Review: CupcakKe – Ephorize (2018)

Lançamento: 05/01/2018
Gênero: Hip hop, Dirty rap
Gravadora: Self-Released
Produtores: Def Starz e Turreekk.

O novo álbum da CupcakKe pode ser extremamente sexual, mas também é muito coeso e divertido. Esse material mostra que ela é muito mais do que apenas uma rapper hilária e atrevida.

O rap é um dos gêneros mais dominantes da atualidade, basta você dar uma olhada nos charts do Spotify. A rapper CupcakKe, por exemplo, começou o ano de forma promissora ao apresentar sua visão no álbum “Ephorize”. Ela vêm constantemente alcançando a fama desde que lançou “Cum Cake” (2016). Essa mixtape foi responsável por anunciar sua ambiciosa estreia na cena musical. Nos últimos dois anos, ela lançou várias músicas explícitas que abraçaram sua sexualidade e apresentaram uma atitude despreocupada. Para este novo álbum, CupcakKe decidiu corajosamente fazer comentários mais maduros a respeito de sua vida e sociedade. Desta vez, o seu fluxo está mais polido, embora ainda seja extremamente agressivo, sujo e cômico. A produção do “Euphorize” é muito diferente se comparada com os seus registros anteriores, “Audacious” (2016) e “Queen Elizabitch” (2017). É uma coleção mais versátil que experimenta outros gêneros musicais. Aqui, existem influências latinas, pop e EDM, juntamente com suas já conhecidas raízes de hip hop. Diferente dos álbuns anteriores, “Euphorize” destaca-se por causa de sua maturidade, enquanto ainda fornece faixas despreocupadas, divertidas e sexualmente explícitas. 

Desde que tornou-se um viral em 2015, com as faixas “Vagina” e “Deepthroat”, CupcakKe vêm aprimorando suas habilidades. Portanto, não é surpreendente dizer que “Euphorize” é o seu melhor álbum até então. Suas letras sempre foram absurdamente explícitas, portanto, o que faz este registro dar um passo a frente é sua evidente confiança, maturidade e produção. Enquanto funciona como uma grande festa, “Euphorize” leva sua vulgaridade lírica para um novo pico. A primeira faixa, “2 Minutes”, apresenta acordes de piano antes do seu fluxo de rap. É um número atmosférico e diferente que lida com suas falhas e incertezas. As batidas de “Cartoons” são, provavelmente, a coisa mais próximo das tendências musicais atuais. É uma faixa que mostra que ela tem mais substância do que apenas rimas explícitas sobre sexo. Sua produção, intercalada por um padrão de bateria de aço, é muito misteriosa e peculiar. Consequentemente, antecipa o que está prestes a ser apresentado nas outras canções. Destaque para o refrão, pois é animado e atrativo. “Duck Duck Goose” é uma das faixas que mais retratam o sexo. Da mesma forma que “Deepthroat”, é uma canção completamente explícita que incorpora rimas ágeis e letras grosseiras.

É um número realmente sujo, onde CupcakKe mantém-se controversa e polêmica. O instrumental sintético acompanha letras como: “Eu pensei que eu vinha, mas eu fiz xixi no pau / O cabelo púbico tem polegadas, isso é tecer no pau / (…) Escalando aquele pênis, preciso de uma escada de 10 pés / (…) Meus bolos ficaram mais gordos usando esperma como massa / Olhe para o seu pau e diga-lhe que não vou decepcioná-lo”. Na melhor faixa do álbum, “Crayons”, CupcakKe tenta celebrar o amor discutindo a homofobia, transfobia e identidade. Ela sempre apresentou sua sexualidade nas músicas, mas agora expandiu as coisas levantando a bandeira do arco-íris em prol da comunidade LGBT. “Crayons” se destaca facilmente no álbum, principalmente pelo fato da rapper celebrar e defender a comunidade gay. Enquanto todo o disco funciona como uma grande festa, temas políticos guiam sua vulgaridade lírica em prol dos direitos LGBT. A força das composições de CupcakKe não é apagada nem mesmo por alguns momentos líricos acidentais. O tom mais divertido e ambíguo de “Crayons” fornece tudo que uma música de rap precisa. É um hino que promove a igualdade para todos, mesmo que CupcakKe não se preocupe em utilizar uma linguagem politicamente correta.

É uma canção que preserva a inclusividade na sociedade sobre uma produção bastante diferente dos seus registros anteriores. Embora a positividade do sexo sempre esteve a frente de suas músicas, CupcakKe não está apenas preocupada em apresentar rimas cheias de palavrões. Acima de tudo, ela está interessada em comentar sobre a cultura ao seu redor e defender os direitos das minorias. “Crayons” ainda possui as letras tipicamente divertidas da rapper, tais como: “Seu pau pode ser o Tinder, mas ele publica no Grindr”Mas a maioria das rimas são duras e incrivelmente diretas, à medida que a produção de hip-house explode com instrumentos de metais. Sob excelentes tambores, influências de dancehall e poderosas alegações, “Crayons” soa semelhante à música “Lgbt” do seu primeiro disco, embora seja muito melhor que a mesma. A faixa seguinte, “Cinnamon Toast Crunch”, leva as questões de identidade para um nível mais pessoal e escuro. Embora haja uma certa imaturidade em alguns versos, é uma música agressiva e cheia de remorso. “Self Interview”, por sua vez, revela outra complexidade juntamente com um senso afiado de autoconsciência. Aqui, a rapper descreve as expectativas colocadas sobre as mulheres quando estão transitando da adolescência para a idade adulta.

“Naquela época, tivemos lipgloss e alguns macacões, isso é o habitual / Hoje em dia eu tenho que mostrar a pele e tecer o cabelo para me sentir linda”, ela cospe. Enquanto “Navel” utiliza linhas de flauta e sintetizador para causar um bom contraste à batida, “Total” flerta com o tropical-house e utiliza o vocoder em segundo plano. Mais tarde, “Single While Taken” expande os temas de incerteza num relacionamento. Faixas como estas revelam que, mesmo que suas músicas sejam hiper-sexualizadas, ela escreve tudo sozinha. CupcaKke é um rapper de 20 anos responsável por cada palavra e estilo de suas músicas. “Single While Taken” serve como uma força inegável de sua personalidade. Por fim, o som tropical de “Fullest” conclui o repertório de forma intrigante. Sem dúvida, os melhores momentos do álbum surgem quando CupcakKe evita o sexo em prol de assuntos mais profundos, tal como “Crayons”. Mas, independentemente disso, “Euphorize” é um álbum incrivelmente ousado e poderoso. Sim, é um registro extremamente sexual, mas com quase todas as músicas girando em torno de uma única mente. Por mais aparentemente louco que possa parecer, é um esforço imensamente coeso e divertido. Além de ser amarrado por grandes batidas, mostra os talentos de CupcaKke com muita precisão.

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Favorite Tracks:

“Cartoons” / “Crayons” / “Navel”.

São Paulo, 22 anos, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas e séries. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.