Resenha: Cyndi Lauper – Detour

Lançamento: 06/05/2016
Gênero: Country, Country Rock, Blues
Gravadora: Sire Records
Produtores: Cyndi Lauper e Tony Brown.

Durante sua carreira de quase quatro décadas, Cyndi Lauper tomou várias direções musicais diferentes, desde o pop, dance, new wave e synthpop até o rockabilly e o blues. A cantora sempre se dava bem, independentemente do caminho escolhido. O título do seu novo álbum, apropriadamente “Detour”, indica que, dessa vez, Lauper seguiria pelo country. Será se essa escolha foi uma surpresa para os seus fãs de longa data? Sem medo, a cantora optou por homenagear grandes nomes da música country. Lançado em 06 de maio de 2016, “Detour” é um disco divertido, sentimental e muito envolvente. Ele foi gravado em Nashville, produzido por Tony Brown e lançado sob o rótulo Sire Records. Cyndi Lauper é uma das artistas mais visualmente originais e talentosas da indústria. Nativa de Nova York, a cantora estourou na cena musical com seu primeiro álbum em 1983.

O disco rendeu grandes sucessos como “Time After Time”, “Girls Just Wanna Have Fun”, “All Though the Night” e “She Bop”. Mais tarde, ela ganharia o prêmio inaugural de “Melhor Vídeo Feminino” no Video Music Awards e o Grammy de “Melhor Novo Artista”. Consequentemente, na década de 80, ela tornou-se um nome familiar com seu estilo e vocais únicos. Diferente de muitos outros artistas da época, ela manteve um foco em explorar caminhos musicais inesperados. Anos depois, ninguém imaginava que cantora iria passar tanto tempo lutando para encontrar a mesma vitalidade do início de sua carreira. Ela começou a encontrar diversos obstáculos e não conseguiu repetir o mesmo sucesso dos seus primeiros álbuns. Com o lançamento desse novo disco, a cantora acabou apresentando um ótimo e elegante trabalho.

Embora musicalmente fincado no country, “Detour” oferece muito mais do que arranjos criativos e excelentes vocais de Lauper. A cantora não está sozinha nesse registro, uma vez que alguns grandes nomes estão presentes, como Emmylou Harris, Willie Nelson, Vince Gill, Jewel e Alison Krauss. Este álbum não vê Cyndi Lauper tentando reformar sua carreira, ele é apenas uma extensão de sua arte e competência para se sobressair através de diferentes gêneros. “Detour” é, simplesmente, apenas mais um degrau em sua jornada musical. Uma coleção polida que consegue se destacar em meio a uma multidão de álbuns covers da música country. Embora não seja tão forte quanto, esse disco tem a mesma consistência de alguns dos seus melhores trabalhos. De forma semelhante aos álbuns “At Last” e “Memphis Blues”, Lauper coloca toda a sua alma no gênero em questão.

Cyndi Lauper

“Detour” é uma coleção de covers de artistas como Wanda Jackson, Eddy Arnold, Patsy Cline, Guy Mitchell e Dolly Parton. Fiéis as versões originais, as faixas não deixam de soar clássicas, porém, também conseguem ser bem contemporâneas. O ano de 2016 foi o momento da cantora colocar toda sua atenção para um território ainda inexplorado: a música country. No centro estão canções escolhidas a dedo, de alguns dos seus artistas favoritos. O registro abre com “Funnel of Love”, canção originalmente cantada por Wanda Jackson. Ela possui uma batida country-pop, à medida que Lauper acrescenta seu estilo único à música. Ela canta com uma energia viciante, enquanto o arranjo é fresco e bem progressivo. A faixa-título, “Detour”, foi lançado por Jimmy Walker em 1945, entretanto, foi Spade Cooley que conseguiu trazê-la para o sucesso em 1946.

Cyndi Lauper e Emmylou Harris conseguem se misturar e harmonizar com perfeição nesta atual versão. A interpretação de ambas é catapultada por algumas guitarras elétricas, solos de violino, piano e bateria. Na balada “Misty Blue”, canção escrita em 1966 por Bob Montgomery, Lauper comove através de uma belíssima interpretação. Ela realmente chega a outro nível, através de uma performance vocal bastante emocionante e melancólica. A presença do órgão, violino e solos de guitarra, ajuda a dar um grande pano de fundo para canção. A versão de Lauper para “Walking After Midnight”, originalmente de Patsy Cline, chega a dar arrepios. Ela definitivamente sabe como manter um clássico intacto. Violinos e dedilhados de guitarra formaram um ótimo acompanhamento para os vocais de Lauper. Em seguida, a cantora utiliza um clássico arranjo para performar a canção “Heartaches by the Number” (Harlan Howard).

