Resenha: Corinne Bailey Rae – The Heart Speaks in Whispers

Lançamento: 13/05/2016
Gênero: R&B
Gravadora: Virgin EMI Records
Produtores: Corrine Bailey Rae, Stephen James Brown, Steve Chrisanthou, Paris Strother e James Ryan Ho.

É difícil ler o nome de Corrine Bailey Rae, sem ouvir instantaneamente sua voz cantando a ensolarada “Put Your Records On”. Essa canção foi um hit e agitou o verão de 2006, mesmo ano que ela lançou o seu auto-intitulado álbum. Seu primeiro marido morreu de uma overdose de drogas em 2008 e, consequentemente, Corrine Bailey Rae passou um período longe da música. Em 2010 ela retornou com “The Sea”, um disco mais escuro que explorava a dor da perda e traumas pessoais. Seis anos depois, ela está de volta com um otimismo recém-descoberto, através do álbum “The Heart Speaks In Whispers”. Naturalmente, é um registro muito mais alegre, que traz uma lufada de ar fresco para sua vida. Mais conhecida por seu neo-soul e vocal soulful, a nova oferta de Corrine Bailey Rae é composta de inspiração eletro-funky dos anos 70.

Ele representa a verdadeira versatilidade da cantora, pois também possui tons de rock, pop, soul e jazz. Este disco mostra um crescimento musical, bem como um ótimo valor de produção. Ele atende bem os simples vocais de Rae, assim como oferece canções incrivelmente doces. Ela descreveu o disco como experimental e “uma verdadeira exploração do seu instinto, natureza, amor e subconsciente”. Como alguém que suportou muitas dores e mesmo assim triunfou, Rae continua a ser honesta e de coração aberto. “The Heart Speaks In Whispers” foi escrito e produzido com seu atual marido, Steve Brown, um amigo e colaborador de longa data. É ótimo ouvir sua doce voz em um corpo de trabalho tão coeso. Ele mostra sua evolução como artista e como ela abraçou suas maiores influências musicais.

Corinne Bailey Rae

Elementos de sua formação clássica e seus anos cantando em igrejas, podem ser perceptíveis na harmônica faixa de abertura, “The Skies Will Break”. É um número afável que, em alguns momentos, parece uma sequela de “Viva La Vida” do Coldplay. É um congestionamento sobre palmas, melodias apertadas, teclado, harpas e sons eletrônicos. “Hey, I Won’t Break Your Heart” vai quebrar o seu coração, pois é uma balada mid-tempo cheia de amor. Liricamente, é uma canção sobre o perdão, introduzida por uma guitarra acústica e vocais de fundo. Ela cresce à medida que os segundos passam, enquanto órgãos e backing vocals dão suporte. A terceira faixa, “Been to the Moon”, é um número dance-funky igualmente forte, com rajadas de sintetizador em tom menor e um suave piano. Ela chama atenção de imediato graças às seus elementos da década de 70.

Os resquícios de neo-jazz criam uma viagem emocionante e faz a música pulsar com confiança. Inclusive, a canção termina com uma bonita nota de jazz, juntamente com uma seção de poderosos metais. Aqui, Corrine Bailey Rae continua a explorar temas como a reciprocidade, honestidade, amor e vulnerabilidade. “Eu fui para a lua tão suavemente / Eu estive onde você está, Deus me ajude”, ela canta no refrão. A faixa seguinte, “Tell Me”, é um número com palmas, órgão e vocais alegres. Sua espinha dorsal é centrada em ritmos caribenhos, eletrônicos e bem contemporâneos. Ela merece créditos por arriscar-se em novos experimentos, como os apresentados aqui. O terceiro single, “Stop Where You Are”, é sobre a tentativa de encontrar a felicidade no presente, em vez de acreditar que é apenas algo alcançado no futuro. É uma música acústica, com algumas vibrações indie e um estilo rock-gospel.

Ela tem diferentes níveis, como a tranquilidade durante os versos e um alto interlúdio na chegada do refrão. Os vocais estão cheios de alma e o refrão é um verdadeiro destaque. O único problema é que ele soa um pouco desconectado dos versos, tanto que parecem duas músicas diferentes. “Green Aphrodisiac” é uma balada sensual e vintage, entretanto, longa demais. Apesar de toda exuberância, a longa duração acaba tirando um pouco do seu brilho. Inicialmente, “Horse Print Dress” parece uma cantiga de ninar pop-R&B, no entanto, posteriormente, evolui para algo como um disco-funky oitentista. Sua dicção e sotaque peculiar injetam um charme na música, porém, sua batida e melodia são um pouco monótomas. A doce voz de Rae é bastante soulful e ideal para baladas acústicas como “Do You Ever Think of Me?”. Uma faixa que começa simples, mas depois constrói um clímax instrumental muito bom.

Corinne Bailey Rae

O canto quase fúnebre de “Caramel” nos remete um pouco a faixa-título do disco “The Sea”. Não é uma das minhas faixas favoritas, entretanto, não deixa de ser uma peça agridoce, vulnerável e introspectiva. Um momento muito gratificante no álbum é “Taken by Dreams”, canção que percorre um caminho aparentemente inesperado. Aqui, Corrine Bailey Rae funde o funky com o rock e floresce através de uma pista infecciosa. “Walk On” é basicamente uma auto-afirmação que lhe permitiu chegar em momentos de felicidade, após as dores do passado. É uma canção suave, relaxante e influenciada pelo neo-soul. É percussivamente soulful, com uma mensagem de perseverança e otimismo. Sem dúvida, o principal combustível da música, além dos belos vocais, é o poderoso tambor.

A faixa de encerramento, “Night”, se diferencia das demais por causa dos violinos. É uma genuína canção de ninar, guiada através da fragilidade dos vocais de Rae. “The Heart Speaks In Whispers” é um álbum decente, mas não em caráter excepcional, pois não possui um grande ápice. Corrine Bailey Rae é capaz de projetar emoções cruas, simplesmente quando coloca seus vocais para fora. Sua voz é comovente e eficaz, com toques de melancolia em alguns momentos. Ela é muito talentosa, quanto a isso, não resta qualquer dúvida. Esse disco, basicamente, caiu entre o som ensolarado de sua estreia e a angústia artística do segundo. Nos últimos seis anos ela se deu espaço e liberdade para escrever de forma instintiva e aprendeu a produzir seu próprio som. “The Heart Speaks In Whispers” veio após o seu segundo casamento e nos lembra o quanto sua jornada pessoal é a força criativa por trás de suas músicas.

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Favorite Tracks: “The Skies Will Break”, “Hey, I Won’t Break Your Heart”, “Been to the Moon”, “Stop Where You Are”e “Walk On”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.