Resenha: David Guetta – Listen

Lançamento: 21/11/2014
Gênero: EDM, House, Dancepop
Gravadora: Parlophone
Produtores: David Guetta, Afrojack, Avicii, Austin Bisnow, Jean-Charles Carre, Ester Dean, Jason Evigan, Andrew Frampton, Daddy’s Groove, Lukas Loules, Sam Martin, Danny O’Donoghue, Showtek, Giorgio Tuinfort, Nicky Romero, Frédéric Riesterer, Stadium X e Marcus Van Wattum.

Lançado em 21 de novembro de 2014, “Listen” é o sexto álbum de estúdio de David Guetta. O disco apresenta colaborações com artistas de R&B, hip hop, rock e pop, tais como Sam Martin, Emeli Sandé, The Script, Nicki Minaj, John Legend, Nico & Vinz, Ryan Tedder, Sia, MAGIC!, Birdy e Elliphant. Na produção, o DJ contou com colaboração adicional de Avicii, Afrojack, Nicky Romero e Showtek. Após o grande sucesso comercial de hits como “When Loves Take Over”, “Sexy Bitch”, “Titanium” e “Turn Me On”, Guetta virou um dos nomes mais fortes do cenário EDM. Ao longo dos últimos cinco anos, o DJ praticamente redefiniu a música eletrônica com os álbuns “One Love” e “Nothing But the Beat”. Ambos álbuns apresentaram grandes colaborações, fortes refrões e uma energia incansável que dominou grandes rádios da Europa e Estados Unidos. Por conta disso, o mercado EDM acabou tornando-se bem saturado nos últimos anos, algo pelo qual ele é um dos responsáveis, influenciando colegas a virem para o mainstream como Calvin Harris e Avicii.

Tematicamente, o “Listen” é sobre o amor, o luxo, o triunfo e a fuga, onde cada faixa possui pontos cruciais para obter sucesso popular. Mas, por outro lado, nenhuma delas contém alguma carga de profundidade emocional ou grande conteúdo lírico. David Guetta mudou alguns métodos de trabalho nesse álbum, ele construiu as faixas acusticamente ao invés de adicionar vocais à uma batida. Ele utilizou instrumentos ao vivo, como piano e guitarra, e produziu em torno deles. O disco ainda oferece fórmulas e estruturas familiares que agrada multidões. Ele merece créditos por conseguir reunir um grupo tão diversificado de vocalistas, mesmo que raramente algum desses forcem Guetta a sair de sua zona de conforto. Foi anunciado como uma tentativa de se reinventar, mas além da abordagem analógica, o DJ não pisou em um território totalmente novo. A receita para a criação do “Listen” pode ter sido diferente, mas os ingredientes são substancialmente os mesmo dos álbuns anteriores.

“Dangerous”, com Sam Martin, é a primeira das 14 faixas do álbum. Aqui, Guetta combinou cordas orquestrais e uma batida retrô com um refrão apoiado por uma guitarra funky, algo que lembra o duo Daft Punk. É a melhor pista, boa parte graças aos vocais nervosos de Martin. O seu bom desempenho vocal deu uma direção e sintonia de qualidade para a música. A britânica Emeli Sandé fornece sua bela voz para a faixa “What I Did For Love”, uma reminiscência do início dos anos 1990, conduzida por um piano e um dos poucos momentos de reflexão do álbum. Outro faixa agradável é “No Money No Love”, com Elliphant e Ms. Dynamite, canção que flerta a house music com o reggae. Sam Martin contribui novamente com seus vocais na quarta faixa, “Lovers on the Sun”. Essa foi um grande hit na Europa e co-produzida por Avicii, DJ que acrescentou alguns elementos interessantes, como os riffs obscuros de guitarra. “Goodbye Friend”, com a banda The Script, é um banger eletrônico que não estaria fora do lugar se estivesse presente no álbum “One Love” de 2009.

David Guetta

Enquanto isso, a dupla norueguesa Nico & Vinz tenta recriar o apelo comercial do seu single “Am I Wrong” na faixa “Lift Me Up”. A música não é tão boa quanto, mas a inclusão do grupo sul-africano Ladysmith Black Mambazo foi um toque interessante. Com ajuda de John Legend, a faixa-título, “Listen”, consegue oferecer algumas boas melodias. O cantor pareceu, felizmente, concentrar-se mais no seu próprio som, em vez de alinhar-se à uma batida EDM genérica. Isso foi bom, porque o seu doce vocal retirou um pouco da força dos exaustivos elementos eletrônicos da música. “Bang My Head”, com participação de Sia, segue a mesma fórmula e inclui uma sonoridade explosiva baseada em sucessos anteriores da dupla como “Titanium” e “She Wolf (Falling to Pieces)”. A cantora novaiorquina Bebe Rexha foi uma agradável surpresa com o seu desempenho na faixa “Yesterday”. Uma canção armada com riffs grudentos, uma mistura inesperada de vocais, sintetizadores típicos de raves e um acabamento com orquestração dramática.

A atrevida “Hey Mama”, com Nicki Minaj, novamente Bebe Rexha e assistência de Afrojack, é uma ótima faixa tingida de dancehall, com batidas twerk e vocais confiantes. Por outro lado, “Sun Goes Down” com participação da banda canadense MAGIC!, é uma das mais descartáveis. Possui o mesmo sabor reggae do hit “Rude” em sua produção, entretanto, diferente dessa, os seus vocais são turbulentos e sem brilho. “S.T.O.P.”, com Ryan Tedder da banda OneRepublic, também não convence, porque tanto os vocais quanto a melodia não possuem forças suficientes para prender a atenção. Birdy e Jaymes Young fazem um dueto na penúltima faixa, intitulada “I’ll Keep Loving You”. E, assim como John Legend em “Listen”, os dois foram fundamentais em suas contribuições. Sia aparece novamente na faixa “The Whisperer” e mostra um lado mais vulnerável e relativamente enxuto. É uma balada no piano que fecha a edição padrão do álbum e serve como um toque necessário para o registro, após uma sequência de faixas altas e dançantes. Na letra, Sia fala sobre novos começos, solidão e mágoa.

Guetta utilizou uma gama variada de sons e colaboradores, e, embora em alguns casos tenha sido positivo, também é aí que reside uma das várias falhas do álbum. Obviamente, são artistas formidáveis, mas fazem o disco não ter nada de pessoal ou verdadeiro. Infelizmente, o “Listen” não traz nada de inovador como prometido. O DJ não se reinventou e entregou apenas duas ou três canções realmente marcantes. O álbum não possui nenhuma faixa tão cativante ou emocionante como esforços recentes de seus contemporâneos. Músicas como o EDM tingido de folk de “Wake Me Up” (Avicii), as batidas nostálgicas do Disclosure, os elementos de música clássica de “Rather Be” (Clean Bandit) ou “My Love” do Route 94, estão em outro nível. A questão é que, dessa vez, David Guetta não trouxe uma tendência como a provocada em “I Gotta Feeling” com o Black Eyed Peas. Em vez disso, o talentoso francês apenas lançou um material desanimador, vazio e carente de criatividade.

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Favorite Track: “Dangerous (feat. Sam Martin)”, “What I Did For Love (feat. Emeli Sandé)”, “No Money No Love (feat. Elliphant & Ms. Dynamite)”, “Lovers on the Sun (feat. Sam Martin)” e “Goodbye Friend (feat. The Script)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.