faz alusões à importância de falar contra as injustiças, em vez de seguir a apatia de todos. Declan McKenna tocou em temas sérios no decorrer do álbum, mesmo com uma idade tão jovem. “What Do You Think About the Car?” é um descrição franca e honesta de um adolescente surpreendentemente autoconsciente. Musicalmente gratificante, este disco proporciona uma audição muito agradável. Mesmo cantando sobre vários problemas do mundo, Declan McKenna parece esperançoso. Se este álbum for alguma coisa, uma longa carreira de sucesso o aguarda.

Favorite Tracks: “Humongous”, “Mind” e “Make Me Your Queen”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.