Resenha: Converge – The Dusk in Us

Lançamento: 03/11/2017
Gênero: Metalcore, Post-Hardcore
Gravadora: Epitaph Records / Deathwish, Inc
Produtor: Kurt Ballou.

Converge é uma banda americana de metalcore formada pelo vocalista Jacob Bannon e o guitarrista Kurt Ballou, em Massachusetts, em 1990. Até o momento, eles lançaram nove álbuns de estúdio, ao lado de três álbuns ao vivo e numerosos EPs. O último disco da banda, “The Dusk in Us”, foi lançado recentemente em 03 de novembro de 2017. Para quem não conhece, Converge é um grupo enraizado no punk-hardcore e heavy-metal, e são considerados pioneiros tanto do metalcore quanto do subgrupo mathcore. “The Dusk in Us” é quase um passeio de montanha-russa embalado por momentos brutos que permanecem fieis ao som do Converge. É um registro que nos remete às suas melhores faixas de mathcore, principalmente aquelas encontradas nos álbuns “Jane Doe” (2001) e “You Fail Me” (2004). Este disco possui camadas densamente embaladas por guitarras e o baixo milagroso de Nate Newton. Além disso, a voz de Jacob Bannon está mais clara do que em trabalhos anteriores, permitindo que as letras pintem a imagem que eles querem. É muito raro ver uma banda com mais de 25 anos de história continuar tão relevante como antes. Com o passar dos anos, Converge cresceu, melhorou e amadureceu, ao mesmo tempo que continua firme e brutal.

Eles são especialistas em evoluir o seu som e demonstram isto perfeitamente aqui. É incrível a forma como eles misturam algumas assinaturas de tempo caóticas com elementos de post-hardcore. Quando trata-se da composição e desempenho, “The Dusk in Us” já pode ser considerado um dos seus melhores discos. Cada pequeno detalhe parece que foi inserido com o máximo de cuidado, a fim de criar algo totalmente novo. Como já mencionado, o vocalista Bannon está vocalmente excelente, pois seus gritos etéreos cortam todas as faixas com grande violência e impetuosidade. A primeira faixa, “A Single Tear”, abre de forma triunfante sobre guitarras afiadas e uma natureza catártica. Além de possuir riffs crocantes, é uma das músicas mais viscerais do repertório. A faixa-título, “The Dusk in Us”, que registra mais de 7 minutos de duração, possui um acúmulo incrível e clímax fenomenal. Há músicas no álbum que relembram o estilo clássico da banda, como “Eye of the Quarrel”, “Under Duress”, “Broken by Light” e “Cannibals”. “Eye of the Quarrel”, em particular, possui um excelente e frenético trabalho de baixo e vocais extremamente apressados. Também há números verdadeiramente épicos, principalmente o primeiro single, “I Can Tell You About Pain”.

Uma peça de punk-hardcore com batidas irregulares e guitarras de enorme impacto. Em “Thousands of Miles Between Us”, a banda adota uma abordagem mais ambiental sobre vários elementos de post-hardcore. Músicas mais experimentais, como “Murk & Marrow” e “Reptilian”, provam que o Converge cresceu muito ao longo dos anos. Eles são considerados altamente influentes e sempre fazem as coisas do seu jeito. Liricamente, este é um dos melhores trabalhos da banda e, vocalmente, Bannon prova que tem muito mais do que apenas um grito gutural. O guitarrista Kurt Ballou continua impressionante com o seu estilo único e riffs impactantes. Enquanto isso, o baterista Ben Koller está totalmente desencadeado neste álbum, da mesma forma que o baixista Nate Newton parece estar no seu melhor momento. “The Dusk in Us” é um álbum realmente excepcional, além de ser uma adição bem-vinda à forte discografia do Converge. É um LP emocionante, brutal, visceral e atmosférico. Mesmo inspirando-se num som mais antigo, a banda ainda parece refrescante. É surpreendente pensar que, à medida que a banda envelhece, ela fica ainda melhor. Agora, esperamos que eles não demorem mais cinco anos para lançarem um novo disco.

Favorite Tracks: “A Single Tear”, “Under Duress” e “I Can Tell You About Pain”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.