Resenha: Daley – Days & Nights

Lançamento: 11/02/2014
Gênero: R&B, Soul, Eletrônica
Gravadora: Polydor Records
Produtores: Daley, Pharrell Williams, Bernard Butler, Illangelo, Canei Finch, Matt Hales, Andre Harris, Happy Perez e Shea Taylor.

Gareth Daley, conhecido profissionalmente apenas como Daley, é um cantor contratado da gravadora Polydor Records do Reino Unido. Ele começou sua carreira como artista independente e, ao sair de Manchester, construiu uma boa reputação para si mesmo na cena underground-soul de Londres. Ele possui um vocal melódico muito bonito e também é um ótimo compositor. Sua introdução ao mainstream aconteceu em outubro de 2010, quando co-escreveu e participou como vocalista da música “Doncamatic” do Gorillaz. O hype em volta dessa colaboração fez ele ganhar reconhecimento da mídia e ganhar um contrato de gravação da gravadora Polydor Records. Para o seu primeiro álbum de estúdio, o cantor trabalhou com Illangelo, Bernard Butler, Pharrell Williams e Shea Taylor. “Days & Nights” foi o nome escolhido para o álbum que, posteriormente, foi lançado em 11 de fevereiro de 2014 no Reino Unido e Estados Unidos. O disco é inspirado pelo R&B e contrasta com outros ritmos, como a música eletrônica, o soul e o pop.

Conta com 12 faixas e participação de Marsha Ambrosius na canção, anteriormente lançada, “Alone Together”. Daley é realmente um grande intérprete, emocional e com uma grande gama de sensibilidade. Um dos poucos problemas encontrados nos seus trabalhos é a confusão em sua discografia, ainda mais vindo de um artista novo. Seu maior hit até o momento, “Remember Me”, por exemplo, foi apresentado em dois EP’s separados, um dos quais é chamado “Days & Nights (EP)”. Sua outra canção conhecida, “Alone Together”, foi apresentada pela primeira vez em meados de 2012, e também está presente aqui no álbum. Isso passa a impressão que o disco, que teve mais de 2 anos para ser refinado e polido, foi construído a partir do remendo dos seus EP’s e singles. Felizmente, Daley é muito talentoso e mesmo com esses contra-tempos, conseguiu oferecer um material digno. “Days & Nights” prova que Daley tem muito a oferecer ao mundo do R&B, não com algo inovador, mas com algo muito bem concebido.

Daley

A faixa de abertura, “Time Travel”, abre o álbum através de um tom bem futurista. Uma canção brilhante e eficaz, tão delicada e instrumentalmente vazia, que deixará você encantado. A sua produção é tipicamente elegante e sombria, cortesia do produtor Illangelo. Daley com o seu toque e entrega casual atrai, instantaneamente, uma conexão emocional direta e profunda com o ouvinte. Igualmente bem-vinda é “Look Up”, faixa produzida e co-escrita por Pharrell Williams. Uma canção que sai do R&B moderno para algo mais clássico, como o neo-soul. Uma sólida canção old-school, que permitiu que Daley exibisse um falsete impressionante, além de utilizar um apoio escasso de cordas delicadas e um baixo descontraído. Enquanto isso, a letra não vai mais além de versos como: “Então, olha para cima e se as estrelas devem cair do céu / Vou colocá-los todas de volta no tempo / Então você sabe que quando elas brilham / Elas brilham para você”.

A terceira faixa, “Blame the World”, é outro grande destaque, tanto para aqueles que ainda não o conhecem, como para aqueles que já estão familiarizados com suas músicas. Um número incrível, performado de forma dramática e cantado com a alma. “Traiu seu primeiro e único / As lágrimas caem agora que você está sozinha / Agora você quer culpar o mundo”, ele canta apaixonadamente no memorável refrão. A intensidade da letra é elevada por sua produção, que inclui cordas sintetizadas e piano. O trip-pop de “Good News” impressiona principalmente por causa da interpretação vocal de Daley. Aqui, o cantor faz vagas e suaves transições entre a voz de cabeça e de peito. As letras de Daley, ocasionalmente, forçam nos clichês românticos do gênero, mas essas falhas são deixadas de lado quando as mesmas possuem força e profundidade suficientes para encantar o ouvinte. “Love and Affection”, cover de Joan Armatrading, foi habilmente manipulada e, embora Daley não a tenha interpretado com o mesmo poder da original, fez um ótimo trabalho ao dar à música um toque moderno de R&B.