Ela usa sua voz de forma sensual e atrevida, enquanto exibe alguns de seus sons de assinatura. Skeeter Davis levou “The End of the World” para o segundo lugar nas paradas da Billboard em 1963. Escrito por Arthur Kent e Sylvia Dee, as letras referem-se a tristeza causada pela passagem do pai de Dee. Cyndi utiliza sua capacidade artística para se conectar com a letra e, vocalmente, nos emocionar. Cheia de emoção, sua voz parece ter sido feita exatamente para baladas de qualquer gênero. Trazer o lendário Willie Nelson para cantar ao seu lado em “Night Life”, foi uma ótima jogada. Lauper e Nelson realmente conseguiram complementar um ao outro muito bem. Ele soa fantástico, assim como Lauper deu uma lufada de ar fresco para uma música escrita há 50 anos. Para essa nova versão, foi adicionado alguns instrumentos, como guitarra elétrica, piano, tambores e baixo.

Cyndi Lauper

Marty Robbins ainda é considerado um dos artistas solo mais bem sucedidos e populares da música country. Com uma carreira de 40 anos, Robbins teve uma grande cota de hits de sucesso. “Begging to You”, de 1963, aparece aqui e mantém o tom sentimental do álbum. Com um real sensação old-school, Cyndi Lauper usa seu alcance vocal para brilhar. Ela soa vulnerável e atinge notas altas com facilidade. Loretta Lynn e Conway Twitty foram uma das duplas de maior sucesso do country. A canção “You’re the Reason Our Kids Are Ugly”, por exemplo, foi um grande sucesso dessa dupla dinâmica. Em sua versão, Lauper canta ao lado de Vince Gill e presta uma homenagem bastante divertida. Enquanto cantam, ambos abraçam a natureza alegre da música e permanecem dentro do seu tom clássico. Escrita ao lado de Hank Cochran em 1961, “I Fall to Pieces” rapidamente tornou-se um dos maiores sucessos de Patsy Cline.

Em sua versão, Lauper apropria-se da música com muito respeito, tradição e excelentes vocais. É uma das canções mais emblemáticas do álbum, além de ser emocionalmente pesada e estranhamente edificante. Um dos melhores duetos encontrados no “Detour” é a faixa “I Want to Be a Cowboy’s Sweetheart” com Jewel. Gravada em 1935 por Patsy Montana, essa canção já foi regravada diversas vezes por outros artistas. É um número inocente, alegre e muito animado. Lauper e Jewel fazem justiça a versão original e emparelham com propriedade suas capacidades vocais. O destaque do álbum vem com o dueto de encerramento, “Hard Candy Christmas”. Essa foi a primeira canção a ser liberada e, imediatamente, deu o tom para o restante do registro. Lauper convidou a lendária Alison Krauss para emprestar suas habilidades para a música.

Juntas, elas fornecem uma bela harmonização no refrão e fazem um trabalho incrível. “Hard Candy Christmas” foi originalmente escrita para o musical The Best Little Whorehouse in Texas e gravada por Dolly Parton. Cyndi Lauper aproveitou a oportunidade para mostrar sua grande capacidade de emocionar. Krauss, por sua vez, complementa Lauper e adiciona belas harmonias com total naturalidade. Cyndi Lauer sempre brilhou na indústria como um dos nomes mais talentosos de sua geração. Ela pisou em vários territórios ao longo de sua carreira e agora pode adicionar o country em sua lista. “Detour” contém alguns dos seus melhores trabalhos vocais, há um grande nível de conforto enquanto ela canta nesse gênero. Quem ouvir todo o disco ficará surpreso com a honestidade e autenticidade de seus vocais. Ao todo, “Detour” é um disco ousado e verdadeiramente emocionante.

70

Favorite Tracks: “Funnel of Love”, “Misty Blue”, “Walkin’ After Midnight”, “Heartaches By the Number” e “Hard Candy Christmas (feat. Alison Krauss)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.