Resenha: Danity Kane – DK3

Lançamento: 27/10/2014
Gênero: R&B, Pop
Gravadora: Stereotypes Music
Produtores: The Stereotypes e Dem Jointz.

O grupo feminino Danity Kane, composto por Aubrey O’Day, Dawn Richard e Shannon Bex, lançou o seu terceiro álbum de estúdio em outubro de 2014. “DK3” foi o primeiro disco delas em seis anos, bem como o primeiro sem as outras duas membros originais, D. Woods e Aundrea Fimbres. No entanto, por conta de algumas diferenças entre O’Day e Richard, que ocasionou uma briga no início de agosto de 2014, elas anunciaram que o “DK3” seria o seu último projeto e que só iriam lança-lo como forma de agradecimento aos fãs. É incrível o quão errado as coisas deram para o Danity Kane, desde a primeira dissolução até a reunião como um trio e, em seguida, a outra divisão antes mesmo do álbum ser lançado. Por isso, francamente, eu acho que foi melhor elas seguirem caminhos separados, afinal, as diferenças só poderiam atrapalhar ainda mais suas respectivas carreiras. Musicalmente, o disco não define ou eleva em alguma coisa a carreira do grupo, mas algumas canções conseguem entreter. A sua primeira metade é um pouco melhor e soa até bastante coesa.

Richard é a que mais se destaca no álbum, ela é certamente a vocalista mais distinta e a que mais impulsionou as músicas.  Com um total de 10 faixas, o “DK3” possui pouco mais de 37 minutos de duração e consegue ter um repertório variado e, em alguns momentos, vibrante e conciso. A primeira faixa, “Rhythm of Love”, é uma canção up-tempo de amor com uma produção cheia de sintetizadores. É uma música EDM atraente e divertida, onde o trio conseguiu realizar uma boa performance vocal. Na segunda faixa, “Lemonade”, o grupo revive seus momentos urbanos como o hit “Show Stopper” de 2006. Foi a primeira música apresentada aos fãs e traz a participação do rapper Tyga. É uma canção sensual, com batidas contundentes, palmas e uma boa química vocal. Com uma produção intrigante e cheia de energia, “All In a Day’s Work” acabou tornando-se algo novo e fresco para o trio. Possui sons desordenados, uma bateria pesada, efeitos auto-tune e boas harmonias, que colaboraram para a criação de um número bem cativante. Em seguida, o ritmo desacelera em “Rage”, canção que possui um piano, boas melodias e a voz contralto de Richard. Em oposição ao seu título, a música é suave, sólida e agradável.

Danity Kane (2)

“Tell Me” é uma faixa lenta e cheia de letras sensuais e sedutoras. Embora exista alguns elementos eletrônicos estabelecidos nas notas de abertura, o resto da canção progride como um número R&B. “Diga-me, diga-me como você me quer / Diga-me, diga-me / Diga-me como você me quer esta noite”, elas cantam no refrão. “Two Sides” soa como uma continuação de “Tell Me”, algo que causa um pouco de confusão por serem muito parecidas. Terminou por ser um momento monótomo e bastante previsível. Não é uma canção totalmente ruim, mas também não deixa de ser uma faixa de enchimento em comparação com as anteriores. “Secret Lover”, por sua vez, apresenta um novo lado do trio, um esforço que mostra uma verdadeira habilidade vocal e inspiração disco-music. Ao contrário da faixa anterior, essa mostra uma maior hesitação e uma melhor execução vocal. Quando chega em “Roulette”, o ritmo desacelera novamente. É uma faixa aspirante à synthpop, mas com vocais que simplesmente parecem não engrenar. “Pieces” é a faixa mais curta e a única verdadeira balada do álbum.

Aqui, elas contemplam em dar o seu coração novamente aos seus ex-namorados, esperando que os mesmos não irão decepcioná-las como na última vez. A música mantém a mesma vibe por toda sua duração e permite uma performance vocal eficiente. A faixa “Bye Baby”, por sua vez, finaliza o registro. Um número funky onde as garotas terminam por zombar dos seus namorados: “Desde que eu posso pagar mais / Eu não tenho que resolver para você / Não chore bebê”. É uma canção simples, porém, bem grudenta. Os álbuns anteriores do Danity Kane, o auto-intitulado de 2006 e o “Welcome to the Dollhouse” de 2008, haviam eventuais destaques e faixas mais forte. Foram esses dois discos que apresentaram o talento das cinco garotas para os olhos do grande público. No entanto, por mais que no “DK3” não tenha alguma canção tão boa como “Damaged”, é um material coeso que não foi completamente perdido em meio ao tumulto de suas carreiras. Muitas das faixas devem ter proporcionado entretenimento para os fãs do grupo, afinal, devem ter ficado felizes só de ter um outro álbum do Danity Kane. Em última análise, posso concluir que o “DK3” acabou se encaixando bem com o restante da discografia das garotas.

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Favorite Tracks: “Rhythm of Love”, “Lemonade (feat. Tyga)”, “All In a Day’s Work”, “Tell Me” e “Secret Lover”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.