“Be”, por sua vez, fala sobre o constrangimento de se reencontrar com uma ex-namorada: “Se não soubermos o que dizer / Eu prometo que não farei você se sentir mal / Podemos fechar as janelas / Dirigir ao redor da cidade e então ficar, ficar, yeah”. Suas palavras são simples, porém, conseguem transportam um significado por trás e fortes cargas de emoção. A música em si possui elementos de disco em sua linha de baixo, além da adição de um guitarra elétrica e um melancólico piano. A suave “Alone Together”, em dueto com a também britânica Marsha Ambrosious, é ainda melhor. Os vocais de ambos construíram uma química perfeita e de alto nível. Com melodias radiantes e em camadas, temos “Pass It On”, outra produção de Finch. Uma canção up-tempo, onde Daley utiliza um R&B contemporâneo parecido com o do cantor Ne-Yo. Em seguida, chegamos na melhor canção do álbum, “Broken”, nona faixa do repertório. Essa retoma a luta que se segue depois de uma separação difícil.

Daley

Aqui, Daley lamenta o ciclo de relacionamentos que se cria para acabar com as mágoas. A canção é a vitrine perfeita para sua impecável clareza vocal. Um grande número, onde o cantor navega com maestria e entrega um incrível refrão: “É por isso que eu nunca vou amar dessa maneira de novo / Eu nunca vou dar meu coração novamente / Porque toda vez que eu tento / Eu acabo quebrado”. Enquanto isso, “She Fades” prova, novamente, o quanto ele é seguro vocalmente. Aqui, acompanhado de um belo violino, Daley soa introspectivo ao cantar sobre a atual situação de sua ex-namorada. É um número verdadeiramente instigante e comovente. A composição é outro ponto forte nesta faixa, além da bela melodia do refrão. “Love Somebody” é maravilhosa e demonstra o entendimento de Daley perante o arrependimento de suas ações precipitadas. Afinal, é difícil se afastar de alguém que você ama, principalmente quando você já passou por tantas coisas (“E é triste mas é verdade / Você coloca sua própria cabeça em um laço / Quando você ama alguém”).

A faixa-título, “Days & Nights”, encerra o álbum de forma sonhadora e otimista, com uma produção moderna e acenos sutis para o hip-hop. Foi uma ótima escolha para fechar o registro. Não há nada de muito inovador no “Days & Nights”, mas o que falta em inovação, se destaca na execução. Como todos os grandes artistas de R&B, os vocais do cantor são poderosos como devem ser. E é nisso que Dayley realmente brilha e merece um grande reconhecimento. Ele canta, às vezes em lindos falsetes, sobre assuntos cotidianos, como sonhos, esperanças e paixões que deram erradas. Ele escreveu músicas que conseguem mostrar o seu alcance vocal e a flexibilidade de uma forma impressionante. Daley realmente sentou e colocou os seus verdadeiros sentimentos no papel, para assim, criar uma coleção de músicas sinceras e pessoais. Musicalmente, o som do “Days & Nights” é bastante consistente e o trabalho de produção de alto nível, com cada canção soando excelentemente bem. Sempre há uma batida eletrônica combinada com algo a mais, como por exemplo o piano, que dá um brilho extra para as canções. Estilisticamente, é um álbum razoavelmente variado, com maior ênfase em baladas e números mais tristes.

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Favorite Tracks: “Time Travel”, “Blame the World”, “Good News”, “Broken” e “Days & Nights”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.