Resenha: CupcakKe – Queen Elizabitch

Lançamento: 31/03/2017
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Self-released
Produtor: Elizabeth Eden Harris.

Elizabeth Eden Harris, conhecida profissionalmente como CupcakKe, é uma rapper americana de Chicago, Illinois. Ela começou sua carreira no final de 2012, quando lançou um material através da internet. Entre suas principais influências, CupcakKe cita 50 Cent, Lil Kim e Da Brat. Em 2015, duas de suas músicas, “Deepthroat” e “Vagina”, se tornaram virais no YouTube. Mais tarde, em fevereiro de 2016, ambas canções foram incluídas no seu primeiro projeto, intitulado “Cum Cake”. O conteúdo lírico de CupcakKe é extremamente sexualizado e, muitas vezes, humorístico. Graças a isso, e ao seu talento como rapper, ela ganhou notoriedade pela internet e desenvolveu uma certa fã base. Após o sucesso de suas mixtapes, CupcakKe lançou “Audacious”, o seu primeiro álbum de estúdio. Posteriormente, em 31 de março de 2017, a rapper divulgou o seu segundo disco, intitulado “Queen Elizabitch”. Criada por uma mãe solteira, ela iniciou na música aos 10 anos de idade e estudou com outros rappers de Chicago, como Lil Reese e Chief Keef.

Como esperado, “Queen Elizabitch” é um álbum de hip-hop com uma linguagem vulgar e muitas insinuações sexuais. É bastante explícito, atrevido e extremamente provocativo. Em boa parte do repertório, questões sociais, sexo e violência são abordados com a mesma intensidade. Da mesma forma, todas as faixas que compõe o álbum possuem um desempenho muito confiante, tanto nas letras como nos vocais. Estes, em especial, exibem uma abordagem mais teatral, com tons distintos e profundos que alcançam notas altas e baixas na mesma proporção. Atualmente com 19 anos, CupcakKe pode ser descrita por muitos como uma novata pseudo-rapper. Mas ela mostra uma força e personalidade tão ardente, que não deixa sua idade precoce fazer os outros pensar o contrário. Eu realmente fiquei impressionado com este álbum, pois possui alguns dos bangers mais sexuais e violentos que eu já ouvi de uma rapper.

CupcakKe aborda alguns assuntos sem sutileza alguma e extrapola nos detalhes de tal forma que impressiona. Suas letras oferecem algumas imagens sobre sexo muito indecentes, mas igualmente hilárias. Ela é definitivamente criativa e vulgar em suas descrições sexuais. Sonoramente, suas batidas são brilhantes, coloridas e com um sabor trap. Ademais, todas batidas são exploradas com grande convicção por Elizabeth Harris. Instrumentos como trompas e violinos são usados como lembretes de que o disco é muito divertido. A faixa de abertura, “Scraps”, apresenta teclados e sintetizadores carregados que funcionam bem com a entrega agressiva de CupcakKe. Faixas mais escuras como “Quick Thought” e “Toys “R” Us”, fornecem teclados e percussão similares. Ambas faixas possuem uma crueza que combina bem com os vocais mais roucos de Harris.

“Biggie Smalls”, por sua vez, apresenta uma percussão que parece uma esquete do Major Lazer. É uma canção muito agradável, que oferece um olhar sobre temas como padrões de beleza. A faixa de encerramento, “Reality, Pt. 4”, é um número acapela que reflete sobre a vida da rapper. É uma música divertida que fala sobre a sua ascensão à fama depois de tantas dificuldades. É até desconcertante ver que a mesma artista que criou “Deepthroat” e “Vagina”, conseguiu criar uma melodia tão alarmante e misteriosa como essa. No geral, há muita coisa que poderia ter sido aperfeiçoada nesse álbum. As batidas poderiam ser mais diversas e o conteúdo lírico menos repetitivo. Entretanto, “Queen Elizabitch” prova que CupcakKe é uma rapper muito versátil e talentosa. Em suma, é um álbum humorístico, ousado e tecnicamente consistente. O hype criado por ela é bastante compreensível, visto que “Queen Elizabitch” é um ótimo álbum de hip-hop.

Favorite Tracks: “33rd”, “Biggie Smalls” e “Toys “R” Us”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.