Resenha: Common – Black America Again

Lançamento: 04/11/2016
Gênero: Hip-Hop
Gravadora: Def Jam Recordings / ARTium Recordings
Produtores: Karriem Riggins e Robert Glasper.

Alguns artistas rejuvensceram a música negra politicamente consciente nos últimos anos, como D’Angelo, Kendrick Lamar, Janelle Monaé, Beyoncé, Solange e Common. “Black America Again”, o mais recente álbum do rapper, é uma lufada de ar fresco num cenário hip-hop cheio de artistas recriando batidas trap. Aqui não há uma intenção de criar um som atual, em vez disso, o disco está focado em eventos atuais. E, muito semelhante aos seus amigos de Chicago, Kanye West e Chance the Rapper, Common também tem a religião como uma grande influência. “Black America Again” é um projeto consciente com letras provocadoras e produção distinta. Possui declarações sobre o atual estado da América para os negros. Além disso, é um material com mensagens mais amplas, já que outras minorias também reconhecerão a opressão mencionada por Common. A produção do álbum é suave, reflexiva e flui de forma muito coesa. Ademais, a produção funciona perfeitamente bem com a natureza politicamente carregada das letras.

O seu lirismo é realmente inteligente, uma vez que Common traz comentários e observações marcantes através de suas rimas. Para complementar o repertório, Common convidou alguns ótimos convidados. “Black America Again” é o seu esforço mais colaborativo desde o disco “Electric Circus” (2002). A lista de convidados do álbum inclui Stevie Wonder, Bilal e John Legend. O pianista Robert Glasper e Karriem Riggins também fizeram um ótimo trabalho ao unir uma variedade de estilos como jazz, soul, R&B, funk e gospel na produção geral. Inspirado por “To Pimp a Butterfly” de Kendrick Lamar, esse álbum vê Common dar sua opinião sobre o estado das relações raciais nos Estados Unidos. Explorando a noção de liberdade negra e a recusa do país em confrontar sua própria história, Common reflete sobre o racismo, escravidão, encarceramento, feminismo negro, brutalidade policial e assassinatos de negros, como Trayvon Martin e Sandra Bland. A primeira faixa, “Joy and Peace”, define o tom para o álbum, uma vez que começa com um pregador pedindo ao ouvinte para exaltar e louvar a Deus.

Enquanto isso, em “Home” Common alterna o esquema de suas rimas de uma forma que realmente chama atenção. Logo em seguida, a faixa-título, “Black America Again”, mergulha na atual situação que os afro-americanos enfrentam todos os dias nos Estados Unidos. É uma das músicas mais emocionantes do álbum, especialmente, pela participação do lendário Stevie Wonder. Aqui, Common aborda assuntos que vão desde a escravidão até a igualdade para todos. O álbum também concede ao ouvinte momentos de amor, como podemos ouvir em “Love Star”, com a talentosa Marsha Ambrosius, e “Unfamiliar”, com Paris Jones, mais conhecida por PJ. Ambas canções proporcionam momentos vibrantes, nostálgicos e muito agradáveis. “Love Star”, particularmente, é uma clássica música de duas etapas, que vai desde um simples loop de bateria até o uso de cordas lisas ao fundo. Common continua exibindo seu estilo eclético em faixas como “Red Wine”, com Syd e Elena. Uma suave canção de R&B que acalma facilmente os nosso ouvidos. A faixa seguinte, “Pyramids”, é um destaque que explora um funk/hip-hop futurista e contém elementos de “Brooklyn Zoo” de Ol’ Dirty Bastard.

Temas como encarceramento em massa e política aparecem em “A Bigger Picture Called Free” e no soberbo piano de “Letter to the Free”. Enquanto o dueto com John Legend, “Rain”, fica aquém do esperado, faixas como “The Day Women Took Over”, com BJ the Chicago Kid, e “Little Chicago Boy” tornam-se destaques. “The Day Women Took Over” é incrivelmente refrescante, bonita e dedicada as mulheres em geral. Créditos para os instrumentistas envolvidos nessa faixa, uma vez que as trombetas e a flauta são muito agradáveis. “Little Chicago Boy”, por sua vez, é um tributo para o pai de Common, que regularmente aparece nos álbuns de Common através de palavras faladas. No geral, “Black America Again” é incrível e forte sinal para a América e o mundo. Common deve ser elogiado pelo trabalho apresentado aqui. Comparações com “To Pimp a Butterfly” aconteceram, principalmente pela semelhanças no estilo e conteúdo. Mas, apesar de “Black America Again” não estar no mesmo nível do álbum citado, ainda é um projeto muito bom, oportuno e brilhante.

Favorite Tracks: “Love Star (feat. Marsha Ambrosius & PJ)”, “Unfamiliar (feat. PJ)” e “The Day Women Took Over (feat. BJ the Chicago Kid)”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.