Resenha: Coldplay – Kaleidoscope (EP)

Lançamento: 14/07/2017
Gênero: Rock Alternativo, Pop Rock
Gravadora: Parlophone / Atlantic Records
Produtores: Rik Simpson, Bill Rahko, Markus Dravs, Brian Eno, Daniel Green e Martin Terefe.

Em 14 de julho de 2017, Coldplay retornou com um EP de cinco canções, intitulado “Kaleidoscope”. Aparentemente, esse EP serve como uma sequela tardia do álbum “A Head Full of Dreams” (2015). Ao longo deste pequeno extended play, Coldplay alterna entre o rock alternativo e o pop-rock. Além de apaziguar a ansiedade dos fãs para um novo material, “Kaleidoscope” serviu para incluir “Something Just Like This” (colaboração bem-sucedida com o duo The Chainsmokers) na sua discografia. Esta gravação ao vivo, subtitulada “Tokyo Remix”, replica o smash original com aplausos de uma multidão japonesa adicionados à mistura. “Kaleidoscope” é um EP tecnicamente fraco que não vai ganhar a mesma atenção de um álbum completo. A primeira faixa, “All I Can Think About Is You”, pode ser considerada uma das melhores coisas que o Coldplay fez em anos. É uma música de rock-alternativo tradicional, com pesados tambores, riffs de guitarra proeminentes, baixo intenso e lento piano. Além da boa mistura de instrumentos, essa canção possui uma progressão harmônica muito interessante. Gradualmente, a música explode em uma paisagem sonora semelhante àquelas criadas no álbum “Viva La Vida or Death And All His Friends” (2008). Outro ponto positivo é que a banda abraça um som mais alternativo do que de costume.

Em contrapartida, a segunda faixa, “Miracles (Someone Special)”, agarra-se na música pop. Uma balada conduzida pelo piano, onde a banda optou por uma direção semelhante a do “Mylo Xyloto” (2011). Consequentemente, esta canção obteve resultados mistos, particularmente para aqueles que preferem o antigo Coldplay. “Miracles (Someone Special)” possui algumas sugestões de rock-alternativo, onde a guitarra acústica é bem-vinda. Entretanto, a presença do rapper Big Sean solidifica o pop, ao entregar algumas rimas com um fluxo usual. Da mesma forma, Will Champion optou por utilizar uma programação de bateria sem graça. A próxima faixa, estilizada como “A L I E N S”, é uma parábola sobre os refugiados com uma estranha assinatura de tempo. Felizmente, a percussão que abre a música é bem diferente dos componentes EDM de “Something Just Like This”. Em alguns momentos, o som distinto desta faixa nos lembra a clássica “Talk”, canção presente no álbum “X&Y” (2005). Os sintetizadores foram utilizados de uma forma melhor, pois eles complementaram o riff atmosférico em vez de dominar o instrumental. Musicalmente, “A L I E N S” é a faixa mais interessante do EP, uma vez que Chris Martin aborda questões mais pesadas.

Liricamente, ele descreve as dificuldades dos refugiados que fogem das zonas de guerra. Felizmente, os ritmos pulsantes da música ficam em constante movimento e vão na mesma direção. O já mencionado eletropop “Something Just Like This (Tokyo Remix)” surge logo na sequência. Aparecendo de forma remixada, o dueto com o The Chainsmokers incorpora uma quantidade excessiva de ruídos da multidão e acaba perdendo o imediatismo da versão original. O EP fecha com a balada “Hypnotised”, cujo piano ondulante soa verdadeiramente cativante. É outra canção construída em torno de elementos nostálgicos e infinitamente melhor que o remix de “Something Just Like This”. Impulsionada por simples acordes de piano, é uma música que nos lembra de alguns dos maiores hits da banda. Entretanto, nem mesmo esta bela música é suficiente para vender o “Kaleidoscope”. Não dá para negar que este EP soa muito familiar e tecnicamente fraco. O EP consegue provar a diversidade musical da banda, mas é um registro pouco relevante. Depois de escutar as cinco faixas, você acaba se perguntando qual é a identidade atual do Coldplay. Uma banda tão popular e talentosa acaba soando breve, previsível e pouco respeitável.

Favorite Track: “All I Can Think About Is You”.

São Paulo, formado em Recursos Humanos, apaixonado por músicas, séries e animes. Fã dos Beatles, amante do futebol e palmeirense fanático.